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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Essência da Arte

Essência, Arte, música, pintura, gênio - www.samuelbonette.blogspot.com
Música é arte. Interpretação é arte. Pintura é arte. Arte é uma coisa um tanto quanto subjetiva, nem sempre se submetendo a um padrão estético específico ou aos anseios dos espectadores e as vezes do próprio artista. Depende de inspiração, e de transpiração.  Tenho um particular apreço por música, e também, por característica adquirida ao longo da vida, um observador. É engraçado como a música me agrada multiformemente. Gosto de músicas gauchescas, daquelas só com voz e violão, como também gosto de músicas pop, rock, música clássica, e muitos outros estilos. Assim entendo que gosto da música enquanto arte.

Escrever também é arte. É retirar fragmentos do cotidiano e expandi-los numa história épica, e noutro momento expor em uma pequena frase conhecimentos adquiridos ao longo da vida. É um exercício de procura diária, nos entrelaces dos acontecimentos que nos cercam, o novo, o divertido, o agradável, a crítica, o embate, os relacionamentos e transformá-los em histórias para os outros entes humanos.

É se dar conta, por exemplo, da grande desproporcionalidade existente entre homens e mulheres na população transeunte no Centro de Porto Alegre e discorrer sobre o assunto; é notar como as pessoas estão cada vez mais absortas em seus celulares, Ipad’s e tablet’s e cada vez menos prestam atenção no que acontece ao seu redor; claro que estou trazendo estes assuntos a baila porque notei nelas hoje enquanto transitava na rua, e sobre estes refleti brevemente, imaginando que seriam bons assuntos para se escrever.

Esta semana ainda proferi o seguinte comentário: Tempo: quanto menos tenho, mais coisas faço. Fazendo leitura reversa - Tempo: quanto mais tenho, menos coisas faço. E é verdade; estou a semana toda pensando que tenho que escrever um texto para postar aqui, e mesmo tendo a ideia central, até agora não escrevi absolutamente nada do que havia pensado. Não vai ser agora que vou começar, também.

Mas, como disse de início, escrever é arte, e a arte não se submete a padrões estéticos. Que o diga alguém, que postou no Facebook o seguinte: - A vida ainda tem muito a me encinar – ao que redargui: - Principalmente escrever.

Samuel Bonette

segunda-feira, 25 de junho de 2012

As coisas como são e como deveriam ser

As coisas como são e como deveriam ser - www.samuelbonette.blogspot.com
Existe uma diferença entre ilegal e imoral. Uma importante diferença, pois o ilegal é aquilo que age contra a legislação positivada, ao passo que o imoral é aquilo que obsta ao conjunto de normas e regras definidas socialmente como corretas. As vezes as opções da vida não são sobre coisas ilegais ou legais, mas sim sobre coisas morais ou imorais. Lembro que ao longo do meu curso de Administração, por algumas vezes, os professores nos incitaram a responder algumas perguntas que, se não eram capciosas, eram no mínimo desafiadoras, pois lidavam com questões morais.

Em sala de aula, um deles propôs o seguinte desafio: se, numa situação qualquer, sabendo que, ao condenarmos o culpado por um crime, automaticamente outra pessoa totalmente inocente seria obrigada a cumprir pena por aquele crime, optaríamos por condenar a pessoa culpada em detrimento da inocente ou por livrar ambas, para que a inocente não fosse injustiçada? A maioria optou pela segunda opção, pois presumiram que a culpada tornaria a cometer crimes e seria apanhada, resultando assim em posterior condenação, ao passo que a inocente seguiria sua vida normalmente.

Outra feita, após uma série de argumentos de um professor, inquiri o mesmo sobre o que considerava como sendo essência do homem: bondade ou maldade, uma vez que, partindo deste pressuposto, podemos melhor entender os julgamentos de alguém. Após uma resposta evasiva, tornei a carga forçando um posicionamento do mesmo. Respondeu então que considerava o homem como uma pizza: inicialmente era só a massa, e ao longo do tempo ia colocando-se os temperos (maldades ou bondades), efetivando-se assim o resultado final.

Entretanto, o mais marcante para mim foi uma série de questões (cinco, se não me engano) cujas opções de resposta dadas eram, notadamente (pelo menos para mim), divididas em opção moralmente correta, opção moralmente incorreta e opção “em cima do muro”. Descontada a conhecida irreverência deste professor, ao final da proposição das questões, aduziu que: aqueles que optaram, em maior número, pelas opções “em cima do muro”, poderiam, com alguma sorte, de dar bem na vida; os que optaram pelas opções moralmente incorretas entendiam como a vida funcionava e tinham grandessíssimas chances de obterem sucesso na vida, com uma chance de eventual percalço; já os que optaram pelas opções moralmente corretas eram loucos e viviam num mundo paralelo.

Recordo que pedi a palavra e, antes de mais nada, esclareci que eu era um dos loucos que vivia num mundo paralelo, isto porque a minhas opções tinham sido em maioria absoluta pelas respostas moralmente corretas. Então discorri que a vida se divide entre como as coisas são, e como deveriam ser. Como as coisas são é o caminho mais fácil e muitos andam por ele, mas como as coisas  deveriam ser é o caminho mais belo e recompensador a longo prazo, devendo ser sempre o caminho a ser escolhido.

 Somos seres feitos a imagem e semelhança de Deus, a bondade e demais virtudes devem ser buscadas e realizadas, e destes anseios derivam os padrões morais que levam o ser humano adiante. Ao optarmos pelos caminhos moralmente corretos, satisfazemos nossa vontade do correto e fazemos também a vontade de Deus.

Samuel Bonette

quinta-feira, 21 de junho de 2012

É das palavras que eu gosto mais


É das palavras que eu gosto mais - www.samuelbonette.blogspot.com
Tenho gosto pelas palavras. Sequência de letras que, combinadas de uma determinada forma, representam algo. Palavras longas, palavras curtas, palavras dúbias, palavras austeras, palavras decomponíveis, palavras que não terminam mais.

Palavras tais como oitiva: é uma mistura de oitava com altiva e que tem a função de me fazer escutar, simplesmente; palavras como cognição, o encontro de um cogumelo com a ignição; ou então hermenêutica, a herança que Hermes deixou na região Êutica.  O mau, vulgo mal, o bem, vulgo benhê, a premeditação, o oportunismo, a panaceia e a zoofilia, bucólico e fleumático, o altruísmo junto da conjunção, palavras que causam sensações e impressões .

As palavras dão ainda o poder da colocação, o poder de gerar e refutar sentimentos, mudar e reinventar situações, esclarecer e confundir, ao sabor do momento. Por vezes é interessante dar a entender sem pronunciar nenhuma palavra literal; em outros momentos, o interessante é dizer com todas as letras aquelas palavras que ninguém vai entender tampouco inquirir sobre seu significado, com medo de parecer insciente. Alguém disse que informação é poder, e saber uma palavra que outros desconhecem é informação, logo, poder.

O jogo de palavras, a argumentação e o contra-arrazoamento, a construção frásica são somente alguns dos prazeres que as palavras podem gerar. As próprias frases são poesia, sujeitas ao proeminente poeta, instrumentos para quem as usa, e por vezes armas para quem as manuseia. Olavo Bilac, com sua famosa definição da língua portuguesa, “a última flor do Lácio, inculta e bela”, fazia referência as pessoas que falam incorretamente e nem assim conseguem roubar a beleza da língua.

De fato, gosto muito das palavras. Através delas expresso meus anseios e sentimentos. Vivam as palavras em minha boca.

Samuel Bonette

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Como se fosse a última

Como se fosse a última - www.samuelbonette.blogspot.com
Lembro-me de uma crônica, de Fernando Sabino, entitulada “A última crônica”. Li a mesma quando tinha 11 ou 12 anos, mais ou menos, e dela nunca mais me esqueci. Creio que pude compreender tão bem o sentimento do autor que me apoderei dele, e também persigo esta última crônica. Não sei se ele escreveu outras após esta, mas para mim, esta sempre será a derradeira.

Para mim, sempre que escrevo, gostaria de poder transmitir a intensidade e a leveza de uma última crônica. Entretanto, seguindo um conselho de meu amigo Raginho, procuro não escrever mais do que uma página. Difícil, devo admitir. Entretanto, para mim torna-se um excelente exercício de auto-controle.

Aliás, acho engraçada a forma como lido com meus sentimentos. Já fui chamado de androide, porque, segundo a definição dada pela pessoa, eu tenho sentimentos, mas não consigo expressá-los. Creio que por vezes me falta isto mesmo. Talvez meu auto-controle seja mais aguçado para meus sentimentos do que para meu gosto por escrever, ou simplesmente escrever seja minha forma de extravasar. Não sei.

Ainda há pouco olhava um filme, por nome O Aprendiz, no qual um general nazista, após esconder-se por muitos anos, é descoberto por um jovem que desenvolve um relacionamento com ele. Aos poucos as lembranças vão despertando sentimentos há muito tempo escondidos, sentimentos estes que vão causando um certo descontrole emocional. Em um momento do filme, ele adverte: estás brincando com fogo, rapaz.

Isto acende um alerta no que diz respeito ao que alimentamos ou afastamos de nós. Como diria Thomas Hobbes, o homem é lobo do homem. Na medida que vamos atrás de informação sobre determinado assunto, procurando, buscando aquilo, evidenciamos o assunto e as consequências destes atos em nossas vidas, seja a glória ou a ruína que aquilo nos traz.

Sabem o que mais? Relendo este texto, fico com um gosto de quero mais; fico com um sentimento de que poderia sobejar ainda mais estes assuntos. Entretanto, em um determinado momento da minha vida entendi que não podemos e não devemos querer saber tudo na vida, pois isto implica em certas responsabilidades e numa perda pelo gosto que o desconhecido nos traz.

Samuel Bonette

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Percepções x fatos x percepções


percepções, sentimentos, fatos, vida, relacionamentos - www.samuelbonette.blogspot.com.br
Há quanto tempo não vinha aqui... Lembro que no início de 2011 prometi a mim mesmo que postaria no mínimo um texto por mês, mas não consegui. Entretanto, melhorei com relação a mim mesmo nos anos anteriores, pois postei 7 textos em 2007, 6 em 2008, 3 em 2009, 1 em 2010, e ano passado postei novamente 6. Meu desafio é escrever no mínimo 7 este ano novamente, mas não sei se conseguirei; mas a vida é assim, o objetivo dos desafios é justamente nos tirar da inércia ou zona de conforto, e nada melhor do que começar isto num dia em que talvez o que eu faça de mais produtivo seja justamente escrever aqui no blog. Feriado de sexta-feira santa mais preguiçosa que esta estou para ver.
Desde meu primeiro texto, em fevereiro de 2007, já se passaram 5 anos. Algumas coisas mudaram muito na minha vida, outras nem tanto. Lembrava que em agosto de 2007 escrevi um texto chamado Auto Imagem falando sobre as percepções que as pessoas tem de nós em contraste com as percepções que temos de nós mesmos. Hoje reli o texto e pude perceber que o tempo clareia algumas coisas em nós. Ainda não tenho capacidade de estressar totalmente o assunto, mas creio que posso lançar alguma luz sobre o assunto, ainda que não com o mesmo viés.
Passado o tempo, e tendo aprendido uma pequenina parcela a mais, vejo que as percepções das pessoas são baseadas no que deixamos transparecer. Desta forma, podemos condicionar o comportamento das pessoas para que suas percepções sejam exatamente aquilo que queremos que percebam.
Exemplo: posso até não ser mal-humorado, mas se, toda vez que alguém vier falar comigo, eu transparecer mau-humor ou simplesmente não transparecer bom-humor posso condicionar a percepção daquela pessoa e até seu comportamento com relação a mim mesmo; posso, por exemplo, evitar que venha me convidar para um amigo secreto porque ela vai achar que eu não vou querer participar ou porque ela não vai querer alguém mau-humorado em sua festa.
Por outro lado, psicopatas são frequentemente descritos como pessoas simpáticas, cativantes, com magnetismo, carismáticas e outros atributos invejáveis. Porém, usam todos estes atributos justamente para manipular as pessoas e esconder suas psicopatias e crimes. Recentemente um documentário da National Geographic demonstrou como funcionam os shows de “mágica”, que na verdade são puro ilusionismo, uma vez que o cérebro humano não consegue direcionar sua atenção para duas coisas ao mesmo tempo, conforme comprovaram.
Assim, mulheres maquiam-se para chamar a atenção para seus olhos ou boca, usam roupas provocantes para trazer a atenção para seu corpo ao mesmo tempo em que desviam a atenção de suas eventuais fragilidades ou sua capacidade intelectual; homens gabam-se de beber muito para anular a atenção sobre seus medos e frustrações amorosas; crianças causam problemas para chamar a atenção para si ao invés de outras coisas que preocupam os pais; adolescentes mentem porque é vexatório ainda não ter beijado, e assim sucessivamente.
Hoje vejo que pessoas frequentemente tentam condicionar o comportamento das outras para que ajam exatamente como querem. Entretanto, certa vez um homem ao ser extremamente vilipendiado por outro, disse: Por mais que tu me trates mal, sempre vou tratar-te bem, pois o meu bom comportamento não vai alterar-se pelo teu mau comportamento.
Está aberta a temporada de textos. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os melhores discursos de toda minha vida

Os melhores discursos de toda minha vida - www.samuelbonette.blogspot.com
De fato, meus melhores discursos jamais foram proferidos. Os mais eloquentes, comoventes, enriquecedores e questionadores argumentos jamais saíram do meu pensamento, em razão do hábito de ficar imaginando o que responder, quando me falam alguma coisa. 



Ainda hoje pedi ajuda a uma pessoa e esta se mostrou reticente em me ajudar. Perguntou: 




- Se eu não for vai fazer falta? Tenho mesmo que ir? 




Nada respondi. Absolutamente nada. Mas em minha mente formulei um discurso arrebatador! Ele começava da seguinte forma: 




- A pergunta não é esta. A pergunta que tu tens a fazer a si mesmo é: Eu quero ir? Porque sem vontade não fazemos nada. E mesmo a pior tarefa se torna algo pequeno e irrisório quando temos gana de fazer aquilo.




Contudo,  enquanto formulava este discurso me ocorreu que muitas vezes dizemos sim quando queremos dizer não, e outras dizemos não quando queríamos dizer sim. São situações que nos ocorrem por conta das peças que a vida nos prega, quando empenhamos nossa palavra ou atitudes com pares que formamos. Por vezes, numa aliança, optamos por fazer aquilo que não desejamos, abrindo mão de nossos próprios interessem em favor de outrem. É como naquela situação em que uma pessoa vai cuidar de seu tio que lhe humilhou e menosprezou a vida toda, mas que agora, em sua velhice, não tem ninguém para cuidar dele.




Nobres pessoas, com apuradíssimo senso de dever e amor. Pessoas de profunda e complexa composição, donos de sentimentos e desdobramentos insondáveis e não conhecíveis. Destes quero me manter próximos. Não quero estar próximos a pessoas fúteis que consigo identificar seus cerceamentos em apenas cinco minutos de conversa. 




De fato, sempre guardarei meus melhores discursos. Mesmo pérolas nada valem se lançadas aos porcos.




Samuel Bonette

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Está ruim? Pode piorar...

Bom, ruim, melhor, pior - www.samuelbonette.blogspot.com
O ruim nem sempre é o pior. Constatação óbvia, podem até dizer alguns, mas nem sempre é tão óbvia. Ruim é, por definição, algo desagradável, mau, que não presta. Pior é aquilo que de mais desagradável poderia ocorrer. Dentre todas as opções, a mais infame, insensata, imprudente ou desacertada. Obviamente que sempre tentamos acertar, mas por diversas vezes acabamos piorando tudo. Temos vários exemplos nos quais foram feitas mudanças, a título de melhoria, mas estas vieram a causar ainda mais transtornos do que havia anteriormente.

Um exemplo rápido: o pão francês, vulgo cacetinho, era vendido no país inteiro por unidade. Alguns lugares cobravam R$ 0,20, outros R$0,15, outros R$ 0,30, e os mais baratos cobravam R$ 0,10. Tempo bom, não? Não era isto o que pensavam os legisladores brasileiros: fizeram uma lei determinando que todos os estabelecimentos comerciais passassem a vender o referido pão a quilo, alegando que os valores praticados eram incoerentes, uma vez que cada lugar fazia o pão com tamanho conforme achasse melhor. Resultado: hoje compramos pão por R$ 0,40, R$ 0,50, R$ 0,45, e os mais baratos por R$ 0,30 (bastando para isto dividir o valor total pelo número de unidades). Um verdadeiro absurdo, uma triste realidade, um real exemplo do que mencionei acima: o ruim nem sempre é o pior.

Estas situações ocorrem normalmente quando não conhecemos a essência, somente o procedimento. Não sabemos por qual motivo isto é feito assim e por qual motivo aquilo é feito de outra forma; quando temos ciência somente das relações entre causa e efeito, mas desconhecemos o que ocorre entre uma ponta e outra, entre o input e o output. No momento em que somos questionados e não sabemos porque fazemos, passamos a ser questionadores também, e a tendência é abandonar o comportamento. Exatamente neste ponto é que mora o perigo, pois algo aparentemente pequeno ou insignificante pode mudar o rumo de toda uma vida, as convicções, comportamentos e até destinos. 



Quando desconhecemos a essência, estamos sempre sujeitos o ser pegos de surpresa pelos questionamentos da vida e ficarmos sem respostas. O trem da vida não para porque tem alguém perdido no meio dos trilhos. Outro comportamento comum nestes casos é se apegar a regras; comumente, quando esta surgiu, foi por que chegou-se à conclusão que determinado procedimento era o mais eficaz para atingir determinado resultado; entretanto, com o tempo, o conhecimento vira mero treinamento, e o procedimento, que deveria ser um meio, torna-se o fim, virando assim alvo de imutabilidade adquirida. O foco recai sobre o procedimento, e não sobre o objetivo final, esvaziando de sentido e engessando desnecessariamente as coisas.



Portanto, sempre que levantamos um questionamento devemos ser tão sinceros quanto for possível, pois além de gerar até alguma desorientação no questionado, podemos também levar a uma mudança de comportamento que tornará tudo ainda mais caótico do que já é. Devemos questionar sim, para que tenhamos a chance de melhorar, mas evitar a questão leviana e infundada, e especialmente ter muito cuidado ao tomar qualquer decisão, pois delas partem os caminhos da vida.



Samuel Bonette

domingo, 8 de maio de 2011

Aquela pedrinha no sapato...

Pedra, sapato, perspectivas, vida - www.samuelbonette.blogspot.com


Existe uma expressão chamada "pedra no sapato". Normalmente se refere a alguma coisa que impõe dificuldades a outrem. É uma expressão bastante utilizada, especialmente quando em competições. "Fulano é a pedra no sapato do Sicrano" - normalmente é a frase proferida. 

E, de fato, uma pedra no sapato incomoda. Fica aquela situação de desconforto ou irritação intermitente, dói quando pisa, incomoda quando o pé está no ar, é uma sensação horrível. Me lembro até de uma vez na qual um empregado de meu pai relatou que seu pequeno filho estava reclamando de algo dentro de seu tênis, e quando foram ver, era uma aranha que estava dentro do tênis, que por sorte não conseguia se virar para picar seu filho. Evidentemente que uma pedra no sapato é uma situação bem menos perigosa, mas não menos preocupante.

Todavia, o que mais me chama a atenção não é o fato da pedra incomodar tanto, mas sim o tamanho desta pedra. A pedra do sapato normalmente tem um tamanho pequeno. Fora do sapato ela é totalmente inofensiva; não se poderia atirá-la em alguém ou animal, em auto-defesa, pois não surtiria efeito; não se poderia atirar a pedra num pássaro ou ave qualquer, num momento de necessidade, para matar e comer a ave, pois não a abateria. A pedra é pequena demais, tão pequena que mesmo seu peso não seria suficiente para esmagar uma formiga. Não se pode fazer absolutamente nada com esta pedra, a não ser desprezá-la. A pedra no sapato é algo insignificante enquanto pedra.



Porém, esta mesma pedra dentro do sapato incomoda demais. Isto me leva a concluir que, por ser insignificante fora do sapato, desprezamos-na, quando deveríamos entender que ela se torna incomodativa dentro do sapato justamente porque a desprezamos fora dele. Se fosse uma pedra de tamanho considerável, ao vermos a mesma dentro do sapato, imediatamente a retiraríamos, pois com certeza nem seríamos capazes de calçar o sapato. 



Entretanto, por seu pequeno tamanho, nem mesmo a notamos, e se vemos, desprezamos-na. É interessante como algo tão pequeno pode se tornar tão grande. A segunda conclusão que tiro é que a pedra incomoda porque o sapato é do tamanho do pé, ou pouca coisa maior. Se o sapato fosse maior que o pé provavelmente também não incomodaria. A questão é que o sapato é do tamanho do pé, e não há espaço dentro dele para nada além do próprio pé; nem para uma minúscula pedra.

Considerando o sapato como sendo nossos caminhos, e as pedras aqueles obstáculos que encontramos, por diversas vezes o que mais nos incomoda não são as coisas grandes, mas sim as pequenas. No filme "Ele não está tão a fim de você", por exemplo, ocorre uma situação de separação entre um casal porque o esposo esconde de sua cônjuge um velho hábito de fumar, e não porque ele a havia traído. Ela era capaz de perdoar uma traição, mas não o fato de ele esconder um hábito.

Da mesma forma, quando encontramos grandes obstáculos, damos importância a eles, bolamos formas de enfrentá-los, enfrentamos, nos dispomos ao esforço e vencemos; quando não os vencemos, ainda assim reconhecemos que perdemos para um grande obstáculo. Agora, os pequenos nos passam desapercebidos, são desprezados, são ignorados, são perigosamente deixados para depois, e estes são justamente os que por vezes nos derrubam, fazendo sofrer, nos irritando e roubando a paz. 

Estes podem ser da mais diversa natureza: palavras atravessadas, pessoas que nos irritam, diferenças de idéias, times rivais, simples gestos, um quadro torto, enfim, um leque infinito de opções. Precisamos urgentemente remover as pequenas pedras dos sapatos, ou então encontrarmos sapatos maiores. Se não fizermos um ou outro, vamos sofrer demasiadamente por coisas pequenas.

A boa notícia é: não há maior sensação de alívio em nossa caminhada do que uma pedra, a pequena pedra, retirada do sapato.

Samuel Bonette

domingo, 24 de abril de 2011

Mudança de quatro estações

Mudança de quatro estações - www.samuelbonette.blogspot.com
Está chegando o inverno. Já começamos a tirar as roupas de frio do armário, surgem as primeiras temperaturas abaixo da casa dos 20 graus Celsius, surge aquela vontade de fazer um fogo numa lareira... até o chimarrão fica com mais gosto nesta época do ano. 


E com o inverno, também vem aquela preguiça natural, aquela vontade de ficar em casa, embaixo das cobertas, ou então abraçados no sofá, olhando TV. Espero que este frio me dê vontade de escrever mais, também. No início do ano me propus a escrever um texto por mês, e estou devendo a mim mesmo (e por tabela, a quem frequenta o espaço) um texto, de fevereiro. 


Engraçado como as estações do ano nos influenciam do decorrer do tempo, nos colocando nesta ou naquela situação; o verão abre o ano, com todas expectativas, muitos planos, normalmente muita festa, dias intermináveis e ensolarados, aquele calor nos impelindo para a praia, piscina, ou mesmo rios e lagos, nos dando a ilusão de que o ano será só de conquistas e felicidades. Já no outono, é como se batesse uma ressaca do verão; as festas já não nos seduzem tanto, pois começam as aulas, o trabalho fica mais intenso, o frio vem descendo, os dias ficam mais curtos. 


O inverno nos enclausura dentro de pesados e grossos casacos, nos fazendo sorver líquidos e alimentos substancialmente quentes e calóricos, empurrando-nos para o aconchego de nosso lar. Quando chega a primavera, com seu aumento de temperatura, suas festivas datas coloridas, pressentimos que o verão está às portas, e isto nos empolga, nos levando a um novo ano, com todas as estações. Olhando assim, até parecemos plantas, regidos pela lei da natureza, estações da lua e variações de temperatura. Seja como for, assim somos, e assim agimos, ano após ano, estação após estação.


Engraçado, pois o assunto sobre o qual eu queria escrever era totalmente outro, mas fui impelido a este. Certas coisas são assim na vida, sem explicação aparente. Talvez se tivesse falado sobre o que queria inicialmente, não chegaria a este ponto ao qual estou chegando agora: A vida é como água parada, mas de repente cai uma pedra nesta água e movimenta tudo ao seu redor, mudando tudo totalmente de lugar. Quando estas coisas acontecem, sabemos quem somos e para onde vamos? E quando esta mudança é a própria morte? Estamos sempre preparados para esta imprevisível visita? Tu estás?


Samuel Bonette

domingo, 3 de abril de 2011

Mar alto da paixão

Mar, paixão, Djavan, persistência - www.samuelbonette.blogspot.com
Morei três anos em Torres, uma cidade litorânea do RS. Adoro o mar. A foto ao lado foi tirada lá. Ela também é capa de fundo do blog. Uma vez estávamos em Torres, e minha mãe comentou como achava lindo e interessante que o mar sempre tivesse onda. Meu pai respondeu: "Ah, mas isso ele não desiste nunca!!" Muito engraçado, especialmente no momento, pela espontaneidade. Mas, é interessante, o fato do mar não desistir nunca. Interessantíssimo, aliás. 

Claro que se pode afirmar que é meramente o vento soprando a água em direção à terra, e no momento em que a profundidade da água tornou-se exígua, a água se choca contra o fundo do oceano; mas isto não é o porque, isto é o como. Afora estes fatos, fato é que sempre há rebentação, portanto, ele não desiste nunca. 


Mas não é só o mar que se comporta assim. Thomas Edison, famoso inventor do que viveu entre 1847 e 1931, inventor com mais de mil invenções, entre elas a lâmpada elétrica, o cinetógrafo - primeira câmera cinematográfica de sucesso - fundador da General Eletric, era assim. Até conseguir criar a lâmpada elétrica, teve muitas tentativas frustradas. Sabe o que disse sobre elas? "Eu não falhei. Encontrei dez mil soluções que não davam certo. 


Grande persistente. Oscar, um dos maiores pontuadores do basquete mundial, de apelido "Mão Santa", sempre ressalta que, para chegar a esta patamar, teve de treinar muito. Reza a lenda que uma vez acertou 90 arremessos seguidos de três pontos, o arremesso de maior dificuldade do basquete. Assim como estes, há diversos exemplos de sucesso pela persistência.


Embora sempre existam dificuldades, para todos, a persistência deve ser maior. A disciplina nos impulsiona para a repetição, que evoca o esforço, que por sua vez traz consigo a habilidade, e este nos leva para o sucesso. Sucesso, como já falei anteriormente, é atingirmos aquilo a que nos propomos. Entretanto, durante todo este processo, é necessário persistência. 

Talvez seja chato acordar oito horas da manhã na segunda feira e ter de ir trabalhar, mas ninguém começa por cima. Se alguém está num lugar superior ao teu, é porque com certeza aquela pessoa fez mais do que tu em algum momento da vida dela. Isto não quer dizer que não podes chegar lá, mas sim que é necessário trilhar o caminho descrito no início deste parágrafo para chegar lá.


Então, sejamos sempre persistentes, sempre esforçados, sempre prontos a tentar mais uma vez, sempre aptos a desprezar o fracasso anterior e mais uma vez, persistentemente, começar a caminhada. Uma hora vai brilhar. Sempre o mar, sempre as ondas... ah, ele não desiste nunca.


Samuel Bonette

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

E a vida continua, e se renova

E a vida continua, e se renova - www.samuelbonette.blogspot.com
Há quanto tempo não vinha aqui... Já estava com saudades! Muita coisa mudou no Blogger, e fui surpreendido positivamente pelas mudanças. Os layouts podem ser alterados com mais possibilidades e facilidades; creio que o novo layout que apliquei melhora a visualização para os leitores.

Desde a minha última postagem, (que já faz bastante tempo, infelizmente) se passou quase um ano, e neste ano coisas aconteceram; algumas boas, outras más, outras indiferentes, outras tantas que passaram desapercebidas. Entramos em um novo ano, mas tal qual o início do ano passado, temos algumas catástrofes acontecendo ao redor do mundo, e também aqui no Brasil; muitas pessoas passando fome, muitas pessoas desabrigadas, muitas tristezas; por outro lado, vários casais que conheço estão prestes a serem pais, aumentando a alegria em muitos círculos de amizade próximos a mim, um clarinetista de 21 anos passou em primeiro lugar na UFPE sem nunca ter feito nenhum cursinho pré-vestibular, cientistas comprovaram que anticoncepcional não engorda, os chilenos foram salvos da mina, etc, etc, etc.


Alguns filósofos discutiam se a vida era cíclica ou linear. Independentemente disto, é fato que tenho me atraído cada vez mais por "fragmentos" de história. Costumeiramente pensamos nas histórias com início, meio e fim. No entanto, acho interessantíssimo como alguns fatos acontecem e mudam por demais a história de vida das pessoas. Pessoas que caminhavam em uma determinada direção de repente mudam completamente seus planos, suas vidas, suas histórias em consequência de um acontecimento. Por estes dias revi o filme "Náufrago", o qual relata a história de um amor que foi interrompido por uma fatalidade. Após sobreviver a um acidente de avião e viver mais de quatro anos isolado numa ilha deserta, o personagem principal (Tom Hanks) consegue retornar a tudo o que tinha antes, mas descobre que, apesar de serem as mesmas pessoas, tudo está diferente. Seu grande amor (Helen Hunt) agora está casada com outro homem, tem um filho, tem toda uma vida em função desta nova realidade.


Três momentos me marcam profundamente neste filme: o primeiro no qual a atriz Helen Hunt diz a Tom Hanks que sempre soube que ele estava vivo; o segundo, no qual os dois declaram continuarem se amando, e serem ambos o grande amor da vida do outro; e o terceiro, no qual Tom Hanks relata a um amigo que, nos quatro anos que se passaram, ela foi o motivo de se manter vivo, o combustível para todo seu esforço, foi o seu norte, a razão de viver, de tentar retornar, inclusive arriscando-se em alto mar com uma barcaça grosseira. Que profundidade de mistério! Não obstante estes fatos, pela forma como as coisas ocorreram, ambos optaram em seguir suas vidas separados, pois suas vidas tinham corrido tanto tempo assim que as diferenças eram irreparáveis.


E por diversas vezes a vida acontece assim, confundindo, dando reviravoltas, mudando o curso, costurando e desentrelaçando relacionamentos, transpondo fatos, enfim, virando tudo de cabeça para baixo. Mas o mais interessante nisto tudo é que ela continua, e é isso que temos que ter em mente. Olhando com a perspectiva de um futuro através do passado, vamos aprendendo, vamos melhorando, vamos vendo que é correto o que disse a Bíblia em Eclesiastes: Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Ec. 3.1

Samuel Bonette

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sentimentos e sentimentos

Sentimentos relacionamentos frustração - www.samuelbonette.blogspot.com
Há diversos sentimentos negativos que nos assolam o coração e mente, tomando nossas vidas, chegando em momento em que menos esperamos, e persistindo em ficar ali, nos perseguindo, nos martelando, ferindo nossos sentimentos, nos afrontando, nos desafiando. Desde os mais primários e instintivos, como o medo, até os mais elaborados, como o atual e tão discutido bullying, todos eles vem acompanhados de outros maus sentimentos; frequentemente são a insegurança e insatisfação. 



E estes sentimentos, que nos vem visitar sem ser convidados, podem aparecer por coisas sem a menor relevância; uma palavra dita por um desconhecido, uma simples escolha que não se revela a melhor, um acontecimento inesperado que frustra um plano de uma viagem pré-agendada, etc. São muitas as possibilidades.




Um destes me tem incomodado, especialmente: Frustração. Oh sentimento ruim este. Sabe quando nos propomos a fazer algo e não conseguimos? Ou então quando buscamos muito alguma coisa, e ao chegar lá, sentimos que o resultado não era o esperado? Isso gera frustração. Este também traz consigo a insegurança e insatisfação. Não estou vivendo uma vida frustrada, mas tenho sentido frustração mais do que o normal. Agora mesmo estou me sentindo um pouco frustrado por escrever isto, pois não gosto de falar de coisas assim. 




Gosto de falar de amor, gosto de contar coisas engraçadas, gosto das coisas belas e boas da vida. Por exemplo: analisando este blog, que comecei em 2007, me senti um pouco frustrado por não poder escrever mais. O trabalho e a faculdade me tem tomado bastante tempo, e não posso atualizá-lo com a frequencia desejada. Isso me frustra. Me lembro de um episódio em que o Homer Simpson, em mais um de seus memoráveis discursos, diz para a Marge: Não consigo viver essa vidinha barata que você vive; quero os baixos aterrorizantes, os altos atordoantes, os médios insosos! Por vezes essa frase me dá uma dimensão da frustração que algumas pessoas sentem.



No entanto, mais importante do que estes maus sentimentos, é o que fazemos com eles. Tentar fugir é bobagem. Não há como se esconder dessas coisas. Se nos escondemos deles, concedemos tempo a eles para se alimentarem ainda mais, se fortalecerem, se aprimorarem, e nos atacarem mais ali adiante. Fingir que não existem é o que eles mais querem. Começamos a viver o lado A e lado B de nossas vidas. Enquanto estamos no lado A, fingimos que eles não existem, e eles estão ali, nos cutucando; quando viramos para o B, eles nos consomem.



A melhor alternativa que vejo é enfrentá-los. Confrontar os mesmos é achar seus motivos; é uma empatia consigo mesmo. Não é ser condolente consigo, o que levaria a consequências e sentimentos ainda piores, mas sim buscar e entender suas causas. Nada melhor para isso do que dialogar com alguém, especialmente alguém compreensivo. E sim, muita força para combater. A tristeza bate à porta? Já vivi muitos momentos alegres. A solidão me quer? Existem mais de 6 bilhões de pessoas no mundo. A insegurança me balança? Veja as minhas conquistas.


Afinal, a vida é feita de esforço, e é justamente o esforço que dá sabor especial às conquistas, que faz a nossa história se tornar épica. Como diz uma estrofe suprimida do hino do RS: sejamos gregos na glória, e na virtude, romanos.



Samuel Bonette

domingo, 21 de junho de 2009

Desafio + Objetivo = Sucesso

Desafio + Objetivo = Sucesso - www.samuelbonette.blogspot.com
Tenho uma séria tendência a sempre querer o melhor, em todas as coisas que tenho e faço. Não tenho como verificar se é real, mas tenho a impressão de que todo ser humano tem essa mesma tendência. Isso não é ruim, pois é uma demonstração que o indivíduo tem vontade de melhorar sua vida, e sempre buscar a excelência naquilo que fizer ou possuir. Para o padrão atual de sucesso, isso é sucesso.



Mas, paremos para analisar um pouco essa situação: é totalmente impossível que todos tenham, a todo tempo, o melhor. Se numa corrida, um corredor detiver o melhor tempo, por exemplo, os demais não o terão; se um determinado homem conseguir conquistar a mulher mais bela, os demais não conseguirão o mesmo feito. Podemos chegar próximo a isso graças à Revolução Industrial, que possibilitou que várias pessoas possuam um bem industrializado, com produção de cópias da matriz em larga escala, como por exemplo, um determinado sapato que é feito do melhor couro existente, com o melhor solado e o mais belo design. No entanto, sou levado a crer que, se várias pessoas possuem o melhor, então, ou ele não é o melhor, ou o melhor se tornou comum, vulgar.




Se todas as pessoas se dessem conta disso, provavelmente uma grande parcela da Humanidade entraria em profunda depressão, o que criaria um caos generalizado. É muito dura a perspectiva de viver uma vida toda sem jamais conseguir ser/ter o melhor; vivemos tempo de exaltada competição, onde se engrandece demasiadamente o vencedor, e se denigre os demais participantes; portanto, não se suporta a idéia de ser um eterno "perdedor". Por outro lado, os "vencedores", ou seja, aquela classe de pessoas que detivesse o melhor naquilo que fizesse/tivesse, por conta da natural tendência do ser humano em acostumar-se tanto ao ruim quanto ao bom, provavelmente se enfadaria de ter sempre o melhor, passando a considerá-lo normal.




Por isso, não raras vezes temos em nossas vidas, ao invés do melhor, o pior, para que quando chegarmos ao mediano, consideremos como grande vantagem as condições obtidas. Obviamente, em alcançando o melhor, ficaremos deveras satisfeitos e felizes. O verdadeiro sucesso é alcançar os objetivos a que nos propomos. Talvez eu nunca seja o melhor escritor do mundo, tampouco publique um livro, mas se algumas pessoas lerem esse blog e se sentirem reconfortadas, e com novo ânimo, e nova perspectiva, então estarei alcançando meu objetivo. Muitos se tornaram pessoas insuportáveis (e outras até com doenças mentais) porque lhes foram dadas coisas acima de sua capacidade, e perderam a noção da realidade, tornando-se arrogantes e prepotentes, pensando ser mais do que realmente são.




Não faço apologia ao comodismo, mas hoje fugimos de sofrimentos como um boi foge do matadouro, nos esquecendo que aquilo que realmente valorizamos é justamente o que mais nos custou esforços e sacrifícios. Hoje vivemos em condições muito melhores que nossos antepassados, entrentanto temos muitos mais problemas de ordem social porque não sabemos valorizar o que temos, tornando vazio tudo o que temos.O ar que respiramos, um dos bens mais preciosos para manutenção da vida, é gratuito.




Temos de repensar o nosso conceito de sucesso, e valorizar mais aquilo que temos; sucesso é atingir aqueles objetivos a que nos propomos.




Samuel Bonette

terça-feira, 21 de abril de 2009

É pelo princípio

Princípio Aprendizado Vida Simpsons Burns - www.samuelbonette.blogspot.com
Todos sabem que roubar um chiclete não faria mal a ninguém; o comerciante não ficaria mais pobre, nem o ladino mais rico. No entanto, ensinamos nossas crianças que não se deve roubar nem mesmo um chiclete, por um motivo somente: o princípio. Há um episódio dos Simpsons em que Homer se demite do seu emprego de inspetor da usina nuclear do Sr. Montgomery Burns. Passado algum tempo, pelo fato de sua esposa Marge engravidar, ele volta à usina nuclear para tentar reaver seu antigo emprego. Então, o Sr. Burns o faz ir agachado por um caminho humilhante até sua sala, e o obriga a trabalhar por algum tempo gratuitamente, ao que o Sr. Smithers se opõe, objetando que ele só estava voltando devido às suas dificuldades financeiras. Então o Sr. Burns diz a célebre frase: É pelo princípio.




Sim, essa causa primária, por vezes relegada a um papel secundário em nossos tempos, é o que deve nos nortear em nossas escolhas. Nossas escolhas são baseadas em princípios, embora por diversas vezes usamos princípios múltiplos - e por vezes contradizentes - para fazermos nossas escolhas. Frequentemente somos incoerentes, por não pensarmos nas implicações daquilo que adotamos como princípio. Não raras vezes eu vejo pessoas defenderem duas idéias totalmente contrárias em um pequeno espaço de tempo, devido à não consideração das implicações dos princípios utilizados para defenderem suas idéias; se uma pessoa defende a não-violência do direito à vida, por exemplo, ela deve defender esse direito para todas as pessoas, inclusive para aquelas que violam esse direito. Se a pessoa julga como errado roubar um milhão de reais, deve ser contra o roubo de um centavo, também. Se é contra a discriminação, não deve defender cotas para negros. Se não perdoa, não merece ser perdoada, e assim por diante.




Mas não gostamos disso; gostamos de condenar fortemente aqueles erros maiores, e, nos menores, fazemos vista grossa. Ou então, confundimos tudo e agimos incoerentemente, sendo ora relativistas, ora moralistas, ora utilitaristas, ora fundamentalistas. Parece ser mais fácil e conveniente dançar conforme a música, fazer aquilo que a opinião pública determina, ou aquilo que a mídia exalta. E a mídia é boa nisso: transformar o certo em ridículo, e o errado em fashion; uma emissora de TV, por exemplo, tem um jornal em que mostra as desgraças causadas por uma estrutura familiar fraca, e critica esse comportamento, mas antes e após esse mesmo jornal tem programações em que mostram filhos se rebelando contra pais, maridos traindo suas esposas, casais que fazem sexo livremente, etc. Mas qual é o posicionamento dessa emissora, afinal? É o posicionamento de dançar conforme a música, ao qual estamos aderindo, mesmo sem perceber.




Para ser coerente, é necessário adotar um princípio, e agir sempre dentro dele, seguindo suas consequências até o fim. Um belo princípio é esse: amar o teu próximo como a ti mesmo. Esse princípio foi proferido por Jesus, e Ele é o maior exemplo de comportamento coerente que já houve nesse mundo. Em tudo, Ele agiu segundo o seu princípio, inclusive quando corrigiu aqueles que amava, pois quem ama corrige, e um dos predicados do amor é a justiça, sendo que para ser justo, é necessário agir dentro de um mesmo princípio. Um bom princípio levará a um bom fim, da mesma forma que um mau princípio levará a um mau fim, ainda que talvez a longo prazo. Não é difícil ser coerente; por vezes, é doloroso, mas em momento algum é difícil. Agindo coerentemente, seremos respeitados; incoerentemente, seremos ridicularizados; amorosamente, seremos amados.




Samuel Bonette

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Auto-descobrimento

Auto descobrimento amor relacionamentos vida - www.samuelbonette.blogspot.com
Como é bom descobrir coisas a respeito de si mesmo. Mesmo quando são dolorosas de se descobrir, mesmo quando o que vemos em nós mesmos é aquilo que jamais quereríamos admitir, é bom. Aliás, talvez seja melhor descobrirmos as coisas ruins, porque temos a chance de reconhecermos o que há de errado, e mudarmos.


Às vezes, percebemos nossos comportamentos nos observando, porém, a maioria das vezes percebemos nossos comportamentos quando somos confrontados por outras pessoas, por outros comportamentos, por outros hábitos. Não há uma forma definida para isso acontecer, simplesmente acontece.

Uma vez, um amigo meu me abraçou, sem motivo algum; eu fiquei meio sem saber o que fazer, e o indaguei: O que é isso? - ao que ele respondeu: Afeto, não conheces? Nesse momento eu percebi que não sou muito de demonstrar afeto, por mais que goste de uma pessoa. Frio? Talvez. Mas para entendermos como somos, é também importante entender o tempo em que vivemos. 



Vivemos num tempo dominado pelo utilitarismo e pelo darwinismo como pressupostos básicos. O primeiro nos diz que tudo o que fizermos deverá ser regrado pela pergunta: É útil? Se for útil, então usa-se até o último pingo, até o momento em que não é mais útil, e então, será descartado. Isso impera desde os recursos naturais até os relacionamentos interpessoais, e com familiares. Já o segundo pressupõe que tudo veio do acaso; se tudo veio do acaso, então, não temos que nos preocupar com nada nem ninguém, pois não somos interligados de forma alguma, e não possuímos direito de escolha, pois tudo é obra do acaso. 



Se tudo é obra do acaso, ser quem somos, ter os pais que temos, e assim por diante, é nada mais que mera obra do acaso. Não temos de ter ligação afetiva com nada, pois tudo acontece por acaso. Não há sentido nem propósito para nada. No entanto, é importante ressaltar que sim, todo ser humano tem um propósito. Todos temos um designer inteligente, que nos "projetou" para sermos exatamente como somos. Quando vemos uma bela pintura de Da Vinci, jamais pensamos que foi obra do acaso; reconhecemos que há um ser inteligente por trás daquela obra. De mesmo forma, quando vemos um ser humano, que em uma única célula do seu corpo possui mais informações do que qualquer computador, podemos, analogamente, saber que isso não foi obra do acaso.

Ainda sobre descobrir algo sobre si mesmo, descobri que, se fui "projetado", o Autor e Executor do "projeto" não vai me deixar desamparado. Como na foto acima, posso confiar que, mesmo sobre um equilíbrio aparentemente frágil, Ele está me guiando e conduzindo para o melhor. Isso vale tanto para mim quanto para ti. Como conseguir isso? Fala para Ele que tu queres que Ele seja Senhor da tua vida, e Ele entrará em contato contigo.
O melhor de Deus ainda está por vir.



Samuel Bonette

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Rebeldia, iconoclastia e três horas do dia

Rebeldia, ico... - www.samuelbonette.blogspot.com



Genialidade fugaz
Um brilho no olho
uma idéia percorre o córtex
Se disseminando rapidamente entre milhões de conexões neurais
ziguezagueando pelos hemisférios cerebrais.
Não mais que um segundo
pois a rotina retomou o controle
do cérebro rebelde
que insiste em pensar










Samuel Bonette