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sábado, 12 de janeiro de 2013

Considerações iniciais, um pouco de justiça ou vingança, como queiram...

Considerações iniciais, um pouco de justiça ou vingança, como queiram - www.samuelbonette.blogspot.com

Boa noite. O mundo não acabou, como eu acreditava, então pude fruir minhas merecidas férias. Acredito que todas as férias são merecidas, mas para mim está sendo realmente emocionante tirar férias. Também fico feliz porque estou melhorando. Em 2012, na minha primeira postagem do ano me propus a postar no mínimo 7 textos, o que havia sido o recorde de postagens num mesmo ano (alcançado em 2007, primeiro ano do meu blog), e consegui superar a meta em 28,57%, postando 9 textos (Hehehehehehe... não posso deixar de me divertir comigo mesmo e a mania de mensurar as coisas). Também fico feliz pois no ano de 2012 continuei a trajetória ascendente iniciada em 2011, quando postei 6 textos, ao contrário de 2010, ano em que postei 1 texto somente. Então, meta lançada: superar as 9 postagens de 2012.

Fico feliz também de estar alcançando 6 anos de blog que, muito embora não seja o estrondo que eu gostaria que fosse, me permite expressar algumas opiniões e me satisfaz plenamente no que diz respeito ao meu gosto por escrever. Quero saudar os meus leitores internacionais, especialmente o leitor (ou leitores) da Rússia. É muito gratificante ter leitores em países do mundo que jamais imaginei alcançar. Espero que os textos possam ter te entretido, divertido ou mesmo ajudado; me sinto lisonjeado de forma inenarrável.  Também quero recomendar um site bem legal que, após um teste composto de uma série de perguntas, descreve a tua personalidade dentro daquelas pré-estabelecidas tendo como embasamento teórico quatro modelos lá descritos. O site é o Inspiira. Recomendo a todos, pois até agora todos os que fizeram o teste me relataram que ele foi bem assertivo na sua avaliação.

Mas vamos lá... como já gastei meia página com agradecimentos e considerações quero ser bem sucinto num assunto que já estava pensando sobre, mas sobre o qual fui amplamente bombardeado, coincidência ou não, nos últimos dois dias através de filmes e frases sobre. O assunto é vingança x justiça. Hoje mesmo assisti um trecho de um filme do Batman no qual ele falava que vingança e justiça muitas vezes são a mesma coisa. Tenho de discordar. Justiça é o que acontece quando o mal recebido é reparado, através de julgamento feito por terceiros com conduta ilibada; vingança é o que acontece quando, pelas próprias mãos ou pelas mãos de outrem, o mal recebido é devolvido com maior força ou proporção; ainda que seja na mesma proporção, é vingança. Semana passada assisti o filme O Conde de Monte Cristo, cuja história é a busca por vingança, e uma reportagem na TV sobre dois assassinatos por motivos frívolos, sobre os quais os familiares das vítimas clamavam por vingança.

Óbvio que no Brasil temos muitos problemas com no sistema judiciário em geral, o que não é segredo para ninguém. Entretanto, vejo que o maior problema é justamente o fato de as pessoas quererem vingança e não justiça. Se todos nós quiséssemos justiça, seria uma via comum o assassino confessar o crime, cumprir uma pena justa e após retornar ao convívio da sociedade. Entretanto, como queremos vingança, obviamente que o assassino não vai querer confessar o seu crime visto que a confissão geraria em nós uma vontade de matá-lo ou submetê-lo a sofrimento infindável. Tenho a convicção de que o sistema prisional brasileiro piora as pessoas, já que são tratados com desumanidade e isto não é defesa aos condenados que lá estão cumprindo suas penas.

Não quero fazer um raciocínio raso, pois como disse quero ser sucinto e este assunto é muito amplo e complexo, desperta as paixões e sentimentos mais obscuros do ser humano. Quero somente trazer uma reflexão sobre o que alimentamos dentro de nós; mesmo a justiça sem amor pode ser cruel e quando em demasia torna-se vingança. O perdão, ao contrário, nos torna melhores e mais humanos, mais tratáveis e respeitáveis. Só pode fazer justiça e perdoar aquele que tem amor, eis o paradoxo.

Samuel Bonette

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Confissões de fim do mundo - Antes que seja tarde.

Confissões do fim do mundo - Antes que seja tarde - www.samuelbonette.blogspot.com
Dia 20/12/2012. Estas são as horas que antecedem o fim do mundo, segundo a interpretação alardeante do agora famoso calendário maia. Não é a primeira e nem será a última das “profecias” de fim do mundo. Um dia ele vai acabar, isto é certo, pois sabemos que tudo tem um início, um meio e um fim; mas Deus é quem detém este conhecimento. 

Eu realmente não acredito que o mundo vá acabar em 21/12/2012. De qualquer forma, vou escrever e publicar isto antes das 00:00h deste dia, o que dista deste momento somente algumas horas, seguramente menos de três. Não quero correr o risco de, caso o fim realmente chegue, deixar de confessar os fatos a seguir. Não vou levar, de forma alguma, o peso na consciência de deixar de admitir que:

1. Odeio perder. Especialmente em esportes e discussões. Sou de uma família onde todos tem temperamento forte e talvez pelo fato de ser o filho mais novo, portanto o mais preterido, desenvolvi um espírito muito competitivo. Isto me leva, várias vezes, a perder justamente por não querer perder.

2. Já agi por birra; não fiz o que poderia ter feito ou fiz o que não deveria ter feito só porque em outro momento não tive um desejo atendido ou para mostrar que mandava na situação. Confesso também que abandonei este comportamento, mas isto ainda pode acontecer, como a todo o resto da humanidade.

3. Já amei quem não devia. Aos 7 ou 8 anos de idade morava em Horizontina, minha cidade natal, e lá havia uma cadela da raça husky siberiano que era a coisa mais linda, pêlo preto em cima, branco na barriga e um par de olhos azul claro profundo; eu ia todos os dias brincar com ela, a despeito da minha vira-lata Lulu.

4.  Fui vencido pelo capitalismo. Quando era pequeno admirava o céu e as estrelas, ficava na janela olhando a chuva por horas a fio, subia nas árvores para comer quilos de bergamota e ia, de bicicleta e mesmo a pé, até os rios, riachos e lagoas tomar banho no verão. Hoje fico no Facebook, olhando TV a cabo, comendo e engordando e quase não sei mais fazer conta de dividir e multiplicar a mão. O dinheiro e o conforto que ele me proporciona me roubaram a capacidade de ter tempo para ver algumas coisas simples e bonitas da vida.

5. Raramente choro. Especialmente, nunca chorei ao assistir um filme, mas o Click me leva as raias de chorar, pois me identifico por demais com a história do filme, especialmente na parte do relacionamento com seu pai. Me dá um nó na garganta. Se um dia eu chorar ao assistir um filme, vai ser assistindo o filme Click.

6.  Penso que todo mundo come algo estranho e ainda acha que não é estranho. Eu gosto de comer pão com mortadela e açúcar. Uma amiga comia manga verde com sal, minha esposa come batata crua e meu amigo come sanduíche com melancia. Todos pensam que suas comidas estranhas são iguarias apreciadas por todos. Não são.

Dentre tantas outras coisas, não posso deixar de confessar que sei coisas a respeito de mim que são inconfessáveis e não ousaria contar nem para mim mesmo, nem em pensamento. Tanto boas quanto ruins. Outras que não são boas nem ruins mas ainda assim não posso contar. Carrego comigo emoções e dúvidas que só serão dirimidas e explicadas após o fim do mundo. Quem me conhece pessoalmente talvez vá ficar curioso, mas deixa estar que um dia meu livro será lido.


Samuel Bonette

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Glamour

Glamour, marcas, vendas, marketing - www.samuelbonette.blogspot.com.br
Acho interessante o humano, a forma como se comporta e atribui valor as suas coisas. Vejo que começa as coisas de forma simples, para atender uma necessidade na maioria das vezes, vai aperfeiçoando e tornando isto mais elaborado até que, o que surgiu de uma simples necessidade se torna objeto imprescindível e de valor inestimável.
Posso citar diversos exemplos; um deles: o ser humano precisa se locomover; para isto, tem pernas e pés. Obviamente que precisa protegê-los, e isto era ainda muito mais necessário nos primórdios, quando não havia estradas como temos hoje, muito menos pavimentadas. O que havia era floresta, e só. Para se locomover, precisava proteger seus pés de eventuais ferimentos. Deve ter começado a fazer isto com folhas, madeiras, couro de animais mortos, enfim.
 Ao longo do tempo, foi descobrindo materiais mais adequados para fazer seus calçados. Após, desenvolveu calçados diferentes para terrenos diferentes, temperaturas diferentes, etc. Um dia, alguém deve ter feito um calçado muito bom, e como chamou a atenção dos demais, para que não roubassem dele põe-no uma marca para reconhecê-lo. Uma vez que não poderia roubar, outrem ofereceu algo em troca, e o primeiro entendeu que poderia obter vantagens com isto.
Passado os anos, surgiram Nike, Adidas, Puma e outras tantas marcas que, mais do que atender a necessidade inicial de proteger os pés, transformou o calçado em objeto de desejo ardente e a necessidade já não é mais proteger os pés, mas sim ter o calçado da marca X, Y ou Z. Como efeito cascata, se o fulano de tal é famoso e usa tal marca, obviamente que muitos buscarão comprar daquela marca, porque o dito usa aquela marca.  Isto acontece com roupas, esportes, calçados, carros, comida, perfumes, eletroeletrônicos e por aí afora com tudo o mais que me ocorre no momento.
Diria que isto é glamourização. Glamour, segundo o site Priberam On-line, é: “beleza sensual, considerada característica de certas figuras públicas elegantes do mundo do espetáculo; qualidade de quem ou do que é elegante, charmoso e considerado sedutor”. Entretanto, é interessante pensar que o glamour não é inato, mas sim definido socialmente. Ele não existe por si só, mas por meio das pessoas que acreditam nele.
Claro que para isto contam determinadas características universais como simpatia, carisma, beleza e outras mais, mas o glamour é um construto social, uma vez que aquilo que é considerado glamouroso em um local pode não ser em outro; diria que a adesão das pessoas em aceitar, divulgar, propagandear, reproduzir e venerar determinados padrões, comportamentos ou atos torna aquilo glamouroso. Em última análise, vende-se a ideia de que algo vai te fazer ser melhor que és. É um comércio de ideias e conceitos, e não de produtos em si.
Por outro lado penso que esta glamourização deturpa o sentido principal de existência das coisas. Utilizando-me do glamour, posso fabricar um produto de péssima qualidade mas fazer um comercial espetacularmente bonito e colocar um famoso a divulgá-lo. Vai vender que nem água. Neste caso, a necessidade inicial fica de lado, mas o meu glamour pessoal está sendo plenamente obtido. Então, que se danem os pés, legal é estar na moda.

Samuel Bonette

domingo, 14 de outubro de 2012

Espelho da vida

Espelho, vida, relacionamentos, perdão, autoimagem - www.samuelbonette.blogspot.com
Tenho adquirido um hábito, pelo que me consta: escrever nos domingos a noite. Escrever a noite já era uma predileção, mas tenho notado que o domingo a noite me atrai de forma especial. Até então não havia feito nada de forma propositada, mas parece que esta será a tendência. É um bom dia para se escrever. Nada melhor do que produzir nesta noite que até então era considerada monótona e simples antecedente de uma semana que será corrida, sem dúvida.

Sobre o que tenho a escrever hoje, é até interessante que seja feito num domingo a noite, pois combina com um quadro apresentado recentemente no programa Fantástico; não sei se ainda está sendo apresentado, pois assisto apenas fortuitamente o referido programa, mas o nome do quadro é Phantasmagoria; em uma das poucas vezes que olhei, os apresentadores falavam sobre nossa visão, e como as imagens se formam no cérebro. Falaram também sobre as ilusões de ótica e de distorções de percepções que nos ocorrem, especialmente em casos de pouca luminosidade ou situações nas quais estamos sob forte pressão.

Tal fato dificilmente ocorre quando vemos uma imagem refletida em um espelho. A imagem projetada é imediatamente reconhecida como a nossa própria imagem, diferentemente de quando olhamos a imagem de outra pessoa, animal ou objeto; o cérebro está fadado a associar a nós mesmos aquela forma avistada no espelho. Sabem, não sei se vocês pensaram nisto em algum momento de suas vidas, mas eu já fiz o exercício de, ao focalizar minha imagem no espelho, tentar imaginar que aquele reflexo é na verdade outra pessoa. É uma tentativa de enganar o cérebro que quase nunca logra êxito.


Entretanto, algumas vezes consegui; poucas, é bem verdade, mas já consegui. Não posso deixar de negar também que foi um pouco assustador, pois me ocorreu que, se aquilo fosse verdade, poderia estar vendo em mim mesmo outra pessoa. Aí meu cérebro já fez um monte de inferências sobre psicopatia e doenças mentais e rapidamente abandonei o reflexo. Coisa de louco.


Mas é triste que nem sempre temos um espelho em nossa frente para nos visualizar no dia a dia; com ele poderíamos nos dar conta de nossas atitudes. Digo isto porque é incrível como não nos percebemos em nossas atitudes; isto não acontece o tempo todo, mas acontece com todos, invariavelmente. Aquela pessoa que se acha tão divertida não é assim para seus amigos; antes, é o inconveniente e “mala” do grupo; o profissional que se julga tão competente e dono das respostas é na verdade um fanfarrão; o infeliz comentário sobre um jogador acaba com a reputação de um dirigente de futebol e divide um time no meio da temporada; são inúmeras situações que destroem a nossa imagem perante os demais. É triste quando não conseguimos administrar isto.


Por isto sempre digo: menos, as vezes, é mais. É sempre bom fazer uma avaliação antes de agir para que depois possamos olhar e nos reconhecer na imagem refletida no espelho da vida.



Samuel Bonette


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Perdas

Perdas, vida, morte, relacionamentos - www.samuelbonette.blogspot.com
Não é fácil escrever uma página, as vezes. Devo confessar que na verdade é algo realmente difícil, em determinadas ocasiões. É o assunto que não flui, o barulho que irrita, a concatenação de ideias que não ocorre... não tem sido fácil cumprir minha “auto-promessa” de escrever doze textos neste ano. Eu não sei o que é pior: a sensação de ter falhado ou a incapacidade de escrever bons textos; poderia escrever doze textos de qualidade duvidosa e alcançar a meta ou produzir textos que me agradem mas não alcançar o meu objetivo. Mas tudo há de melhorar; sempre melhora.

Acontece que estava refletindo sobre a perda. A perda é algo que nos incomoda. Existem as perdas gradativas e as abruptas, mas o momento da ruptura é sempre incômodo; quando perdemos algo de forma abrupta torna-se mais latente o momento em que ocorre, então normalmente lamentamos mais. Quando perdemos de forma gradual, tendemos a aceitar mais facilmente; porém sempre há um momento em que “a ficha cai”, e nos damos conta da perda. Triste e doloroso momento. A perda nos contrista.

Há perdas pequenas: por exemplo, quando damos falta de um objeto querido, ou algum vizinho de anos muda-se para outro bairro da mesma cidade. Acontecem em nossas vidas também as grandes perdas, como a perda de um sentido como a visão ou audição, eventualmente, ou ainda a impiedosa e inevitável morte. Não importa: a perda é sempre lamentada e sofrida.

Diriam os mais pragmáticos e os menos sensíveis que toda dificuldade é também uma oportunidade, e toda a perda é também a chance de valorizar mais ou descobrir novas coisas. Não posso dizer que discordo disto; muitas vezes valorizamos muito determinadas coisas em detrimento de outras tantas, ou não nos damos conta que existem infinitas outras coisas bem diante de nossos olhos que podem ser boas e até melhores do que as que perdemos. Obviamente que existem perdas que nos causam ganhos, uma vez que nos proporcionam mudanças para melhor; entretanto, há perdas que realmente são para pior, devido a excelência incomparável constante no ente perdido.

Contudo, gostaria de ressaltar que, seja para melhor, igual ou pior, certas coisas são insubstituíveis, pelo fato de não haver outra igual. Entre estas, destaco, é claro, as pessoas. Não temos forma, não podemos ser produzidos em escala industrial, somos únicos, sempre. Então, ame as pessoas que o cercam; a perda ocorrerá em algum momento e elas serão insubstituíveis; ame com todas as suas forças, porque na hora da perda, seja momentânea ou eterna, o que restarão serão somente as lembranças. Ame os seus queridos.

Gostou? Então curta, compartilhe e deixe seu comentário. Se preferir, me envie um e-mail no samuelbonette@tenhoumsonho.com.br.

Leia mais:


lições, maquiavel, liderança - www.samuelbonette.blogspot.com.br
engenharia, produção, liderança, lições - www.samuelbonette.blogspot.com.br

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Essência da Arte

Essência, Arte, música, pintura, gênio - www.samuelbonette.blogspot.com
Música é arte. Interpretação é arte. Pintura é arte. Arte é uma coisa um tanto quanto subjetiva, nem sempre se submetendo a um padrão estético específico ou aos anseios dos espectadores e as vezes do próprio artista. Depende de inspiração, e de transpiração.  Tenho um particular apreço por música, e também, por característica adquirida ao longo da vida, um observador. É engraçado como a música me agrada multiformemente. Gosto de músicas gauchescas, daquelas só com voz e violão, como também gosto de músicas pop, rock, música clássica, e muitos outros estilos. Assim entendo que gosto da música enquanto arte.

Escrever também é arte. É retirar fragmentos do cotidiano e expandi-los numa história épica, e noutro momento expor em uma pequena frase conhecimentos adquiridos ao longo da vida. É um exercício de procura diária, nos entrelaces dos acontecimentos que nos cercam, o novo, o divertido, o agradável, a crítica, o embate, os relacionamentos e transformá-los em histórias para os outros entes humanos.

É se dar conta, por exemplo, da grande desproporcionalidade existente entre homens e mulheres na população transeunte no Centro de Porto Alegre e discorrer sobre o assunto; é notar como as pessoas estão cada vez mais absortas em seus celulares, Ipad’s e tablet’s e cada vez menos prestam atenção no que acontece ao seu redor; claro que estou trazendo estes assuntos a baila porque notei nelas hoje enquanto transitava na rua, e sobre estes refleti brevemente, imaginando que seriam bons assuntos para se escrever.

Esta semana ainda proferi o seguinte comentário: Tempo: quanto menos tenho, mais coisas faço. Fazendo leitura reversa - Tempo: quanto mais tenho, menos coisas faço. E é verdade; estou a semana toda pensando que tenho que escrever um texto para postar aqui, e mesmo tendo a ideia central, até agora não escrevi absolutamente nada do que havia pensado. Não vai ser agora que vou começar, também.

Mas, como disse de início, escrever é arte, e a arte não se submete a padrões estéticos. Que o diga alguém, que postou no Facebook o seguinte: - A vida ainda tem muito a me encinar – ao que redargui: - Principalmente escrever.

Samuel Bonette

segunda-feira, 25 de junho de 2012

As coisas como são e como deveriam ser

As coisas como são e como deveriam ser - www.samuelbonette.blogspot.com
Existe uma diferença entre ilegal e imoral. Uma importante diferença, pois o ilegal é aquilo que age contra a legislação positivada, ao passo que o imoral é aquilo que obsta ao conjunto de normas e regras definidas socialmente como corretas. As vezes as opções da vida não são sobre coisas ilegais ou legais, mas sim sobre coisas morais ou imorais. Lembro que ao longo do meu curso de Administração, por algumas vezes, os professores nos incitaram a responder algumas perguntas que, se não eram capciosas, eram no mínimo desafiadoras, pois lidavam com questões morais.

Em sala de aula, um deles propôs o seguinte desafio: se, numa situação qualquer, sabendo que, ao condenarmos o culpado por um crime, automaticamente outra pessoa totalmente inocente seria obrigada a cumprir pena por aquele crime, optaríamos por condenar a pessoa culpada em detrimento da inocente ou por livrar ambas, para que a inocente não fosse injustiçada? A maioria optou pela segunda opção, pois presumiram que a culpada tornaria a cometer crimes e seria apanhada, resultando assim em posterior condenação, ao passo que a inocente seguiria sua vida normalmente.

Outra feita, após uma série de argumentos de um professor, inquiri o mesmo sobre o que considerava como sendo essência do homem: bondade ou maldade, uma vez que, partindo deste pressuposto, podemos melhor entender os julgamentos de alguém. Após uma resposta evasiva, tornei a carga forçando um posicionamento do mesmo. Respondeu então que considerava o homem como uma pizza: inicialmente era só a massa, e ao longo do tempo ia colocando-se os temperos (maldades ou bondades), efetivando-se assim o resultado final.

Entretanto, o mais marcante para mim foi uma série de questões (cinco, se não me engano) cujas opções de resposta dadas eram, notadamente (pelo menos para mim), divididas em opção moralmente correta, opção moralmente incorreta e opção “em cima do muro”. Descontada a conhecida irreverência deste professor, ao final da proposição das questões, aduziu que: aqueles que optaram, em maior número, pelas opções “em cima do muro”, poderiam, com alguma sorte, de dar bem na vida; os que optaram pelas opções moralmente incorretas entendiam como a vida funcionava e tinham grandessíssimas chances de obterem sucesso na vida, com uma chance de eventual percalço; já os que optaram pelas opções moralmente corretas eram loucos e viviam num mundo paralelo.

Recordo que pedi a palavra e, antes de mais nada, esclareci que eu era um dos loucos que vivia num mundo paralelo, isto porque a minhas opções tinham sido em maioria absoluta pelas respostas moralmente corretas. Então discorri que a vida se divide entre como as coisas são, e como deveriam ser. Como as coisas são é o caminho mais fácil e muitos andam por ele, mas como as coisas  deveriam ser é o caminho mais belo e recompensador a longo prazo, devendo ser sempre o caminho a ser escolhido.

 Somos seres feitos a imagem e semelhança de Deus, a bondade e demais virtudes devem ser buscadas e realizadas, e destes anseios derivam os padrões morais que levam o ser humano adiante. Ao optarmos pelos caminhos moralmente corretos, satisfazemos nossa vontade do correto e fazemos também a vontade de Deus.

Samuel Bonette

quinta-feira, 21 de junho de 2012

É das palavras que eu gosto mais


É das palavras que eu gosto mais - www.samuelbonette.blogspot.com
Tenho gosto pelas palavras. Sequência de letras que, combinadas de uma determinada forma, representam algo. Palavras longas, palavras curtas, palavras dúbias, palavras austeras, palavras decomponíveis, palavras que não terminam mais.

Palavras tais como oitiva: é uma mistura de oitava com altiva e que tem a função de me fazer escutar, simplesmente; palavras como cognição, o encontro de um cogumelo com a ignição; ou então hermenêutica, a herança que Hermes deixou na região Êutica.  O mau, vulgo mal, o bem, vulgo benhê, a premeditação, o oportunismo, a panaceia e a zoofilia, bucólico e fleumático, o altruísmo junto da conjunção, palavras que causam sensações e impressões .

As palavras dão ainda o poder da colocação, o poder de gerar e refutar sentimentos, mudar e reinventar situações, esclarecer e confundir, ao sabor do momento. Por vezes é interessante dar a entender sem pronunciar nenhuma palavra literal; em outros momentos, o interessante é dizer com todas as letras aquelas palavras que ninguém vai entender tampouco inquirir sobre seu significado, com medo de parecer insciente. Alguém disse que informação é poder, e saber uma palavra que outros desconhecem é informação, logo, poder.

O jogo de palavras, a argumentação e o contra-arrazoamento, a construção frásica são somente alguns dos prazeres que as palavras podem gerar. As próprias frases são poesia, sujeitas ao proeminente poeta, instrumentos para quem as usa, e por vezes armas para quem as manuseia. Olavo Bilac, com sua famosa definição da língua portuguesa, “a última flor do Lácio, inculta e bela”, fazia referência as pessoas que falam incorretamente e nem assim conseguem roubar a beleza da língua.

De fato, gosto muito das palavras. Através delas expresso meus anseios e sentimentos. Vivam as palavras em minha boca.

Samuel Bonette

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Como se fosse a última

Como se fosse a última - www.samuelbonette.blogspot.com
Lembro-me de uma crônica, de Fernando Sabino, entitulada “A última crônica”. Li a mesma quando tinha 11 ou 12 anos, mais ou menos, e dela nunca mais me esqueci. Creio que pude compreender tão bem o sentimento do autor que me apoderei dele, e também persigo esta última crônica. Não sei se ele escreveu outras após esta, mas para mim, esta sempre será a derradeira.

Para mim, sempre que escrevo, gostaria de poder transmitir a intensidade e a leveza de uma última crônica. Entretanto, seguindo um conselho de meu amigo Raginho, procuro não escrever mais do que uma página. Difícil, devo admitir. Entretanto, para mim torna-se um excelente exercício de auto-controle.

Aliás, acho engraçada a forma como lido com meus sentimentos. Já fui chamado de androide, porque, segundo a definição dada pela pessoa, eu tenho sentimentos, mas não consigo expressá-los. Creio que por vezes me falta isto mesmo. Talvez meu auto-controle seja mais aguçado para meus sentimentos do que para meu gosto por escrever, ou simplesmente escrever seja minha forma de extravasar. Não sei.

Ainda há pouco olhava um filme, por nome O Aprendiz, no qual um general nazista, após esconder-se por muitos anos, é descoberto por um jovem que desenvolve um relacionamento com ele. Aos poucos as lembranças vão despertando sentimentos há muito tempo escondidos, sentimentos estes que vão causando um certo descontrole emocional. Em um momento do filme, ele adverte: estás brincando com fogo, rapaz.

Isto acende um alerta no que diz respeito ao que alimentamos ou afastamos de nós. Como diria Thomas Hobbes, o homem é lobo do homem. Na medida que vamos atrás de informação sobre determinado assunto, procurando, buscando aquilo, evidenciamos o assunto e as consequências destes atos em nossas vidas, seja a glória ou a ruína que aquilo nos traz.

Sabem o que mais? Relendo este texto, fico com um gosto de quero mais; fico com um sentimento de que poderia sobejar ainda mais estes assuntos. Entretanto, em um determinado momento da minha vida entendi que não podemos e não devemos querer saber tudo na vida, pois isto implica em certas responsabilidades e numa perda pelo gosto que o desconhecido nos traz.

Samuel Bonette

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Percepções x fatos x percepções


percepções, sentimentos, fatos, vida, relacionamentos - www.samuelbonette.blogspot.com.br
Há quanto tempo não vinha aqui... Lembro que no início de 2011 prometi a mim mesmo que postaria no mínimo um texto por mês, mas não consegui. Entretanto, melhorei com relação a mim mesmo nos anos anteriores, pois postei 7 textos em 2007, 6 em 2008, 3 em 2009, 1 em 2010, e ano passado postei novamente 6. Meu desafio é escrever no mínimo 7 este ano novamente, mas não sei se conseguirei; mas a vida é assim, o objetivo dos desafios é justamente nos tirar da inércia ou zona de conforto, e nada melhor do que começar isto num dia em que talvez o que eu faça de mais produtivo seja justamente escrever aqui no blog. Feriado de sexta-feira santa mais preguiçosa que esta estou para ver.
Desde meu primeiro texto, em fevereiro de 2007, já se passaram 5 anos. Algumas coisas mudaram muito na minha vida, outras nem tanto. Lembrava que em agosto de 2007 escrevi um texto chamado Auto Imagem falando sobre as percepções que as pessoas tem de nós em contraste com as percepções que temos de nós mesmos. Hoje reli o texto e pude perceber que o tempo clareia algumas coisas em nós. Ainda não tenho capacidade de estressar totalmente o assunto, mas creio que posso lançar alguma luz sobre o assunto, ainda que não com o mesmo viés.
Passado o tempo, e tendo aprendido uma pequenina parcela a mais, vejo que as percepções das pessoas são baseadas no que deixamos transparecer. Desta forma, podemos condicionar o comportamento das pessoas para que suas percepções sejam exatamente aquilo que queremos que percebam.
Exemplo: posso até não ser mal-humorado, mas se, toda vez que alguém vier falar comigo, eu transparecer mau-humor ou simplesmente não transparecer bom-humor posso condicionar a percepção daquela pessoa e até seu comportamento com relação a mim mesmo; posso, por exemplo, evitar que venha me convidar para um amigo secreto porque ela vai achar que eu não vou querer participar ou porque ela não vai querer alguém mau-humorado em sua festa.
Por outro lado, psicopatas são frequentemente descritos como pessoas simpáticas, cativantes, com magnetismo, carismáticas e outros atributos invejáveis. Porém, usam todos estes atributos justamente para manipular as pessoas e esconder suas psicopatias e crimes. Recentemente um documentário da National Geographic demonstrou como funcionam os shows de “mágica”, que na verdade são puro ilusionismo, uma vez que o cérebro humano não consegue direcionar sua atenção para duas coisas ao mesmo tempo, conforme comprovaram.
Assim, mulheres maquiam-se para chamar a atenção para seus olhos ou boca, usam roupas provocantes para trazer a atenção para seu corpo ao mesmo tempo em que desviam a atenção de suas eventuais fragilidades ou sua capacidade intelectual; homens gabam-se de beber muito para anular a atenção sobre seus medos e frustrações amorosas; crianças causam problemas para chamar a atenção para si ao invés de outras coisas que preocupam os pais; adolescentes mentem porque é vexatório ainda não ter beijado, e assim sucessivamente.
Hoje vejo que pessoas frequentemente tentam condicionar o comportamento das outras para que ajam exatamente como querem. Entretanto, certa vez um homem ao ser extremamente vilipendiado por outro, disse: Por mais que tu me trates mal, sempre vou tratar-te bem, pois o meu bom comportamento não vai alterar-se pelo teu mau comportamento.
Está aberta a temporada de textos. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os melhores discursos de toda minha vida

Os melhores discursos de toda minha vida - www.samuelbonette.blogspot.com
De fato, meus melhores discursos jamais foram proferidos. Os mais eloquentes, comoventes, enriquecedores e questionadores argumentos jamais saíram do meu pensamento, em razão do hábito de ficar imaginando o que responder, quando me falam alguma coisa. 



Ainda hoje pedi ajuda a uma pessoa e esta se mostrou reticente em me ajudar. Perguntou: 




- Se eu não for vai fazer falta? Tenho mesmo que ir? 




Nada respondi. Absolutamente nada. Mas em minha mente formulei um discurso arrebatador! Ele começava da seguinte forma: 




- A pergunta não é esta. A pergunta que tu tens a fazer a si mesmo é: Eu quero ir? Porque sem vontade não fazemos nada. E mesmo a pior tarefa se torna algo pequeno e irrisório quando temos gana de fazer aquilo.




Contudo,  enquanto formulava este discurso me ocorreu que muitas vezes dizemos sim quando queremos dizer não, e outras dizemos não quando queríamos dizer sim. São situações que nos ocorrem por conta das peças que a vida nos prega, quando empenhamos nossa palavra ou atitudes com pares que formamos. Por vezes, numa aliança, optamos por fazer aquilo que não desejamos, abrindo mão de nossos próprios interessem em favor de outrem. É como naquela situação em que uma pessoa vai cuidar de seu tio que lhe humilhou e menosprezou a vida toda, mas que agora, em sua velhice, não tem ninguém para cuidar dele.




Nobres pessoas, com apuradíssimo senso de dever e amor. Pessoas de profunda e complexa composição, donos de sentimentos e desdobramentos insondáveis e não conhecíveis. Destes quero me manter próximos. Não quero estar próximos a pessoas fúteis que consigo identificar seus cerceamentos em apenas cinco minutos de conversa. 




De fato, sempre guardarei meus melhores discursos. Mesmo pérolas nada valem se lançadas aos porcos.




Samuel Bonette

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Está ruim? Pode piorar...

Bom, ruim, melhor, pior - www.samuelbonette.blogspot.com
O ruim nem sempre é o pior. Constatação óbvia, podem até dizer alguns, mas nem sempre é tão óbvia. Ruim é, por definição, algo desagradável, mau, que não presta. Pior é aquilo que de mais desagradável poderia ocorrer. Dentre todas as opções, a mais infame, insensata, imprudente ou desacertada. Obviamente que sempre tentamos acertar, mas por diversas vezes acabamos piorando tudo. Temos vários exemplos nos quais foram feitas mudanças, a título de melhoria, mas estas vieram a causar ainda mais transtornos do que havia anteriormente.

Um exemplo rápido: o pão francês, vulgo cacetinho, era vendido no país inteiro por unidade. Alguns lugares cobravam R$ 0,20, outros R$0,15, outros R$ 0,30, e os mais baratos cobravam R$ 0,10. Tempo bom, não? Não era isto o que pensavam os legisladores brasileiros: fizeram uma lei determinando que todos os estabelecimentos comerciais passassem a vender o referido pão a quilo, alegando que os valores praticados eram incoerentes, uma vez que cada lugar fazia o pão com tamanho conforme achasse melhor. Resultado: hoje compramos pão por R$ 0,40, R$ 0,50, R$ 0,45, e os mais baratos por R$ 0,30 (bastando para isto dividir o valor total pelo número de unidades). Um verdadeiro absurdo, uma triste realidade, um real exemplo do que mencionei acima: o ruim nem sempre é o pior.

Estas situações ocorrem normalmente quando não conhecemos a essência, somente o procedimento. Não sabemos por qual motivo isto é feito assim e por qual motivo aquilo é feito de outra forma; quando temos ciência somente das relações entre causa e efeito, mas desconhecemos o que ocorre entre uma ponta e outra, entre o input e o output. No momento em que somos questionados e não sabemos porque fazemos, passamos a ser questionadores também, e a tendência é abandonar o comportamento. Exatamente neste ponto é que mora o perigo, pois algo aparentemente pequeno ou insignificante pode mudar o rumo de toda uma vida, as convicções, comportamentos e até destinos. 



Quando desconhecemos a essência, estamos sempre sujeitos o ser pegos de surpresa pelos questionamentos da vida e ficarmos sem respostas. O trem da vida não para porque tem alguém perdido no meio dos trilhos. Outro comportamento comum nestes casos é se apegar a regras; comumente, quando esta surgiu, foi por que chegou-se à conclusão que determinado procedimento era o mais eficaz para atingir determinado resultado; entretanto, com o tempo, o conhecimento vira mero treinamento, e o procedimento, que deveria ser um meio, torna-se o fim, virando assim alvo de imutabilidade adquirida. O foco recai sobre o procedimento, e não sobre o objetivo final, esvaziando de sentido e engessando desnecessariamente as coisas.



Portanto, sempre que levantamos um questionamento devemos ser tão sinceros quanto for possível, pois além de gerar até alguma desorientação no questionado, podemos também levar a uma mudança de comportamento que tornará tudo ainda mais caótico do que já é. Devemos questionar sim, para que tenhamos a chance de melhorar, mas evitar a questão leviana e infundada, e especialmente ter muito cuidado ao tomar qualquer decisão, pois delas partem os caminhos da vida.



Samuel Bonette

domingo, 8 de maio de 2011

Aquela pedrinha no sapato...

Pedra, sapato, perspectivas, vida - www.samuelbonette.blogspot.com


Existe uma expressão chamada "pedra no sapato". Normalmente se refere a alguma coisa que impõe dificuldades a outrem. É uma expressão bastante utilizada, especialmente quando em competições. "Fulano é a pedra no sapato do Sicrano" - normalmente é a frase proferida. 

E, de fato, uma pedra no sapato incomoda. Fica aquela situação de desconforto ou irritação intermitente, dói quando pisa, incomoda quando o pé está no ar, é uma sensação horrível. Me lembro até de uma vez na qual um empregado de meu pai relatou que seu pequeno filho estava reclamando de algo dentro de seu tênis, e quando foram ver, era uma aranha que estava dentro do tênis, que por sorte não conseguia se virar para picar seu filho. Evidentemente que uma pedra no sapato é uma situação bem menos perigosa, mas não menos preocupante.

Todavia, o que mais me chama a atenção não é o fato da pedra incomodar tanto, mas sim o tamanho desta pedra. A pedra do sapato normalmente tem um tamanho pequeno. Fora do sapato ela é totalmente inofensiva; não se poderia atirá-la em alguém ou animal, em auto-defesa, pois não surtiria efeito; não se poderia atirar a pedra num pássaro ou ave qualquer, num momento de necessidade, para matar e comer a ave, pois não a abateria. A pedra é pequena demais, tão pequena que mesmo seu peso não seria suficiente para esmagar uma formiga. Não se pode fazer absolutamente nada com esta pedra, a não ser desprezá-la. A pedra no sapato é algo insignificante enquanto pedra.



Porém, esta mesma pedra dentro do sapato incomoda demais. Isto me leva a concluir que, por ser insignificante fora do sapato, desprezamos-na, quando deveríamos entender que ela se torna incomodativa dentro do sapato justamente porque a desprezamos fora dele. Se fosse uma pedra de tamanho considerável, ao vermos a mesma dentro do sapato, imediatamente a retiraríamos, pois com certeza nem seríamos capazes de calçar o sapato. 



Entretanto, por seu pequeno tamanho, nem mesmo a notamos, e se vemos, desprezamos-na. É interessante como algo tão pequeno pode se tornar tão grande. A segunda conclusão que tiro é que a pedra incomoda porque o sapato é do tamanho do pé, ou pouca coisa maior. Se o sapato fosse maior que o pé provavelmente também não incomodaria. A questão é que o sapato é do tamanho do pé, e não há espaço dentro dele para nada além do próprio pé; nem para uma minúscula pedra.

Considerando o sapato como sendo nossos caminhos, e as pedras aqueles obstáculos que encontramos, por diversas vezes o que mais nos incomoda não são as coisas grandes, mas sim as pequenas. No filme "Ele não está tão a fim de você", por exemplo, ocorre uma situação de separação entre um casal porque o esposo esconde de sua cônjuge um velho hábito de fumar, e não porque ele a havia traído. Ela era capaz de perdoar uma traição, mas não o fato de ele esconder um hábito.

Da mesma forma, quando encontramos grandes obstáculos, damos importância a eles, bolamos formas de enfrentá-los, enfrentamos, nos dispomos ao esforço e vencemos; quando não os vencemos, ainda assim reconhecemos que perdemos para um grande obstáculo. Agora, os pequenos nos passam desapercebidos, são desprezados, são ignorados, são perigosamente deixados para depois, e estes são justamente os que por vezes nos derrubam, fazendo sofrer, nos irritando e roubando a paz. 

Estes podem ser da mais diversa natureza: palavras atravessadas, pessoas que nos irritam, diferenças de idéias, times rivais, simples gestos, um quadro torto, enfim, um leque infinito de opções. Precisamos urgentemente remover as pequenas pedras dos sapatos, ou então encontrarmos sapatos maiores. Se não fizermos um ou outro, vamos sofrer demasiadamente por coisas pequenas.

A boa notícia é: não há maior sensação de alívio em nossa caminhada do que uma pedra, a pequena pedra, retirada do sapato.

Samuel Bonette

domingo, 24 de abril de 2011

Mudança de quatro estações

Mudança de quatro estações - www.samuelbonette.blogspot.com
Está chegando o inverno. Já começamos a tirar as roupas de frio do armário, surgem as primeiras temperaturas abaixo da casa dos 20 graus Celsius, surge aquela vontade de fazer um fogo numa lareira... até o chimarrão fica com mais gosto nesta época do ano. 


E com o inverno, também vem aquela preguiça natural, aquela vontade de ficar em casa, embaixo das cobertas, ou então abraçados no sofá, olhando TV. Espero que este frio me dê vontade de escrever mais, também. No início do ano me propus a escrever um texto por mês, e estou devendo a mim mesmo (e por tabela, a quem frequenta o espaço) um texto, de fevereiro. 


Engraçado como as estações do ano nos influenciam do decorrer do tempo, nos colocando nesta ou naquela situação; o verão abre o ano, com todas expectativas, muitos planos, normalmente muita festa, dias intermináveis e ensolarados, aquele calor nos impelindo para a praia, piscina, ou mesmo rios e lagos, nos dando a ilusão de que o ano será só de conquistas e felicidades. Já no outono, é como se batesse uma ressaca do verão; as festas já não nos seduzem tanto, pois começam as aulas, o trabalho fica mais intenso, o frio vem descendo, os dias ficam mais curtos. 


O inverno nos enclausura dentro de pesados e grossos casacos, nos fazendo sorver líquidos e alimentos substancialmente quentes e calóricos, empurrando-nos para o aconchego de nosso lar. Quando chega a primavera, com seu aumento de temperatura, suas festivas datas coloridas, pressentimos que o verão está às portas, e isto nos empolga, nos levando a um novo ano, com todas as estações. Olhando assim, até parecemos plantas, regidos pela lei da natureza, estações da lua e variações de temperatura. Seja como for, assim somos, e assim agimos, ano após ano, estação após estação.


Engraçado, pois o assunto sobre o qual eu queria escrever era totalmente outro, mas fui impelido a este. Certas coisas são assim na vida, sem explicação aparente. Talvez se tivesse falado sobre o que queria inicialmente, não chegaria a este ponto ao qual estou chegando agora: A vida é como água parada, mas de repente cai uma pedra nesta água e movimenta tudo ao seu redor, mudando tudo totalmente de lugar. Quando estas coisas acontecem, sabemos quem somos e para onde vamos? E quando esta mudança é a própria morte? Estamos sempre preparados para esta imprevisível visita? Tu estás?


Samuel Bonette

domingo, 3 de abril de 2011

Mar alto da paixão

Mar, paixão, Djavan, persistência - www.samuelbonette.blogspot.com
Morei três anos em Torres, uma cidade litorânea do RS. Adoro o mar. A foto ao lado foi tirada lá. Ela também é capa de fundo do blog. Uma vez estávamos em Torres, e minha mãe comentou como achava lindo e interessante que o mar sempre tivesse onda. Meu pai respondeu: "Ah, mas isso ele não desiste nunca!!" Muito engraçado, especialmente no momento, pela espontaneidade. Mas, é interessante, o fato do mar não desistir nunca. Interessantíssimo, aliás. 

Claro que se pode afirmar que é meramente o vento soprando a água em direção à terra, e no momento em que a profundidade da água tornou-se exígua, a água se choca contra o fundo do oceano; mas isto não é o porque, isto é o como. Afora estes fatos, fato é que sempre há rebentação, portanto, ele não desiste nunca. 


Mas não é só o mar que se comporta assim. Thomas Edison, famoso inventor do que viveu entre 1847 e 1931, inventor com mais de mil invenções, entre elas a lâmpada elétrica, o cinetógrafo - primeira câmera cinematográfica de sucesso - fundador da General Eletric, era assim. Até conseguir criar a lâmpada elétrica, teve muitas tentativas frustradas. Sabe o que disse sobre elas? "Eu não falhei. Encontrei dez mil soluções que não davam certo. 


Grande persistente. Oscar, um dos maiores pontuadores do basquete mundial, de apelido "Mão Santa", sempre ressalta que, para chegar a esta patamar, teve de treinar muito. Reza a lenda que uma vez acertou 90 arremessos seguidos de três pontos, o arremesso de maior dificuldade do basquete. Assim como estes, há diversos exemplos de sucesso pela persistência.


Embora sempre existam dificuldades, para todos, a persistência deve ser maior. A disciplina nos impulsiona para a repetição, que evoca o esforço, que por sua vez traz consigo a habilidade, e este nos leva para o sucesso. Sucesso, como já falei anteriormente, é atingirmos aquilo a que nos propomos. Entretanto, durante todo este processo, é necessário persistência. 

Talvez seja chato acordar oito horas da manhã na segunda feira e ter de ir trabalhar, mas ninguém começa por cima. Se alguém está num lugar superior ao teu, é porque com certeza aquela pessoa fez mais do que tu em algum momento da vida dela. Isto não quer dizer que não podes chegar lá, mas sim que é necessário trilhar o caminho descrito no início deste parágrafo para chegar lá.


Então, sejamos sempre persistentes, sempre esforçados, sempre prontos a tentar mais uma vez, sempre aptos a desprezar o fracasso anterior e mais uma vez, persistentemente, começar a caminhada. Uma hora vai brilhar. Sempre o mar, sempre as ondas... ah, ele não desiste nunca.


Samuel Bonette

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

E a vida continua, e se renova

E a vida continua, e se renova - www.samuelbonette.blogspot.com
Há quanto tempo não vinha aqui... Já estava com saudades! Muita coisa mudou no Blogger, e fui surpreendido positivamente pelas mudanças. Os layouts podem ser alterados com mais possibilidades e facilidades; creio que o novo layout que apliquei melhora a visualização para os leitores.

Desde a minha última postagem, (que já faz bastante tempo, infelizmente) se passou quase um ano, e neste ano coisas aconteceram; algumas boas, outras más, outras indiferentes, outras tantas que passaram desapercebidas. Entramos em um novo ano, mas tal qual o início do ano passado, temos algumas catástrofes acontecendo ao redor do mundo, e também aqui no Brasil; muitas pessoas passando fome, muitas pessoas desabrigadas, muitas tristezas; por outro lado, vários casais que conheço estão prestes a serem pais, aumentando a alegria em muitos círculos de amizade próximos a mim, um clarinetista de 21 anos passou em primeiro lugar na UFPE sem nunca ter feito nenhum cursinho pré-vestibular, cientistas comprovaram que anticoncepcional não engorda, os chilenos foram salvos da mina, etc, etc, etc.


Alguns filósofos discutiam se a vida era cíclica ou linear. Independentemente disto, é fato que tenho me atraído cada vez mais por "fragmentos" de história. Costumeiramente pensamos nas histórias com início, meio e fim. No entanto, acho interessantíssimo como alguns fatos acontecem e mudam por demais a história de vida das pessoas. Pessoas que caminhavam em uma determinada direção de repente mudam completamente seus planos, suas vidas, suas histórias em consequência de um acontecimento. Por estes dias revi o filme "Náufrago", o qual relata a história de um amor que foi interrompido por uma fatalidade. Após sobreviver a um acidente de avião e viver mais de quatro anos isolado numa ilha deserta, o personagem principal (Tom Hanks) consegue retornar a tudo o que tinha antes, mas descobre que, apesar de serem as mesmas pessoas, tudo está diferente. Seu grande amor (Helen Hunt) agora está casada com outro homem, tem um filho, tem toda uma vida em função desta nova realidade.


Três momentos me marcam profundamente neste filme: o primeiro no qual a atriz Helen Hunt diz a Tom Hanks que sempre soube que ele estava vivo; o segundo, no qual os dois declaram continuarem se amando, e serem ambos o grande amor da vida do outro; e o terceiro, no qual Tom Hanks relata a um amigo que, nos quatro anos que se passaram, ela foi o motivo de se manter vivo, o combustível para todo seu esforço, foi o seu norte, a razão de viver, de tentar retornar, inclusive arriscando-se em alto mar com uma barcaça grosseira. Que profundidade de mistério! Não obstante estes fatos, pela forma como as coisas ocorreram, ambos optaram em seguir suas vidas separados, pois suas vidas tinham corrido tanto tempo assim que as diferenças eram irreparáveis.


E por diversas vezes a vida acontece assim, confundindo, dando reviravoltas, mudando o curso, costurando e desentrelaçando relacionamentos, transpondo fatos, enfim, virando tudo de cabeça para baixo. Mas o mais interessante nisto tudo é que ela continua, e é isso que temos que ter em mente. Olhando com a perspectiva de um futuro através do passado, vamos aprendendo, vamos melhorando, vamos vendo que é correto o que disse a Bíblia em Eclesiastes: Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Ec. 3.1

Samuel Bonette