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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os melhores discursos de toda minha vida

De fato, meus melhores discursos jamais foram proferidos. Os mais eloquentes, comoventes, enriquecedores e questionadores argumentos jamais saíram do meu pensamento, em razão do hábito de ficar imaginando o que responder, quando me falam alguma coisa. 


Ainda hoje pedi ajuda a uma pessoa e esta se mostrou reticente em me ajudar. Perguntou: 


- Se eu não for vai fazer falta? Tenho mesmo que ir? 


Nada respondi. Absolutamente nada. Mas em minha mente formulei um discurso arrebatador! Ele começava da seguinte forma: 


- A pergunta não é esta. A pergunta que tu tens a fazer a si mesmo é: Eu quero ir? Porque sem vontade não fazemos nada. E mesmo a pior tarefa se torna algo pequeno e irrisório quando temos gana de fazer aquilo.


Contudo,  enquanto formulava este discurso me ocorreu que muitas vezes dizemos sim quando queremos dizer não, e outras dizemos não quando queríamos dizer sim. São situações que nos ocorrem por conta das peças que a vida nos prega, quando empenhamos nossa palavra ou atitudes com pares que formamos. Por vezes, numa aliança, optamos por fazer aquilo que não desejamos, abrindo mão de nossos próprios interessem em favor de outrem. É como naquela situação em que uma pessoa vai cuidar de seu tio que lhe humilhou e menosprezou a vida toda, mas que agora, em sua velhice, não tem ninguém para cuidar dele.


Nobres pessoas, com apuradíssimo senso de dever e amor. Pessoas de profunda e complexa composição, donos de sentimentos e desdobramentos insondáveis e não conhecíveis. Destes quero me manter próximos. Não quero estar próximos a pessoas fúteis que consigo identificar seus cerceamentos em apenas cinco minutos de conversa. 


De fato, sempre guardarei meus melhores discursos. Mesmo pérolas nada valem se lançadas aos porcos.


Samuel Bonette

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O ruim e o pior

O ruim nem sempre é o pior. Constatação óbvia, podem até dizer alguns, mas nem sempre é tão óbvia. Ruim é, por definição, algo desagradável, mau, que não presta. Pior é aquilo que de mais desagradável poderia ocorrer. Dentre todas as opções, a mais infame, insensata, imprudente ou desacertada. Obviamente que sempre tentamos acertar, mas por diversas vezes acabamos piorando tudo. Temos vários exemplos nos quais foram feitas mudanças, a título de melhoria, mas estas vieram a causar ainda mais transtornos do que havia anteriormente.

Um exemplo rápido: o pão francês, vulgo cacetinho, era vendido no país inteiro por unidade. Alguns lugares cobravam R$ 0,20, outros R$0,15, outros R$ 0,30, e os mais baratos cobravam R$ 0,10. Tempo bom, não? Não era isto o que pensavam os legisladores brasileiros: fizeram uma lei determinando que todos os estabelecimentos comerciais passassem a vender o referido pão a quilo, alegando que os valores praticados eram incoerentes, uma vez que cada lugar fazia o pão com tamanho conforme achasse melhor. Resultado: hoje compramos pão por R$ 0,40, R$ 0,50, R$ 0,45, e os mais baratos por R$ 0,30 (bastando para isto dividir o valor total pelo número de unidades). Um verdadeiro absurdo, uma triste realidade, um real exemplo do que mencionei acima: o ruim nem sempre é o pior.

Estas situações ocorrem normalmente quando não conhecemos a essência, somente o procedimento. Não sabemos por qual motivo isto é feito assim e por qual motivo aquilo é feito de outra forma; quando temos ciência somente das relações entre causa e efeito, mas desconhecemos o que ocorre entre uma ponta e outra, entre o input e o output. No momento em que somos questionados e não sabemos porque fazemos, passamos a ser questionadores também, e a tendência é abandonar o comportamento. Exatamente neste ponto é que mora o perigo, pois algo aparentemente pequeno ou insignificante pode mudar o rumo de toda uma vida, as convicções, comportamentos e até destinos. Quando desconhecemos a essência, estamos sempre sujeitos o ser pegos de surpresa pelos questionamentos da vida e ficarmos sem respostas. O trem da vida não para porque tem alguém perdido no meio dos trilhos. Outro comportamento comum nestes casos é se apegar a regras; quando surgiu chegou-se à conclusão que determinado procedimento era o mais eficaz para atingir determinado resultado; entretanto, com o tempo, o conhecimento vira mero treinamento, e o procedimento, que deveria ser um meio, torna-se o fim, virando assim alvo de imutabilidade adquirida. O foco recai sobre o procedimento, e não sobre o objetivo final, esvaziando de sentido e engessando desnecessariamente as coisas.

Portanto, sempre que levantamos um questionamento devemos ser o mais sincero possível, pois além de gerar até alguma desorientação no questionado, podemos também levar a uma mudança de comportamento que tornará tudo ainda mais caótico do que já é. Devemos questionar sim, para que tenhamos a chance de melhorar, mas evitar a questão leviana e infundada, e especialmente ter muito cuidado ao tomar qualquer decisão, pois delas partem os caminhos da vida.

Samuel Bonette

domingo, 8 de maio de 2011

Aquela pedrinha.....

Existe uma expressão chamada "pedra no sapato". Normalmente se refere a alguma coisa que impõe dificuldades a outrem. É uma expressão bastante utilizada, especialmente quando em competições. "Fulano é a pedra no sapato do Sicrano" - normalmente é a frase proferida. E, de fato, uma pedra no sapato incomoda. Fica aquela situação de desconforto ou irritação intermitente, dói quando pisa, incomoda quando o pé está no ar, é uma sensação horrível. Me lembro até de uma vez na qual um empregado de meu pai relatou que seu pequeno filho estava reclamando de algo dentro de seu tênis, e quando foram ver, era uma aranha que estava dentro do tênis, que por sorte não conseguia se virar para picar seu filho. Evidentemente que uma pedra no sapato é uma situação bem menos perigosa, mas não menos preocupante.

Todavia, o que mais me chama a atenção não é o fato da pedra incomodar tanto, mas sim o tamanho desta pedra. A pedra do sapato normalmente tem um tamanho pequeno. Fora do sapato ela é totalmente inofensiva; não se poderia atirá-la em alguém ou animal, em auto-defesa, pois não surtiria efeito; não se poderia atirar a pedra num pássaro ou ave qualquer, num momento de necessidade, para matar e comer a ave, pois não a abateria. A pedra é pequena demais, tão pequena que mesmo seu peso não seria suficiente para esmagar uma formiga. Não se pode fazer absolutamente nada com esta pedra, a não ser desprezá-la. A pedra no sapato é algo insignificante enquanto pedra.

Porém, esta mesma pedra dentro do sapato incomoda demais. Isto me leva a concluir que, por ser insignificante fora do sapato, desprezamos-na, quando deveríamos entender que ela se torna incomodativa dentro do sapato justamente porque a desprezamos fora dele. Se fosse uma pedra de tamanho considerável, ao vermos a mesma dentro do sapato, imediatamente a retiraríamos, pois com certeza nem seríamos capazes de calçar o sapato. Entretanto, por seu pequeno tamanho, nem mesmo a notamos, e se vemos, desprezamos-na. É interessante como algo tão pequeno pode se tornar tão grande. A segunda conclusão que tiro é que a pedra incomoda porque o sapato é do tamanho do pé, ou pouca coisa maior. Se o sapato fosse maior que o pé provavelmente também não incomodaria. A questão é que o sapato é do tamanho do pé, e não há espaço dentro dele para nada além do próprio pé; nem para uma minúscula pedra.

Considerando o sapato como sendo nossos caminhos, e as pedras aqueles obstáculos que encontramos, por diversas vezes o que mais nos incomoda não são as coisas grandes, mas sim as pequenas. No filme "Ele não está tão a fim de você", por exemplo, ocorre uma situação de separação entre um casal porque o esposo esconde de sua cônjuge um velho hábito de fumar, e não porque ele a havia traído. Ela era capaz de perdoar uma traição, mas não o fato de ele esconder um hábito.

Da mesma forma, quando encontramos grandes obstáculos, damos importância a eles, bolamos formas de enfrentá-los, enfrentamos, nos dispomos ao esforço e vencemos; quando não os vencemos, ainda assim reconhecemos que perdemos para um grande obstáculo. Agora, os pequenos nos passam desapercebidos, são desprezados, são ignorados, são perigosamente deixados para depois, e estes são justamente os que por vezes nos derrubam, fazendo sofrer, nos irritando e roubando a paz. Estes podem ser da mais diversa natureza: palavras atravessadas, pessoas que nos irritam, diferenças de idéias, times rivais, simples gestos, um quadro torto, enfim, um leque infinito de opções. Precisamos urgentemente remover as pequenas pedras dos sapatos, ou então encontrarmos sapatos maiores. Se não fizermos um ou outro, vamos sofrer demasiadamente por coisas pequenas.

A boa notícia é: não há maior sensação de alívio em nossa caminhada do que uma pedra, a pequena pedra, retirada do sapato.

Samuel Bonette

domingo, 24 de abril de 2011

Tudo muda, até a muda.

Está chegando o inverno. Já começamos a tirar as roupas de frio do armário, surgem as primeiras temperaturas abaixo da casa dos 20 graus Celsius, surge aquela vontade de fazer um fogo numa lareira... até o chimarrão fica com mais gosto nesta época do ano. E com o inverno, também vem aquela preguiça natural, aquela vontade de ficar em casa, embaixo das cobertas, ou então abraçados no sofá, olhando TV. Espero que este frio me dê vontade de escrever mais, também. No início do ano me propus a escrever um texto por mês, e estou devendo a mim mesmo (e por tabela, a quem frequenta o espaço) um texto, de fevereiro.

Engraçado como as estações do ano nos influenciam do decorrer do tempo, nos colocando nesta ou naquela situação; o verão abre o ano, com todas expectativas, muitos planos, normalmente muita festa, dias intermináveis e ensolarados, aquele calor nos impelindo para a praia, piscina, ou mesmo rios e lagos, nos dando a ilusão de que o ano será só de conquistas e felicidades. Já no outono, é como se batesse uma ressaca do verão; as festas já não nos seduzem tanto, pois começam as aulas, o trabalho fica mais intenso, o frio vem descendo, os dias ficam mais curtos. O inverno nos enclausura dentro de pesados e grossos casacos, nos fazendo sorver líquidos e alimentos substancialmente quentes e calóricos, empurrando-nos para o aconchego de nosso lar. Quando chega a primavera, com seu aumento de temperatura, suas festivas datas coloridas, pressentimos que o verão está às portas, e isto nos empolga, nos levando a um novo ano, com todas as estações. Olhando assim, até parecemos plantas, regidos pela lei da natureza, estações da lua e variações de temperatura. Seja como for, assim somos, e assim agimos, ano após ano, estação após estação.


Engraçado, pois o assunto sobre o qual eu queria escrever era totalmente outro, mas fui impelido a este. Certas coisas são assim na vida, sem explicação aparente. Talvez se tivesse falado sobre o que queria inicialmente, não chegaria a este ponto ao qual estou chegando agora: A vida é como água parada, mas de repente cai uma pedra nesta água e movimenta tudo ao seu redor, mudando tudo totalmente de lugar. Quando estas coisas acontecem, sabemos quem somos e para onde vamos? E quando esta mudança é a própria morte? Estamos sempre preparados para esta imprevisível visita? Tu estás?

Samuel Bonette

domingo, 3 de abril de 2011


Morei três anos em Torres, uma cidade litorânea do RS. Adoro o mar. A foto ao lado foi tirada lá. Ela também é capa de fundo do blog. Uma vez estávamos em Torres, e minha mãe comentou como achava lindo e interessante que o mar sempre tivesse onda. Meu pai respondeu: "Ah, mas isso ele não desiste nunca!!" Muito engraçado, especialmente no momento, pela espontaneidade.


Mas, é interessante, o fato do mar não desistir nunca. Interessantíssimo, aliás. Claro que se pode afirmar que é meramente o vento soprando a água em direção à terra, e no momento em que a profundidade da água tornou-se exígua, a água se choca contra o fundo do oceano; mas isto não é o porque, isto é o como. Afora estes fatos, fato é que sempre há rebentação, portanto, ele não desiste nunca. Mas não é só o mar que se comporta assim. Thomas Edison, famoso inventor do que viveu entre 1847 e 1931, inventor com mais de mil invenções, entre elas a lâmpada elétrica, o cinetógrafo - primeira câmera cinematográfica de sucesso - fundador da General Eletric, era assim. Até conseguir criar a lâmpada elétrica, teve muitas tentativas frustradas. Sabe o que disse sobre elas? "Eu não falhei. Encontrei dez mil soluções que não davam certo. Grande persistente. Oscar, um dos maiores pontuadores do basquete mundial, de apelido "Mão Santa", sempre ressalta que, para chegar a esta patamar, teve de treinar muito. Reza a lenda que uma vez acertou 90 arremessos seguidos de três pontos, o arremesso de maior dificuldade do basquete. Assim como estes, há diversos exemplos de sucesso pela persistência.


Embora sempre existam dificuldades, para todos, a persistência deve ser maior. A disciplina nos impulsiona para a repetição, que evoca o esforço, que por sua vez traz consigo a habilidade, e este nos leva para o sucesso. Sucesso, como já falei anteriormente, é atingirmos aquilo a que nos propomos. Entretanto, durante todo este processo, é necessário persistência. Talvez seja chato acordar oito horas da manhã na segunda feira e ter de ir trabalhar, mas ninguém começa por cima. Se alguém está num lugar superior ao teu, é porque com certeza aquela pessoa fez mais do que tu em algum momento da vida dela. Isto não quer dizer que não podes chegar lá, mas sim que é necessário trilhar o caminho descrito no início deste parágrafo para chegar lá.


Então, sejamos sempre persistentes, sempre esforçados, sempre prontos a tentar mais uma vez, sempre aptos a desprezar o fracasso anterior e mais uma vez, persistentemente, começar a caminhada. Uma hora vai brilhar. Sempre o mar, sempre as ondas... ah, ele não desiste nunca.


Samuel Bonette

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

E a vida continua, e se renova

Há quanto tempo não vinha aqui... Já estava com saudades! Muita coisa mudou no Blogger, e fui surpreendido positivamente pelas mudanças. Os layouts podem ser alterados com mais possibilidades e facilidades; creio que o novo layout que apliquei melhora a visualização para os leitores.

Desde a minha última postagem, (que já faz bastante tempo, infelizmente) se passou quase um ano, e neste ano coisas aconteceram; algumas boas, outras más, outras indiferentes, outras tantas que passaram desapercebidas. Entramos em um novo ano, mas tal qual o início do ano passado, temos algumas catástrofes acontecendo ao redor do mundo, e também aqui no Brasil; muitas pessoas passando fome, muitas pessoas desabrigadas, muitas tristezas; por outro lado, vários casais que conheço estão prestes a serem pais, aumentando a alegria em muitos círculos de amizade próximos a mim, um clarinetista de 21 anos passou em primeiro lugar na UFPE sem nunca ter feito nenhum cursinho pré-vestibular, cientistas comprovaram que anticoncepcional não engorda, os chilenos foram salvos da mina, etc, etc, etc.

Alguns filósofos discutiam se a vida era cíclica ou linear. Independentemente disto, é fato que tenho me atraído cada vez mais por "fragmentos" de história. Costumeiramente pensamos nas histórias com início, meio e fim. No entanto, acho interessantíssimo como alguns fatos acontecem e mudam por demais a história de vida das pessoas. Pessoas que caminhavam em uma determinada direção de repente mudam completamente seus planos, suas vidas, suas histórias em consequência de um acontecimento. Por estes dias revi o filme "Náufrago", o qual relata a história de um amor que foi interrompido por uma fatalidade. Após sobreviver a um acidente de avião e viver mais de quatro anos isolado numa ilha deserta, o personagem principal (Tom Hanks) consegue retornar a tudo o que tinha antes, mas descobre que, apesar de serem as mesmas pessoas, tudo está diferente. Seu grande amor (Helen Hunt) agora está casada com outro homem, tem um filho, tem toda uma vida em função desta nova realidade.

Três momentos me marcam profundamente neste filme: o primeiro no qual a atriz Helen Hunt diz a Tom Hanks que sempre soube que ele estava vivo; o segundo, no qual os dois declaram continuarem se amando, e serem ambos o grande amor da vida do outro; e o terceiro, no qual Tom Hanks relata a um amigo que, nos quatro anos que se passaram, ela foi o motivo de se manter vivo, o combustível para todo seu esforço, foi o seu norte, a razão de viver, de tentar retornar, inclusive arriscando-se em alto mar com uma barcaça grosseira. Que profundidade de mistério! Não obstante estes fatos, pela forma como as coisas ocorreram, ambos optaram em seguir suas vidas separados, pois suas vidas tinham corrido tanto tempo assim que as diferenças eram irreparáveis.

E por diversas vezes a vida acontece assim, confundindo, dando reviravoltas, mudando o curso, costurando e desentrelaçando relacionamentos, transpondo fatos, enfim, virando tudo de cabeça para baixo. Mas o mais interessante nisto tudo é que ela continua, e é isso que temos que ter em mente. Olhando com a perspectiva de um futuro através do passado, vamos aprendendo, vamos melhorando, vamos vendo que é correto o que disse a Bíblia em Eclesiastes: Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Ec. 3.1

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sentimentos e sentimentos

Há diversos sentimentos negativos que nos assolam o coração e mente, tomando nossas vidas, chegando em momento em que menos esperamos, e persistindo em ficar ali, nos perseguindo, nos martelando, ferindo nossos sentimentos, nos afrontando, nos desafiando. Desde os mais primários e instintivos, como o medo, até os mais elaborados, como o atual e tão discutido bullying, todos eles vem acompanhados de outros maus sentimentos; frequentemente são a insegurança e insatisfação. E estes sentimentos, que nos vem visitar sem ser convidados, podem aparecer por coisas sem a menor relevância; uma palavra dita por um desconhecido, uma simples escolha que não se revela a melhor, um acontecimento inesperado que frustra um plano de uma viagem pré-agendada, etc. São muitas as possibilidades.
Um destes me tem incomodado, especialmente: Frustração. Oh sentimento ruim este. Sabe quando nos propomos a fazer algo e não conseguimos? Ou então quando buscamos muito alguma coisa, e ao chegar lá, sentimos que o resultado não era o esperado? Isso gera frustração. Este também traz consigo a insegurança e insatisfação. Não estou vivendo uma vida frustrada, mas tenho sentido frustração mais do que o normal. Agora mesmo estou me sentindo um pouco frustrado por escrever isto, pois não gosto de falar de coisas assim. Gosto de falar de amor, gosto de contar coisas engraçadas, gosto das coisas belas e boas da vida. Por exemplo: analisando este blog, que comecei em 2007, me senti um pouco frustrado por não poder escrever mais. O trabalho e a faculdade me tem tomado bastante tempo, e não posso atualizá-lo com a frequencia desejada. Isso me frustra. Me lembro de um episódio em que o Homer Simpson, em mais um de seus memoráveis discursos, diz para a Marge: Não consigo viver essa vidinha barata que você vive; quero os baixos aterrorizantes, os altos atordoantes, os médios insosos! Por vezes essa frase me dá uma dimensão da frustração que algumas pessoas sentem.
No entanto, mais importante do que estes maus sentimentos, é o que fazemos com eles. Tentar fugir é bobagem. Não há como se esconder dessas coisas. Se nos escondemos deles, concedemos tempo a eles para se alimentarem ainda mais, se fortalecerem, se aprimorarem, e nos atacarem mais ali adiante. Fingir que não existem é o que eles mais querem. Começamos a viver o lado A e lado B de nossas vidas. Enquanto estamos no lado A, fingimos que eles não existem, e eles estão ali, nos cutucando; quando viramos para o B, eles nos consomem.
A melhor alternativa que vejo é enfrentá-los. Confrontar os mesmos é achar seus motivos; é uma empatia consigo mesmo. Não é ser condolente consigo, o que levaria a consequências e sentimentos ainda piores, mas sim buscar e entender suas causas. Nada melhor para isso do que dialogar com alguém, especialmente alguém compreensivo. E sim, muita força para combater. A tristeza bate à porta? Já vivi muitos momentos alegres. A solidão me quer? Existem mais de 6 bilhões de pessoas no mundo. A insegurança me balança? Veja as minhas conquistas.
Afinal, a vida é feita de esforço, e é justamente o esforço que dá sabor especial às conquistas, que faz a nossa história se tornar épica. Como diz uma estrofe suprimida do hino do RS: sejamos gregos na glória, e na virtude, romanos.
Samuel Bonette

domingo, 21 de junho de 2009

Sucesso


Tenho uma séria tendência a sempre querer o melhor, em todas as coisas que tenho e faço. Não tenho como verificar se é real, mas tenho a impressão de que todo ser humano tem essa mesma tendência. Isso não é ruim, pois é uma demonstração que o indivíduo tem vontade de melhorar sua vida, e sempre buscar a excelência naquilo que fizer ou possuir. Para o padrão atual de sucesso, isso é sucesso.
Mas, paremos para analisar um pouco essa situação: é totalmente impossível que todos tenham, a todo tempo, o melhor. Se numa corrida, um corredor detiver o melhor tempo, por exemplo, os demais não o terão; se um determinado homem conseguir conquistar a mulher mais bela, os demais não conseguirão o mesmo feito. Podemos chegar próximo a isso graças à Revolução Industrial, que possibilitou que várias pessoas possuam um bem industrializado, com produção de cópias da matriz em larga escala, como por exemplo, um determinado sapato que é feito do melhor couro existente, com o melhor solado e o mais belo design. No entanto, sou levado a crer que, se várias pessoas possuem o melhor, então, ou ele não é o melhor, ou o melhor se tornou comum, vulgar.
Se todas as pessoas se dessem conta disso, provavelmente uma grande parcela da Humanidade entraria em profunda depressão, o que criaria um caos generalizado. É muito dura a perspectiva de viver uma vida toda sem jamais conseguir ser/ter o melhor; vivemos tempo de exaltada competição, onde se engrandece demasiadamente o vencedor, e se denigre os demais participantes; portanto, não se suporta a idéia de ser um eterno "perdedor". Por outro lado, os "vencedores", ou seja, aquela classe de pessoas que detivesse o melhor naquilo que fizesse/tivesse, por conta da natural tendência do ser humano em acostumar-se tanto ao ruim quanto ao bom, provavelmente se enfadaria de ter sempre o melhor, passando a considerá-lo normal.
Por isso, não raras vezes temos em nossas vidas, ao invés do melhor, o pior, para que quando chegarmos ao mediano, consideremos como grande vantagem as condições obtidas. Obviamente, em alcançando o melhor, ficaremos deveras satisfeitos e felizes. O verdadeiro sucesso é alcançar os objetivos a que nos propomos. Talvez eu nunca seja o melhor escritor do mundo, tampouco publique um livro, mas se algumas pessoas lerem esse blog e se sentirem reconfortadas, e com novo ânimo, e nova perspectiva, então estarei alcançando meu objetivo. Muitos se tornaram pessoas insuportáveis (e outras até com doenças mentais) porque lhes foram dadas coisas acima de sua capacidade, e perderam a noção da realidade, tornando-se arrogantes e prepotentes, pensando ser mais do que realmente são.
Não faço apologia ao comodismo, mas hoje fugimos de sofrimentos como um boi foge do matadouro, nos esquecendo que aquilo que realmente valorizamos é justamente o que mais nos custou esforços e sacrifícios. Hoje vivemos em condições muito melhores que nossos antepassados, entrentanto temos muitos mais problemas de ordem social porque não sabemos valorizar o que temos, tornando vazio tudo o que temos.O ar que respiramos, um dos bens mais preciosos para manutenção da vida, é gratuito.
Temos de repensar o nosso conceito de sucesso, e valorizar mais aquilo que temos; sucesso é atingir aqueles objetivos a que nos propomos.

Samuel Bonette

terça-feira, 21 de abril de 2009

É pelo princípio

Todos sabem que roubar um chiclete não faria mal a ninguém; o comerciante não ficaria mais pobre, nem o ladino mais rico. No entanto, ensinamos nossas crianças que não se deve roubar nem mesmo um chiclete, por um motivo somente: o princípio. Há um episódio dos Simpsons em que Homer se demite do seu emprego de inspetor da usina nuclear do Sr. Montgomery Burns. Passado algum tempo, pelo fato de sua esposa Marge engravidar, ele volta à usina nuclear para tentar reaver seu antigo emprego. Então, o Sr. Burns o faz ir agachado por um caminho humilhante até sua sala, e o obriga a trabalhar por algum tempo gratuitamente, ao que o Sr. Smithers se opõe, objetando que ele só estava voltando devido às suas dificuldades financeiras. Então o Sr. Burns diz a célebre frase: É pelo princípio.

Sim, essa causa primária, por vezes relegada a um papel secundário em nossos tempos, é o que deve nos nortear em nossas escolhas. Nossas escolhas são baseadas em princípios, embora por diversas vezes usamos princípios múltiplos - e por vezes contradizentes - para fazermos nossas escolhas. Frequentemente somos incoerentes, por não pensarmos nas implicações daquilo que adotamos como princípio. Não raras vezes eu vejo pessoas defenderem duas idéias totalmente contrárias em um pequeno espaço de tempo, devido à não consideração das implicações dos princípios utilizados para defenderem suas idéias; se uma pessoa defende a não-violência do direito à vida, por exemplo, ela deve defender esse direito para todas as pessoas, inclusive para aquelas que violam esse direito. Se a pessoa julga como errado roubar um milhão de reais, deve ser contra o roubo de um centavo, também. Se é contra a discriminação, não deve defender cotas para negros. Se não perdoa, não merece ser perdoada, e assim por diante.

Mas não gostamos disso; gostamos de condenar fortemente aqueles erros maiores, e, nos menores, fazemos vista grossa. Ou então, confundimos tudo e agimos incoerentemente, sendo ora relativistas, ora moralistas, ora utilitaristas, ora fundamentalistas. Parece ser mais fácil e conveniente dançar conforme a música, fazer aquilo que a opinião pública determina, ou aquilo que a mídia exalta. E a mídia é boa nisso: transformar o certo em ridículo, e o errado em fashion; uma emissora de TV, por exemplo, tem um jornal em que mostra as desgraças causadas por uma estrutura familiar fraca, e critica esse comportamento, mas antes e após esse mesmo jornal tem programações em que mostram filhos se rebelando contra pais, maridos traindo suas esposas, casais que fazem sexo livremente, etc. Mas qual é o posicionamento dessa emissora, afinal? É o posicionamento de dançar conforme a música, ao qual estamos aderindo, mesmo sem perceber.

Para ser coerente, é necessário adotar um princípio, e agir sempre dentro dele, seguindo suas consequências até o fim. Um belo princípio é esse: amar o teu próximo como a ti mesmo. Esse princípio foi proferido por Jesus, e Ele é o maior exemplo de comportamento coerente que já houve nesse mundo. Em tudo, Ele agiu segundo o seu princípio, inclusive quando corrigiu aqueles que amava, pois quem ama corrige, e um dos predicados do amor é a justiça, sendo que para ser justo, é necessário agir dentro de um mesmo princípio. Um bom princípio levará a um bom fim, da mesma forma que um mau princípio levará a um mau fim, ainda que talvez a longo prazo. Não é difícil ser coerente; por vezes, é doloroso, mas em momento algum é difícil. Agindo coerentemente, seremos respeitados; incoerentemente, seremos ridicularizados; amorosamente, seremos amados.

Samuel Bonette

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Auto-descobrimento

Como é bom descobrir coisas a respeito de si mesmo. Mesmo quando são dolorosas de se descobrir, mesmo quando o que vemos em nós mesmos é aquilo que jamais quereríamos admitir, é bom. Aliás, talvez seja melhor descobrirmos as coisas ruins, porque temos a chance de reconhecermos o que há de errado, e mudarmos.
Às vezes, percebemos nossos comportamentos nos observando, porém, a maioria das vezes percebemos nossos comportamentos quando somos confrontados por outras pessoas, por outros comportamentos, por outros hábitos. Não há uma forma definida para isso acontecer, simplesmente acontece.
Uma vez, um amigo meu me abraçou, sem motivo algum; eu fiquei meio sem saber o que fazer, e o indaguei: O que é isso? - ao que ele respondeu: Afeto, não conheces? Nesse momento eu percebi que não sou muito de demonstrar afeto, por mais que goste de uma pessoa. Frio? Talvez.
Mas para entendermos como somos, é também importante entender o tempo em que vivemos. Vivemos num tempo dominado pelo utilitarismo e pelo darwinismo como pressupostos básicos. O primeiro nos diz que tudo o que fizermos deverá ser regrado pela pergunta: É útil? Se for útil, então usa-se até o último pingo, até o momento em que não é mais útil, e então, será descartado. Isso impera desde os recursos naturais até os relacionamentos interpessoais, e com familiares. Já o segundo pressupõe que tudo veio do acaso; se tudo veio do acaso, então, não temos que nos preocupar com nada nem ninguém, pois não somos interligados de forma alguma, e não possuímos direito de escolha, pois tudo é obra do acaso. Se tudo é obra do acaso, ser quem somos, ter os pais que temos, e assim por diante, é nada mais que mera obra do acaso. Não temos de ter ligação afetiva com nada, pois tudo acontece por acaso. Não há sentido nem propósito para nada.
No entanto, é importante ressaltar que sim, todo ser humano tem um propósito. Todos temos um designer inteligente, que nos "projetou" para sermos exatamente como somos. Quando vemos uma bela pintura de Da Vinci, jamais pensamos que foi obra do acaso; reconhecemos que há um ser inteligente por trás daquela obra. De mesmo forma, quando vemos um ser humano, que em uma única célula do seu corpo possui mais informações do que qualquer computador, podemos, analogamente, saber que isso não foi obra do acaso.
Ainda sobre descobrir algo sobre si mesmo, descobri que, se fui "projetado", o Autor e Executor do "projeto" não vai me deixar desamparado. Como na foto acima, posso confiar que, mesmo sobre um equilíbrio aparentemente frágil, Ele está me guiando e conduzindo para o melhor. Isso vale tanto para mim quanto para ti. Como conseguir isso? Fala para Ele que tu queres que Ele seja Senhor da tua vida, e Ele entrará em contato contigo.
O melhor de Deus ainda está por vir.
Samuel Bonette

segunda-feira, 18 de agosto de 2008


Genialidade fugaz
Um brilho no olho
uma idéia percorre o córtex
Se disseminando rapidamente entre milhões de conexões neurais
ziguezagueando pelos hemisférios cerebrais.
Não mais que um segundo
pois a rotina retomou o controle
do cérebro rebelde
que insiste em pensar




Samuel Bonette

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Expressão

Engraçado como é a forma de expressão do ser humano. Às vezes conseguimos nos expressar tão bem, mas tão bem, que até pensamos em anotar o que falamos. Noutras, por mais que tentemos, com todo nosso vernáculo de palavras, não conseguimos demonstrar, traduzir em palavras, o que estamos sentindo.

Não raras vezes fico ouvindo a mesma música por duas ou três vezes consecutivas, pois ela traduz tão bem o que estou pensando no momento, que preciso ouvir ela mais de uma vez. Isso demonstra que a expressão é universal, pois conseguimos identificar sentimentos semelhantes em pessoas completamente distintas. Às vezes, essa epifania (quem assistiu o filme dos Simpsons sabe o que é uma epifania) acontece em lugares ou com coisas que nem imaginamos. Há um filme, por nome Penetras Bons de Bico, no qual, em certa parte do filme, o ator principal diz que, ao ver uma viúva chorando no velório do seu marido, ele percebeu que todos vamos perder as pessoas que amamos, em determinado momento da nossa vida. Isso me levou a pensar o quão pouco dizemos para as pessoas que amamos o quanto elas são importantes para nós. E foi surpreendente, pois um filme de comédia me impressionou, em dado momento, pela profundidade.

Há tempos eu tenho pensado em como tocamos o coração das pessoas. E mais, ao pensar sobre isso, me vem a imagem de uma mão tocando um coração, de fato. Se isso pudesse ser possível, imagino que causaria enorme sobressalto na pessoa tocada; então, retorno ao questionamento: tocamos o coração de quem nos cerca, de fato? E é positivo esse nosso toque?

Ainda sobre a expressão, é maravilhoso quando conseguimos encontrar grandes expressões de amor em pequenos gestos. Não espera um momento determinado para fazer um gesto de amor; faze tu, agora, a pessoa que tu mais amas se sentir especial!! Faz alguém feliz, e tu serás feliz!!

O maior gesto de amor já feito foi grandioso: uma pessoa deu a sua própria vida para que muitos pudessem salvar suas vidas. Quem? Jesus, o Cristo. Essa expressão de amor d'Ele ainda está viva, hoje, porque ainda há tempo para aceitar esse gesto, e ser salvo tu, e os teus amados. Como? "Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo."

Samuel Bonette

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Inquietude


Hoje estou inquieto. Não sei o que está me preocupando, mas o fato é que está me preocupando. Como posso conter essa inquietação? O que poderia estar ocorrendo entre o céu e a terra, para me causar tamanho desconforto?
Por vezes, parece que o mundo fica assim, mordido por um bicho estranho, e todos ficam sentindo a tensão no ar, desconfiados de tudo e de todos, esperando a hora em que algo mau vai acontecer.
E de fato, em breve, um grande evento vai acontecer. Não sei a hora, nem o dia, mas está iminente o Grande Evento final. Nota-se que estamos vivendo num mundo cada vez mais caótico. A teoria da Evolução se faz ruína, cada vez mais, quando é chocada contra a realidade, que demonstra um mundo que caminha em passos largos em direção à destruição.
Ainda outro dia estava refletindo sobre a mídia, e mais especificamente, sobre a TV, e a Rede Globo. Ora, está mais do que provado que famílias que têm uma estrutura forte formam sociedades fortes, onde a criminalidade tem baixos índices. No entanto, ligamos a TV e vemos apologia ao homossexualismo, que destrói uma família, pois uma família tem que ter, necessariamente, um homem, uma mulher, e filhos. Em seguida, vemos nos noticiários reportagens sensacionalistas sobre crimes horrendos que estão sendo cometidos. Se é sabido que a redução da criminalidade passa pela estruturação das famílias, porque se investe tanto para destruí-la? Além do mais, eu já tive o desprazer de ver uma psicóloga, exaltando uma pulada de cerca, em um programa matinal, dirigido para o público feminino, dizendo que isso é bom tanto para o homem, quanto para a mulher. Faça-me o favor!! Todos sabem que uma traição é algo extremamente doloroso e injusto, para ambos os lados.
Quando analiso esses fatos, mais me certifico que está próximo o Grande Evento, no qual um povo separado será extirpado dessa Terra, num acontecimento sem precedentes. " Naquele dia, quem estiver no telhado, tendo as suas alfaias em casa, não desça a tomá-las; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para trás. Qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á. Digo-vos que naquela noite estarão dois numa cama; um será tomado, e outro será deixado. Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada.
Dois estarão no campo; um será tomado, o outro será deixado. "
Mais do que nunca, o mundo está inquieto, como se estivesse somente esperando para que o Evento aconteça. O mundo se veste de inquietude, e busca aumentar a velocidade em todas as coisas que faz, pois estamos vivendo os últimos tempos.
No entanto, quem bebe da água que Cristo dá nunca terá sede; pelo contrário, a água que Ele dá se fará uma fonte de água que jorre para a vida eterna. Queres tu também beber da água da vida, e saciar a sede de eternidade? João 3:16 é o começo da resposta.
Samuel Bonette

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Galpão sentimental

"Quem guarda o que não presta tem quando precisa". Essa frase é antiga, e é usada toda vez que alguém quer justificar o fato de estar guardando alguma coisa que não está em totais condições de uso, mas também não está inutilizável, ou ainda pode servir para outros fins.
Bom, isso até pode ser verdade em alguns casos, mas empiricamente, se sabe que pessoas que seguem essa filosofia de vida acabam sempre ocupando suas casas, pátios, e todos os espaços possíveis com objetos velhos, sem serventia, esperando que, eventualmente, num futuro incerto, aquilo possa ser útil para algo.
O que eles não percebem é que, ao fazer isso, ficam se agarrando em coisas obsoletas, estragadas, enfim, cacarecos, e impedem a si mesmas de adquirir coisas novas. A necessidade faz com que as pessoas adquiram algo; porém, se tu tens algo velho, que ainda te serve, mesmo que aquilo funcione de maneira precária, tu acabas não comprando o novo, com a desculpa de ter aquele que "é velho, mas ainda presta", embora saiba que aquilo é precário.
Pior que isso, porém, são pessoas que fazem isso com seus corações. Como já dizia meu tio, há pessoas que são "galpão velho", pois só guardam o que não presta. Ou seja, guardam mágoas a vida inteira, às vezes até por atos que, quem as magoou, nem percebeu que tais atos as magoaram. Ficam presas àquelas mágoas, sem conseguir se libertar, sem conseguir viver novas coisas, sem conseguir ser feliz com as novas coisas.
Toda a vez que surge uma coisa nova que as pode fazer feliz, relembram de alguma velha mágoa, pois guardam muitas. Em vez de comemorar o que adquiriram, ou o que aconteceu, ficam remoendo as mágoas, tornando-se cada vez mais pessoas amarguradas e frustradas.
Porém, quando se libera o perdão, há uma sensação de alívio indiscritível; é como se tirasse uma tonelada das costas. É o primeiro passo para se tornar realmente feliz; carregar mágoas é o princípio da infelicidade. Liberar o perdão é difícil, pois demanda uma certa auto-negação. Tu tens de aceitar o que foi feito a ti, a ainda se despir de todo sentimento mau que aquela ação possa ter causado a ti.
O Cristianismo tem grandes exemplos de perdão. Para um cristão, perdoar é algo que deve ser feito a todo momento. Mais do que perdoar, Jesus ordenou que amássemos nosso inimigos (Mt. 5:44). Tiago também disse que o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia, e que a misericórdia triunfa sobre o juízo (Tg. 2:13). Portanto, se tu queres perdoar, e te livrares das mágoas, experimenta ser perdoado de todos os teus erros e falhas, através da aceitação do sacrifício de Cristo no Calvário. Quando experimentares o alívio de ser perdoado sem reservas, isso se tornará mais fácil para ti também.
Samuel Bonette

quarta-feira, 26 de março de 2008

Individualismo


Há um tempo atrás, ainda em 2007, eu estava fazendo a barba, antes de ir trabalhar, e me cortei. Como sempre vi meu pai fazer, peguei um pequeno pedaço de papel higiênico e coloquei sobre o pequeno corte, a fim de estancar o sangue. Pois bem; enquanto o sangue não estancava, fui até a cozinha comer alguma coisa, e também acertar os últimos detalhes antes de sair de casa. Ao realizar essas tarefas, esqueci-me de retirar o pequeno pedaço de papel higiênico do lugar onde se encontrava. Fui até o ponto de ônibus, peguei o ônibus, que me conduziu até o meu local de trabalho, e só percebi que ainda estava com o papel higiênico sobre o corte quando da minha chegada ao local de trabalho, mais precisamente, ao me olhar no espelho do elevador.
Fiquei um pouco constrangido pelo ocorrido, mas, especialmente, fiquei impressionado pela omissão das pessoas. Eu passei por muitas pessoas, desde a minha saída de casa até o meu local de trabalho, e nenhuma, nenhuma sequer me alertou sobre o pedaço de papel higiênico. Bom, ninguém é obrigado a me dizer nada, nem ao menos são obrigados a me olhar, assim como ninguém é culpado do meu esquecimento. Porém, todas elas simplesmente se negaram a fazer qualquer menção ao fato vexatório, limitando-se a me olhar, quando muito.
Isso me fez refletir o quanto a cultura do "não me meto na vida alheia" se infiltrou no nosso modo de vida, a tal ponto que nos negamos a ajudar uma pessoa. Isso passou da não-invasão da privacidade alheia à um total descaso com qualquer coisa que esteja ocorrendo com qualquer ser humano, especialmente aqueles que não conhecemos. Passamos da não-intromissão à omissão. Da mesma forma como ninguém me falou sobre o papel higiênico ali, ninguém se importa quando o seu semelhante é assaltado a poucos metros de si; ninguém se importa se um ser humano está passando fome; chegamos ao absurdo de termos pessoas que se preocupam mais com a vida animal do que a própria vida do ser humano, tratando ambas como sendo dignas de igual importância, sem saberem diferenciar entre uma barata, e um ser humano.
Enquanto diversas pessoas passam fome, morrem de frio, sofrem de doenças incuráveis, presenciamos um ato no qual milhares de pessoas ficam sem poder assistir um show pirotécnico por causa de um ninho de corujas. Animais sendo tratados como pessoas, e pessoas sendo tratadas como animais, sem direito às condições mínimas de dignidade humana.
Se nós nos importarmos mais com quem está ao nosso redor, se nós colocarmos os seres humanos como prioridade, e depois nos preocuparmos com os animais, com certeza estaremos criando um mundo justo para se viver. Essa é a vontade do Criador: que o ser humano tenha dignidade, e que cuide bem de todas as outras coisas que Ele criou.
Porém, para se ter dignidade, é necessário usar um padrão mais alto do que qualquer um que qualquer ser humano possa pensar, sendo individualmente, ou em grupo; é necessário usar o padrão de Alguém que nos criou, e nos amou, antes de existirmos: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" João 3:16.
Se tu concordas com isso, chegarás à conclusão de que o caminho para ser completo, para ser feliz,não está dentro do ser humano, mas sim, externo a Ele, em um Ser Superior.
Samuel Bonette

quinta-feira, 13 de março de 2008

Mudança de Vida


Ano Novo, Vida Nova. Quantas vezes nos pegamos falando essa frase, sem realmente pensarmos no real significado que essa tem na nossa vida, se a praticarmos, de fato?
Há um jargão que diz: Tu queres um resultado diferente? Faz algo diferente. No entanto, achamos que o momento da queima de fogos é mágico: dali por diante, tudo será diferente, morre todo o nosso histórico, a nossa personalidade, a nossa vida. O que foi, foi, e não vai ter nenhuma influência no nosso futuro.
Ledo engano. A não ser pelo fato de entrar um novo ano, 31 de dezembro é um dia como todos os outros. Não há a menor diferença; o sol não nasce no Sul,o Oceano não fica roxo, o céu não se torna uma projeção holográfica, e tu não te tornas alguém melhor. É impossível te tornares outra pessoa somente porque mudou o ano, até porque, quem mudou foi o ano, e não tu.
Porém, se há uma vontade de mudar, então que se comece do princípio. E o princípio é que tu és mau, e inclinado a fazer coisas más. Então, tu tens de mudar esse teu jeito de ser. Mesmo que contra a tua natureza, tu tens de te comportar de forma a amar teu semelhante como a ti mesmo, pois assim que as coisas começam a mudar; tratando o teu semelhante como tratas a ti mesmo, ele se sentirá na obrigação de te tratar do mesmo modo. Hoje há um individualismo muito grande, de forma que não conseguimos fazer nada, ou quase nada, que não seja em benefício próprio. No entanto, Jesus, uma pessoa amada por muitas aqui na Terra, desde que aqui esteve, deixou uma lição grandiosa sobre humildade: Ele, humano e Deus ao mesmo tempo, disse que veio para servir, e não para ser servido. Esse é um grande princípio expresso no livro O Monge e o Executivo, best-seller no mundo inteiro.
Enquanto a nossa concepção humana diz que temos de idolatrar outras pessoas, Deus, fazendo-se carne, veio para nos servir, e não para ser servido. Veio para nos amar, e não para ser amado por multidões. Justamente por ter esse perfil, é amado até hoje.
Aceita a proposição que tu és uma pessoa má, por natureza, chega a hora de mudar isso, e mudar a tua vida, consequentemente; faça como o exemplo citado acima; Vive a tua vida para amar, primeiramente, e serás amado. Vive a tua vida para servir, e serás servido.
- Mas como fazer isso, se o individualismo está tão arraigado na minha vida?? Fácil.
Entrega a tua vida para quem pode fazer isso: Jesus. Diga a ele, onde tu estás: Jesus, a minha vida está errada. Eu quero é mudar de vida realmente, ser uma nova pessoa, e seguir os teus passos. De hoje em diante, quero abandonar os meus erros, as minhas falhas, e ser uma pessoa nova, como Tu foste, e como Tu queres que eu seja. Eu entrego a ti a minha vida, e peço que entre nela, para mudar a minha história.
Pronto! Tu estás começando uma nova vida. Isso só não é o suficiente, embora seja um passo importante. Queres um "manual" para saber como agir? Lê a Bíblia. Lá, tu encontrarás as informações que precisas, para fazer algo diferente, e ter um resultado diferente.
Samuel Bonette

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Tatus-bola

Essa foto ao lado foi tirada há quase um ano. Bom, para quem não conhece, esse é um tatu-bola, bicho que parece estar em extinção. Bom, esse não é um fato científico, pelo que sei, pois não devem haver cientistas muito preocupados com o surgimento ou desaparecimento da população mundial de tatus-bola. Afora essas considerações sobre a cientificidade da existência dos tatus-bola, eu não tenho visto tatus-bola tão frequentemente, e quando me deparei com um espécime raro (pelo menos para mim), me vi obrigado a registrar o momento em uma fotografia.
É engraçado que eu não tenha mais visto tatus-bola. Talvez eles estejam reunidos em algum lugar do mundo aguardando o momento de tomar de assalto o planeta e instituir a Ordem Mundial dos Tatus-Bola; talvez estejam nesse lugar se reproduzindo a fim de garantir a sobrevivência da espécie; talvez eles estejam simplesmente camuflados em meio à poluição do mundo moderno, visto possuírem uma cor acinzentada. Mas o mais provável é que eles estão por aí, onde sempre estiveram, e eu não os tenha visto, por não reparar nos lugares onde eles normalmente estão, lugares escuros, úmidos, um pouco escondidos.
Não, eu não estou louco. Eu não acho que seja, de fato, importante saber onde estão os tatus-bola (muito embora não ache fútil); o meu interesse neles se dá porque eles foram algo importante na minha infância. Podem rir o quanto quiserem, mas assim como todos têm algo que foi importante na sua infância, os tatus-bola foram importantes na minha infância; ainda me lembro como era engraçado achar uma colônia de tatus-bola embaixo de um tronco ou de uma pedra, e ficar observando-os. Lembro que eles me pareciam miniaturas de fuscas, porém com pernas, e sem pára-brisas. Aliás, as pernas deles me chamavam a atenção sobremaneira, pela coloração e o modo do movimento. Não raras vezes eles se fechavam ao pegá-los. Após um tempo na palma da minha mão, eles suspeitavam que estava tudo tranquilo, e retornavam ao estado normal; aí eu fazia eles caminharem por longo tempo na minha mão, indo de uma palma para outra. Muito me diverti com os tatus-bola.
Bom; o mais importante não são os tatus-bola em si, mas sim, o significado que eles têm para mim. Eles representam um tempo de diversão constante, um tempo de falta de preocupações mais sérias do que as necessidades básicas. Mais que tudo, um tempo de inocência.
E, engraçado, assim como os tatus-bola estão sumindo, a Humanidade também está perdendo algumas coisas que são importantes. A simplicidade das pequenas coisas, que trazem muita felicidade, coisas que não se podem comprar, como confiança, amizade, uma reunião com os amigos, um bom churrasco, está desaparecendo. E mais: a gentileza com um desconhecido, a confiança no próximo, e, de uma forma geral, os atos das pessoas com relação às outras, que não são seus parentes ou conhecidos, estão sumindo, nos transformando em selvagens, em incivilizados.
Bom seria se achássemos, todos, os nossos "tatus-bola", e retornássemos à inocência das nossas infâncias, nos tornando, assim, criaturas melhores, seres humanos melhores.... mas como isso não está em nós, pelo menos por breve momentos podemos ser assim, quando encontramos nossos "tatus-bola".




Samuel Bonette

sábado, 18 de agosto de 2007

O destino certo

Ontem eu estava indo para a faculdade, e, como a maioria dos ônibus vai para o Centro, eu, distraidamente, peguei o primeiro que passou, sem observar se de fato ele ia mesmo até o Centro. Depois de um certo tempo somente que eu me lembrei que não havia observado o detalhe do destino do ônibus, e me vi numa dúvida cruel. Decidi por esperar para ver o que acontecia; se o ônibus desviasse da rota eu desceria do mesmo e pegaria outro ônibus. Para a minha sorte, o ônibus foi para o Centro.

Mais tarde, ao analisar o acontecido, deparei-me com uma síntese do que acontece muitas vezes em nossas vidas, e mais, como a vida de algumas pessoas é como a situação descrita acima. Quantas vezes nós começamos a fazer algo sem saber exatamente porque? Ou então, quantas vezes compramos idéias sem pensar seriamente sobre o impacto que elas terão nas nossas vidas? Não raras vezes nos vemos em situações nas quais não gostaríamos de estar. Não obstante, por pura inércia, nos mantemos em situações incômodas e que nos causam dúvidas por medo de mudarmos e experimentarmos coisas novas. Esperamos que aconteça algo bem ruim, ou que nos cause profundo desgosto porque é mais conveniente ficarmos onde estamos, sem fazer nenhum esforço, sem sermos desafiados.

Mudar sempre causou medo no ser humano. Mesmo que alguém nos prove, por A + B que tal ato é errado, ou que tal caminho nos levará a um lugar ruim, ou a uma desgraça, permanecemos com as mesmas atitudes porque a mudança nos causa medo. Preferimos continuar no caminho errado a mudar, porque a mudança significa uma "perda de controle". No entanto, quando conseguimos romper o medo de mudar, quando conseguimos "ver o invisível", notavelmente temos um progresso. Ao mudarmos, quebramos paradigmas e conhecemos novas realidades. Vimos que não é tão ruim assim uma mudança; pode ser algo extremamente positivo e um aprendizado profundo para a nossa vida.

Quando rompemos com nossas práticas, temos de reconhecer que não está em nossas mãos o poder sobre todas as coisas; quebramos o nosso orgulho e reconhecemos que há mais coisas do que imaginávamos, e que muitas coisas não podemos controlar, contrariando a idéia de que somos senhores sobre toda e qualquer situação. Diversas vezes em nossas vidas vemos todo e qualquer controle fugir de nossas mãos, inclusive o controle emocional; tudo aquilo que sabíamos e podíamos fazer ja foi feito, e mesmo assim de nada adiantou. Então, temos de entregar o nosso caminho a alguém. Uns entregam ao acaso; outros à incerteza, outros ao primeiro que lhes aparece pela frente. Eu, quando me vi num caminho sobre o qual eu não poderia decidir com propriedade, decidi entregar meu caminho a dois caras que sabem de todas as coisas, Pai e Filho, que deram o Seu Filho e a Sua Vida, respectivamente, por mim: Deus e Jesus Cristo. Entreguem suas vidas a Eles, e seguramente vocês vão se dar bem; mais: como eu cheguei com o ônibus, vocês chegarão ao destino certo.

Samuel Bonette

domingo, 5 de agosto de 2007

Auto Imagem

Descobri recentemente dois sites nos quais dá para fazer desenhos utilizando-se de traços pré-definidos, desenhados por desenhistas de desenhos muito famosos, o The Simpsons e South Park. Então dá para se fazer desenhos de si mesmo, com as opções disponíveis. Ali se pode externalizar a imagem que temos de nós mesmos, ainda que somente a imagem física. Porém, nós nos vemos de uma forma, e pensamos que todos nos vêem assim como nos vemos; no entanto, frequentemente as pessoas nos vêem de uma forma completamente diferente. E se assim é fisicamente, muito mais emocionalmente; e isso é um dilema, pois, afinal de contas: somos como nos vemos, ou somos como nos vêem?

A nossa tendência é pensarmos a respeito de nós mesmos como pessoas muito boas, com muitos atributos invejáveis, que só desejamos o bem a todos; e é claro, com alguns pequenos defeitos que não fazem mal a ninguém, afinal, como todos nós temos defeitos, devemos tolerar os defeitos dos outros. Ledo engano; afinal de contas, se fôssemos todos tão bondosos como imaginamos ser, porque haveria no mundo tantas pessoas magoadas com atitudes de outras? Porque haveria tantas intrigas e maldades sendo cometidas mundo afora? Porque há tanto desperdício de comida e tanta gente passando fome? Se somos, como gostamos de pensar, "98% do tempo bondosos e somente 2% do tempo maldosos", porque há tantos problemas no mundo originados pelo ser humano? Há, sem dúvida, uma disparidade entre aquilo que somos realmente e aquilo que pensamos ser. Talvez os nossos "2% de maldade" sejam mais fortes e mais marcantes que os "98% de bondade"; em se comprovando isso, implicaria num outro problema ainda maior, que seria descobrir o motivo de sermos assim, mas isso não cabe a mim, pelo menos não nesse momento, avaliar.

Por outro lado, não somos também monstros horríveis que algumas pessoas querem que sejamos. Não raramente converso com pessoas que, após algum tempo, revelam que tinham uma idéia bem diferente sobre mim. Isso se dá porque nunca esperamos ter um convívio real com uma pessoa; antes disso, já a julgamos pela aparência da mesma. Como fala, como se veste, enfim, tudo aquilo que é externa a ela. Não desprezo essas coisas, porque são alguns sinais que mostram como a pessoa é por dentro, porém, isso não é tudo! Muito pelo contrário, é apenas a ponta de um grande iceberg; o principal de uma pessoa é o que está dentro dela; se não fosse assim, o coração, a mente, os rins e tudo o mais estariam pendurados em nós; mas não; eles estão por dentro, o que é um indicativo sobre onde está o que é mais importante.

- Então, sr. Samuel Bonette, se o que somos de fato não é aquilo que as pessoas pensam sobre nós, não é aquilo que pensamos sobre nós mesmos, o que somos então?

E vou eu lá saber? Querem que eu explique algo que assombra a humanidade há séculos? O que eu tenho são algumas idéias, algumas pistas de por onde talvez seja o caminho. O primeiro passo: não se precipitar. O segundo: tentar compreender os motivos do outro. O terceiro: sabermos que nunca saberemos a real intenção do outro; nem tudo o que ele vai nos dizer é totalmente verdadeiro.

E, ainda assim, no fim das contas, não cabe mesmo a nós julgarmos uns aos outros, pois nunca faremos um julgamento 100% correto. Logo, estaremos cometendo injustiças, o que geraria uma nova onda de julgamentos, num ciclo vicioso.

O melhor, portanto, é o amor; "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros". Romanos 12:10.

Samuel Bonette


sábado, 5 de maio de 2007

Comprando o tempo



É interessante a forma como o ser humano lida com o tempo. Um ditado muito velho já disse: "Tempo é dinheiro". Se essa é uma verdade, não tenho o gabarito necessário para avaliar, mas duas coisas são certas: se tu estás perdendo tempo, tu estás perdendo dinheiro; e sempre que tu não estiveres ganhando dinheiro, com certeza tu estarás gastando dinheiro.
A primeira sentença se faz uma verdade na medida em que, se tu estiveres fazendo algo inútil, esse tempo ocupado para isso poderia ser destinado para um determinado serviço. Por exemplo: em vez de ficar em frente à uma TV, procurando algo de bom para ver (o que, no caso de TV aberta, é raro), eu poderia estar trabalhando em algo, ou então, lendo ou estudando, para adquirir conhecimentos que podem ser imediatamente ou nem tão imediatamente assim, úteis.
A segunda sentença se confirma da seguinte forma: usando ainda o exemplo anterior, ao ficar em frente à TV, eu estarei, no mínimo gastando energia, o que significa um gasto desnecessário. Para confirmar a minha tese, eu ainda posso usar outro exemplo: ao ir dar uma volta, estarei gastando, no mínimo, energia, que eu adquiro ao me alimentar, e a sola dos sapatos. E dinheiro, se os livros e as aulas de História não me mentiram, sempre foi uma preocupação do ser humano. O dinheiro se faz importante pelo poder que ele confere à quem o possui. Quem tem o dinheiro, pode quase tudo. Tudo o que estiver à venda, ele pode possuir: automóveis, imóveis, roupas, perfumes, jóias, calçados, terrenos, utensílios, móveis, enfim, uma série de coisas úteis e outras nem tão úteis assim, mas que conferem ao ser humano uma sensação de bem-estar e de conforto. Justamente por poder comprar muitas coisas, o dinheiro atrai os seres humanos; consequentemente, possuir muitos bens dá à qualquer ser humano um poder de atração, sedução e magnetismo muito grande. As pessoas se sentem atraídas por outras que possuem muito dinheiro. Como eu disse acima, o dinheiro pode quase tudo.
Há coisas que o dinheiro não pode comprar. A felicidade é um exemplo disso. Se fizermos uma pesquisa, e perguntássemos às pessoas: "O que tu gostarias de ser?" , provavelmente a grande maioria delas diria em primeiro lugar: "Ser feliz", e em segundo: "Ser rico". Como já disse Homer J. Simpson: "Você pode ter todo o dinheiro do mundo, mas há algo que jamais poderá comprar: um dinossauro!". É.. não queremos nenhum dinossauro, até porque dentro da ciência há forte controvérsia sobre a existência dos mesmos, e mesmo se eles existiram, de fato, e os quiséssemos, jamais poderíamos tê-los, por um simples fato: eles não existem; para tê-los teríamos de voltar no tempo, e essa é mais uma das coisas que o dinheiro não compra, e jamais poderá comprar.
O tempo não tem preço. Muito embora possamos manipulá-lo parcialmente, para que ele pareça passar mais rápido, ou então, para que alguém perca um determinado horário, não podemos mudar o que já passou. Podemos planejar o tempo futuro, e mesmo assim nem tudo sai conforme esperamos, pois as coisas que ainda não aconteceram estão por vir, quando acontecem se tornam presente, e rapidamente, passado. Desta forma, o tempo é cruel conosco. Ainda na relação tempo x dinheiro, eu me pergunto se é melhor termos tempo ou dinheiro. Normalmente, quando temos um não temos o outro. Os dois não conseguem coexistir por muito tempo.
Recentemente, assisti ao filme Click, com Adam Sandler, e confesso que o mesmo me deixou muito impressionado. Quem assistiu ao filme, sabe do que eu estou falando, e quem não assistiu, é uma ótima opção. O filme trata da relação entre tempo, família e trabalho. Na história, Michael Newman, que é interpretado por Adam Sandler, é um cara muito ocupado com o trabalho. O objetivo dele é subir na vida, para dar uma vida boa à família. Logicamente, para isso, ele prioriza muito o trabalho em detrimento da família. Certo dia, ele recebe um controle que tem um poder especial: controlar o tempo. Pode-se, com esse controle, voltar no tempo, e também avançá-lo, de acordo com a necessidade. Com as escolhas que ele faz, acaba perdendo a sua família e tudo mais o que lhe é importante, fazendo um caminho inverso àquele planejado por ele inicialmente. Usando esse exemplo (obviamente, uma ficção, mas que não é um absurdo) dá para se ter uma idéia do que é mais importante, no fim das contas.
Hoje em dia, as pessoas estão sem um senso do certo e errado; parece até que o certo é errado, e o errado, certo. Ninguém tem um limite: se dá importância extrema ao trabalho e ao dinheiro, e nenhuma importância a outras coisas tão importantes ao homem quanto o primeiro: o lazer, o amor, o carinho, o descanso. A Humanidade entrou num processo onde o tempo é realmente dinheiro, e tem de se ganhar dinheiro a qualquer custo. Não condeno a busca de riquezas, o trabalho, e o apreço pelo conforto, e outras facilidades que o dinheiro nos confere. A frase que diz: "O dinheiro é a raiz de todos os males" na minha opinião é errada. Muito pelo contrário, acho importante e dignificante ter um trabalho e buscar sempre evoluir financeiramente; eu mesmo busco isso. Eu estou estudando, trabalho e quero ter mais na vida. Já me surpreendi muitas vezes falando: "Querendo ou não, tudo gira em torno de grana", o que não é necessariamente uma verdade. Se isso satisfizesse, se isso nos fizesse sentirmos felizes e completos, não haveria tantas pessoas ricas se suicidando, matando seus pais e cônjuges.
Por outro lado, tenho visto muitas pessoas que trabalham duro, ganham pouquíssimo, e ainda assim são muito felizes, deitam em suas camas e dormem sem problemas algum. Em uma época em que o tempo está se tornando mais importante do que o dinheiro, a melhor utilização possível desse bem se torna algo imprescindível para qualquer humano. Temos de saber administrá-lo para que não venhamos a perder a noção que, para um tanto de horas trabalhadas, temos de ter um tempo de descanso, a fim de rendermos o máximo possível quando chegar a hora de trabalharmos novamente. Como as duas coisas são deveras importantes, e uma complementa a outra, logo se verá que não há como ir nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Há que se achar o equilíbrio entre as duas coisas, e, resolvido esse problema, ainda temos pela frente a busca pela felicidade, que não reside no próprio ser humano.
Samuel Bonette