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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A fé contida na vida

Fé, Vida, Amor, Esperança, Deus - www.samuelbonette.blogspot.com.br
Hoje quero falar sobre uma coisa que há muito tempo não falo (pelo menos não diretamente) aqui no blog: FÉ. Engraçado que convivo com esta palavra desde muito pequeno e nunca tinha conferido o significado dela no dicionário. Na definição bíblica, "fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se vêem". Já na definição do dicionário, segundo o site Priberam, fé é "adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro". Também consta entre seus significados: fidelidade, prova. Por curiosidade, pesquisei também o que é espírito, e encontrei a seguinte definição: "coisa incognoscível que anima o ser vivo". Achei bastante interessante. 

Hoje em dia, é difícil ter fé. Embora esteja comprovadamente enraizada no ser humano, é difícil esta coisa incognoscível que anima o ser vivo (espírito) aderir de forma não relativa (absoluta) àquilo que se considera real (verdadeiro). Porquê? Porque, da definição inicial, perdemos quase todo o referencial. Tem uma frase que tem sido bastante usada para nos criticar que diz: a tragédia desta geração é o corpo bonito e a alma feia. A geração pós-moderna é ainda muito nova para ser definida e muito recente para não aprender com seus erros e corrigir sua trajetória mas não posso discordar totalmente e também não quero concordar, nem de longe 

É difícil ter fé pois entendemos que só existe aquilo que se pode conhecer. Entendemos também que só se pode conhecer algo através dos sentidos: podemos ver o sol, portanto ele existe; da comida, sentimos o sabor, então, ela existe; o vento toca nosso rosto e embaraça nossos cabelos, logo, ele existe; ouvimos o barulho do mar, é prova que ele existe. Sentimos o cheiro ruim do chulé por que, infelizmente, ele existe. Mas o que me garante que o espírito existe, se a sua própria definição diz que ele é incognoscível, logo, não se pode conhecer 

É difícil ter fé por que "tudo é relativo", portanto, "nada é absoluto". Se pai é quem cria, então quem "cedeu" o espermatozóide para fecundar o óvulo não é pai, eis a relatividade da paternidade; uma mulher que joga seu filho recém-nascido numa lixeira não é mãe e agora resta relativizada a maternidade. "Um minuto para o fim do mundo, toda a sua vida em 60 segundos" relativizou o tempo e a existência de ser humano em todas as eras. Eu dentro de minha casa e o resto do mundo dentro da minha CPU através da web, relativizado está o tamanho do mundo e a distância de qualquer coisa. 

É difícil ter fé porque Matrix e A Origem nos puseram dúvidas sobre o que é realIluminatis e a vasta filmografia existente nYoutube a respeito de teorias da conspiração nos fazem duvidar da realidade de qualquer coisa; agora podemos saber que a Copa do Mundo foi comprada, que as Torres Gêmeas foram derrubadas pelos Iluminatis e tudo mais. Está tudo aí, é só pesquisar, a realidade realmente não é aquilo que pensamos ser real.  

Porém, não achamos que é difícil acreditar em inúmeras coisas; por exemplo: nosso espírito adere absolutamente a crença que outros planetas existem, embora dos quase sete milhões de pessoas existentes no planeta, menos de 600 humanos tenham ido ao espaço; e porque fazemos isto? Só porque alguém disse que existem. E tomamos estas afirmações como verdade absoluta. E gritamos aos quatro ventos que são reais, inadmitindo hipótese diversa desta. E isto é um pequeno exemplo de muitas coisas nas quais temos fé e convivemos diariamente. 

Na verdade, concluo não é verdade que não temos fé, mas sim temos rejeição a associação da fé com religião (especialmente as tradicionais); até para não acreditar em nada é necessário ter fé. Então, não é difícil ter fé, ao contrário do que havia dito nos parágrafos anteriores, mas sim é necessário revisar ou revisitar no que temos fé. Muitos pensam ser cool ir num templo budista fazer meditação mas tosco entrar num templo evangélico para fazer uma oração ou assistir a um culto. Acreditam no "poder reveladono livro O Segredo mas duvidam da Bíblia, um livro mais que milenar com inúmeras profecias cumpridas. Acreditam em forças cósmicas ou místicas mas desacreditam na existência de um Deus que tem poder para criar tudo o que existe.  

Enfim, uma das características que achei mais legal na definição de fé é que ela não nos bajula mas sim nos confronta, falando, por exemplo, sobre espírito, que não podemos conhecer tal como fazemos atualmente, através dos sentidos, mas é que nos anima, ou seja, dá vida; fala também de coisas verdadeiras, fala de se entregar totalmente. Tal como um pai, que sempre pesa prós e contras ao nos aconselhar mas deixa a decisão final para nós, a fé está sempre presente, quer queiramos, quer não. Estas características também são atribuídas a quem? Deus. 

Samuel Bonette

sexta-feira, 25 de julho de 2014

É com educação que se resolve

Educação, Bibiana, Faculdade, Direito - www.samuelbonette.blogspot.com.brEstou na expectativa da formatura da BibianaApós alguns anos de esforço, de acordar cedo, dormir tarde, estudar muito, ter provas difíceis e outras fáceis, tirar notas boas e ruins, ir até a universidade e o professor não ter comparecido, não ir a universidade e o professor ter comparecido, cochilar na sala de aula, entrar na sala errada, entrar na sala certa e pensar que era a sala errada e todas aquelas situações corriqueiras ou inusitadas que todos os estudantes passam, finalmente vai se formarTambém já passei por isto, com uma diferença: não fiz cerimônia de formatura, fiz formatura em gabinete. 

Porém, se engana quem pensa que me sinto frustrado por ter feito isto; nunca me importei muito com formalidades e também nunca dei atenção exagerada a uma conclusão de curso, fosse ele qual fosse. Óbvio que nem ouso comparar um curso superior com um curso de extensão ou ensino médio, de forma alguma, mas nem mesmo o curso superior foi capaz de causar alguma reação maior em mim. Por outro lado, também engana-se quem pensa que a Bibiana está super empolgada com a sua formatura; está feliz, está fazendo os trâmites necessáriosnaturalmente apreensiva quanto ao TCC, mas a empolgação termina por aí. 

Lembro que há alguns anos atrás (era mês de dezembro, se não me engano) fui na casa da minha irmã; lá chegando, fui informado que meu sobrinho, que então frequentava uma escolinha, teria uma festa de formatura logo em seguida, naquele mesmo dia. Quando indaguei qual a formação, me disseram que faziam esta "formatura" todos os anos, quando passavam de uma série para outra. Fiquei me questionando para quem aquilo fazia sentido, se era para as crianças, para os pais, para as professoras, para a instituição, enfim. Confesso que não cheguei a conclusão alguma. 

Talvez nunca antes os estudos tenham sido tão valorizados quanto nos dias atuais. Com isso, os valores sobem; dentro das regras de mercado tem a fatídica lei da oferta x procura, que diz que, se a procura por um produto é grande, o seu preço tende a subir; na esteira deste efeito, tudo o que se relaciona àquele produto tem seu preço aumentado. Quando a Bibiana começou a pesquisar valores de produtoras para fazer uma festa de formatura, pudemos verificar que uma viagem a Europa era mais barata que alguns pacotes oferecidos. Talvez seja por isto que uma escolinha, que não dá formação alguma (no sentido acadêmico da palavra) faça uma festa de formatura: para valorizar o conhecimento desde então, também para valorizar seu produto e quem sabe cobrar um pouquinho a mais na mensalidade por isto. 

Por outro lado, esta valorização nem sempre alcança os professores. Ano após ano vemos reclamações, mobilizações e muitas vezes greves de professores reivindicando melhores salários, especialmente na rede pública de ensino. Não faço coro a eles porque entendo que estão na profissão porque escolheram e quando escolheram já sabiam que era assim, mas também não me somo aos seus opositores, pois é extremamente complicado ver um país que precisa tanto de ensino valorizar tão pouco estes profissionais. No Japão, apesar de ser aparentemente falsa a história que os únicos que não precisam inclinar-se perante o imperador são os professores, estes profissionais são extremamente valorizados, assim como em outras partes do mundo. 

Cristóvão Buarque, que já foi Ministro da Educação e candidato a Presidência da República, tinha na época como principal proposta a melhoria na educação desde país. Em continuação a egressa piada futebolística dos 7 x 1 aplicados no Brasil pela Alemanha, este último país tem 103 prêmios Nobel contra nenhum do primeiro. Quando vemos números como este, um mísero resultado de uma partida de futebol toma sentido ínfimo. Estamos vivendo a Era do Conhecimento, de fato, mas, ao que parece, isto não chegou ao conhecimento de muitos neste país, especialmente aqueles do Poder Público, o que torna público nosso atraso no cenário mundial. Triste, mas verdadeiro. 

Contudo, há esperanças. Os países que hoje são referência em educação nem sempre o foram; os países que hoje são ricos, nem sempre o foram. Mesmo no Brasil, os números de pessoas estudando, de pessoas que completam o ensino básico, médio e superior tem avançado. Entraríamos rapidamente na questão da qualidade deste ensino, mas isto fica para outra vez. Agora, fico com a esperança. Admitir a existência de um problema é o primeiro passo para solucioná-lo. 

Samuel Bonette

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Amigos fáceis, amigos sinceros

Amigos, sinceridade, relacionamento, vida, amizade - http://www.samuelbonette.blogspot.com.brHá um tempo atrás fui a um churrasco com amigos. Um deles levou seu filho, que deve ter uns quatro ou cinco anos. Assim que chegamos na churrasqueira, ele avistou um playground e foi lá brincar. Nós ficamos ali, salgamos e espetamos a carne, fizemos o fogo e colocamos a carne para assar, como bons gaúchos que somos. Passado um tempo, o guri começou a me chamar para brincar e eu respondi que ele era “muito velho para brincar comigo”. Ele ainda insistiu um pouco mas logo desistiu quando outra criança aproximou-se com um cachorro. Sem cerimônia alguma, simplesmente foi ao encontro daquela criança e em dois minutos já estavam conversando e brincando como velhos amigos.

Quanta naturalidade em fazer novas amizades!

  Notem que eu disse naturalidade, e não facilidade. Disse o senhor Aristóteles que o homem é um animal social, mas não definiu a intensidade desta socialização. Por vezes é realmente difícil a interação entre seres humanos, como posso notar em várias situações, mas não entre crianças. Para elas, o outro é simplesmente... outro. Em geral, não tem malícia, não tem maldade, não tem pré-conceitos, não tem dificuldade, meandros, melindres, burocracias, expectativas exacerbadas, formalidades, cerimônias, desconfiança ou outra coisa que as impeça de se aproximarem e começar uma conversa.  Já adultos, os “super-humanos”, capazes, instruídos, experientes, não conseguem fazer isto de forma simples! É impressionante! Fico me perguntando em que momento perdemos esta habilidade.

Claro que, de forma alguma, desprezo o fato de que há pessoas mais introvertidas e outras mais extrovertidas, o que facilita ou dificulta a tarefa de fazer novos amigos (mas também me pergunto quanto que esta própria característica é nata ou introjetada). Também não desprezo a maldade ou a inclinação para fazer o mal que as pessoas tem e o quanto que isto nos limita ou nos deixa “com um pé atrás” na hora de fazermos novas amizades, mas ainda assim, não consigo entender a dimensão da naturalidade das crianças versus dificuldade dos adultos. Não me parece razoável nem me é compreensível.

Talvez percamos esta naturalidade quando notamos que conseguimos tirar vantagens dos outros e ao mesmo tempo não queremos que façam isto conosco, ou, abstraindo e extraindo o conceito, quando queremos receber mais e dar menos. Defendo a tese que, se eu for dar algo, esta minha atitude tem que ser livre da expectativa de retribuição. Concordo que isto talvez não seja natural do ser humano, mas vejo muitas pessoas frustradas porque dão algo e não recebem o esperado em troca. Penso que deveriam estar felizes porque se propuseram a fazer algo e atingiram seu objetivo; se houver retribuição, melhor ainda; se houver a retribuição esperada, MARAVILHA!


Se não fazemos isto, nos tornamos ilhas. Nos tornamos como os países que querem manter sua balança comercial positiva então tentam comprar pouco e vender muito. Assim, se todos fazem isto, ninguém compra de ninguém e todos ficam estagnados. Amizades não funcionam assim. Não são quantitativas nem fórmulas matemáticas de soma, subtração, divisão e multiplicação. Entendo que deva haver doação sincera e, muito embora a maioria melhore com o tempo, também que não necessitam ser eternas ou intensas todo o tempo.

Me sinto, neste momento, agradecido por todos meus amigos. Não são poucos, não são todos da mesma profundidade, não posso os ver ou falar com todos sempre, porém todos possuem sua importância, momento e lugar no meu coração. Também não levo nenhuma mágoa ou ressentimento no coração nem mesmo daqueles que em algum momento tiveram um comportamento ou atitudes duvidosas pois estes, como diria o capitão Nascimento, me deram “um tombo para cima”. Só sigo em frente, buscando recuperar a naturalidade em fazer amigos, aumentar minha habilidade em valorizar as pessoas e ser feliz por tudo o que Deus me proporcionou e continua proporcionando. Muito obrigado, muito obrigado!!

Samuel Bonette

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Sim, há pessoas insubstituíveis

Sim, há pessoas insubstituíveis - www.samuelbonette.blogspot.com.br
E aí pessoal... é uma grande alegria poder estar aqui novamente escrevendo para vocês, leitores queridos, que me dão um pouco de seu tempo e a honra de seu prestígio aqui neste blog. Sem vocês aqui, com certeza, eu não seria tão feliz e realizado. Nem sempre é uma tarefa fácil escrever e também imagino que nem sempre seja fácil ler o que escrevo nestes dias em que “tempo é dinheiro” (vide Comprando o tempo), dias em que as pessoas querem “ler as figuras”, em que as pessoas ficam menos de 10 segundos num site e já abandonam o mesmo; mas vocês me dão este privilégio e agradeço a Deus pela vida de todos.


Aliás, justamente sobre isto que queria falar um pouco hoje: pessoas. Não há nada tão fácil e tão difícil ao mesmo tempo do que falar sobre pessoas, e aqui não me refiro a comportamentos ou sentimentos que elas tem, mas sim, falar sobre as próprias pessoas. Alguns podem afirmar que é fácil falar sobre isto um vez que a literatura atual tem sido invadida por este tema, especialmente no que tange a literatura empresarial, então há bastante referencial teórico para falar sobre isto; eu não poderia discordar dos que afirmassem isto, pois é esta a realidade.

Entretanto, parece que quanto mais se fala em pessoas, mais complexas elas ficam; é como se elas lessem os livros que falam sobre a complexidade do comportamento humano e incorporassem outras complexidades constantes nos mesmos, somando as suas e tornando-se uma teia refinada de complexidades próprias e adquiridas. Ontem mesmo falava com um amigo que ficou alguns anos numa empresa e lá passou por várias fases diferentes; o mesmo comentava sobre como é impressionante o que aprendeu com cada um dos times e gestores diferentes que teve. E o mais legal: ele ressaltava que, em todas as mudanças, sempre conseguiu pegar o que tinha de bom em cada uma delas.


E, sobre tudo o que poderia falar sobre as pessoas, gostaria de falar sobre uma característica que talvez seja a mais importante de todas: a singularidade. Somos mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, cada uma diferente da outra, seja na aparência, modo de falar, andar, pensar, vestir, reagir diante de situações ou em qualquer outro aspecto que se possa pensar. Mesmo assim, por conta de existir esta quantia enorme de seres humanos, alguns acham fácil desprezar uma pessoa, pois “tem tantas outras”. Isto acontece especialmente no meio empresarial, onde as pessoas são contratadas pelas empresas para desempenhar uma determinada tarefa; como todos fazem a mesma coisa, usam o mesmo uniforme, tem o mesmo horário, estão no mesmo ambiente, com o tempo, aos olhos daqueles, tornam-se uma só coisa, uma massa disforme; e se algum destes “desprezíveis” não dá conta do recado, é rapidamente demitido e outro vem e toma o seu lugar, seguindo a mesma rotina mecanicista.

Obviamente que muitas vezes nos assemelhamos aos outros em algumas características, e normalmente quando isto acontece acabamos estabelecendo ligações com estes “iguais a nós”, formando grupos, formais ou informais. Isto torna quase que natural a comparação e avaliação das pessoas por um parâmetro único, e em algum momento admito que pode ser até salutar. Porém, se analisarmos cada um dos entes destes grupos, encontraremos dentro deles uma infinidade de características, opiniões, sentimentos e pensamentos que os diferenciam dos outros, tornando-o único e, sob esta ótica, é uma aberração considerar a simples hipótese de compará-las. Isto ocorre em qualquer atividade que se for desempenhar.

Acontece que as pessoas são, de fato, insubstituíveis (sem presunção alguma); podemos trocá-las por outras mas é impossível substituí-las porque cada uma faz o que faz do seu próprio jeito, de um jeito que nenhum outro poderia fazer; alguns podem fazer melhor, outros pior, mas jamais igual. Tenho aprendido isto e cada vez mais é importante termos isto fixo em nossas mentes, para podermos amar e valorizar as pessoas que temos ao nosso lado, os momentos que nos proporcionam, as possibilidades de caminhos diferentes a trilhar que trazem a nossas vidas e toda a complexidade que nos acrescentam, seja no âmbito familiar, profissional ou das amizades. Se alguém ainda tem alguma dúvida disto, faça o seguinte exercício: pense em trocar seus pais ou amigos por outros.



Samuel Bonette

sexta-feira, 6 de junho de 2014

N(amor)ados

N(amor)ados, namorados, mensagem 12 de junho - www.samuelbonette.blogspot.com
Junho é mês dos namorados! Independentemente de ser uma data comercial ou não, considero uma excelente iniciativa comemorar uma relação em que duas pessoas unem-se pelo mais nobre sentimento: o amor; lembro que, minha primeira postagem, no ano de 2007, intitulada "O beijo e o amor", falava sobre o amor, este sentimento que é tão especial e essencial nas nossas vidas. Como diria o poeta, “amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é dor que desatina sem doer” e por aí afora. Para se ter uma ideia da amplitude deste assunto, se tirássemos o tema “amor” das músicas  restariam menos que 10% delas, talvez. Diferentemente de outras coisas, salvo em pessoas portadoras de doenças psíquicas, nunca conseguimos ficar desapercebidos ou imunes a este sentimento que nos move.
        
O contrário do amor é a indiferença e não é o ódio, como muitos poderiam pensar; o ódio, em sua maioria, é um amor não correspondido, um amor frustrado ou ainda um amor traído. Neste momento em que a exaltação a uma relação amorosa fica tão em evidência, exposto nas vitrines dos rostos daqueles que amam, como é de praxe, há a reação natural da outra ala, a ala solteira (o que nem sempre significa solitária, como poderia se supor). Diversas são as reações: algumas engraçadas, outras carentes, raivosas, condescendentes e por aí afora. Conversando com alguém sobre amor, disse-me a pessoa: Estou esperando alguém me amar primeiro. Frase bonita, pensei na hora; logo em seguida, perguntei para mim mesmo: o que será que isto significa? Imaginei três opções:

1.      Simplesmente o velho recurso “quem desdenha quer comprar”, ou seja, "já que não tenho um namorado, então este dia não serve para nada; além do mais, o dia dos namorados só é realmente importante quando se tem um amor verdadeiro por trás de uma relação, fato este que nem sempre ocorre, portanto, não preciso disto"; 

2.    Medo de rejeição, pois, como é mais fácil dispensar do que ser dispensado, a pessoa até se propõe a passar horas agradáveis com uma pessoa bacana, mas se isto implicar em uma possibilidade ínfima de se magoar, então não vale a pena e é algo totalmente dispensável; poderia se chamar de “antes só do que mal acompanhado”;

3.    Realmente a pessoa está esperando alguém que dispense a verdadeira energia que o assunto merece.

Particularmente, acredito mesmo que a resposta seja esta última, embora possa soar um tanto contraditório; se analisarmos bem a questão, poderemos compreender que não é injusto nem incoerente o fato de, aquele que compreende a magnitude de um amor, espere conhecer uma pessoa que esteja disposta a envolver-se no emaranhado de sua subjetividade bem escondida abaixo de muitas camadas da sua objetividade; que queira conhecer uma pessoa que entenda que o amor é um dar sem esperar nada em troca e contentar-se simplesmente por ter dado; que o amor é um interesse íntimo e profundo pelo outro sem que necessariamente queira mudá-lo ou transformar o outro em uma cópia de seus gostos, interesses e comportamentos; que o amor é um bem precioso e que não se pode desperdiçá-lo com tolos, arrogantes, pretensiosos, narcisistas e outros mais que tem condutas deploráveis semelhantes a estas.

Entendo, portanto, que as vezes temos mesmo de esperar que aquela pessoa que é de nosso interesse nos ame primeiro para que depois possa receber nosso amor de uma forma completa e não-modular. Trata-se de carregar o amor consigo para entregá-lo a pessoa certa e isto não significa que deva ficar na defensiva com aqueles que tentam atar um relacionamento, mas sim que deve demonstrar que, talvez, seja mais interessante começar um relacionamento depois que ela compreender o alcance completo de seus atos, podendo assim nos conhecer e entender desde os detalhes mais sutis até nossos maiores medos e alegrias, tornando-se assim, ambos, refúgio para o outro, eternos amantes, namorados enamorados. 

domingo, 25 de maio de 2014

Graças a Deus, amanhã é segunda!!

Segunda, trabalho, emprego, satisfação - www.samuelbonette.blogspot.com
Dias atrás li no Facebook o seguinte comentário: Qualidade de vida é lavar a louça com água quente no frio. Devo admitir: é verdade! Isto deveria ser incluído pela ONU na medição do IDH do Rio  Grande do Sul. Num estado que já registrou temperaturas de -9,8⁰C, realizar qualquer atividade com água fria, no inverno, é um tormento. A frase foi formulada por uma amiga minha, fluminense (que é o nome dado aos que nascem no estado do Rio de Janeiro), que veio morar no Rio Grande do Sul e está convivendo com nosso rigoroso inverno. Se para nós, nascidos e criados aqui já é ruim, imaginem para uma pessoa que nasceu e foi criada num estado com temperaturas médias e máximas bem mais altas que estas dos pampas.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção foi sobre o poder que pequenas coisas tem e quanto podem nos satisfazer em determinados momentos. Desconsiderando a piada que fiz anteriormente, sobre o IDH da ONU, entendo que muitas pessoas trocariam somas enormes de dinheiro por alguns pequenos prazeres que temos “gratuitamente” e nem sempre damos o devido valor: dormir uma boa noite de sono, sair tranquilamente com amigos, poder ver o sol iluminando o rosto das pessoas, receber carinho dos entes amados, ouvir o som das ondas do mar, etc. Realmente, as vezes é preciso pouca coisa para fazer o ser humano feliz e pelo menos em uma área específica das nossas vidas, até recebemos dinheiro para ser felizes: no trabalho .

Sou profissional da área de RH e, de forma recorrente, ocorre a discussão sobre o quanto a satisfação e motivação advém simplesmente do salário percebido ou de outras coisas, tais como ambiente de trabalho agradável, chefe legal, recebimento constante de elogios, etc. De forma quase que imediata lembramos de Maslow e sua teoria sobre as necessidades humanas. É interessante destacar que não necessariamente elas seguem uma ordem ou hierarquização, como normalmente são dispostas; por vezes um único fato ou objeto pode atender e satisfazer duas ou mais necessidades que não necessariamente estejam na sequência da pirâmide. Particularmente considero que o salário provém as necessidades mais elementares, como as necessidades fisiológicas (respiração, comida, água, etc.) e de segurança (família, recursos, saúde, etc.); se o salário não satisfizer estas condições, o sujeito facilmente trocará de salário, emprego ou empresa.

Por outro lado, defendo que o salário não é condição única a ser considerada, pois o trabalho é fonte de satisfação ou insatisfação pessoal e poucos (talvez ninguém) aceitariam trabalhar em algo que considere insuportável para si, mesmo que recebessem, para isto, uma alta soma em dinheiro. O dinheiro, como já falei, é importante, mas não é tudo na carreira profissional; sentir o prazer de atender a necessidade de outrem, cumprir a função social do trabalho, ter ciência que é competente em algo, estar realizado em sua profissão, obter conhecimento (entre outros tantos benefícios que o trabalho pode proporcionar) é a mais-valia ao contrário, ou seja, um lucro que o trabalhador obtém e que seu empregador jamais poderia, em hipótese alguma, pagar ou subtrair daquele. Reduzir o trabalho a simples relação de força ou tempo dispendido x dinheiro pago seria como reduzir a definição de um ser humano simplesmente ao seu nome, desprezando e desvirtuando o real valor do trabalho.

Entretanto, muito podem pensar que estou exagerando; para estes, faço uma consideração: infelizmente, alguns humanos desprezam ou se esquecem destes pequenos prazeres, são contaminados pela ganância e só dão o real valor a eles quando não os têm; não pretendo discutir com ninguém sobre isto, reservando-me simplesmente o direito de observar o seguinte trecho do discurso do Capitão Barbossa no primeiro filme da franquia Piratas do Caribe: “Quanto mais gastamos, mais nos demos conta que a bebida não satisfazia, a comida virava cinzas em nossas bocas o toda a companhia do mundo não saciava nosso desejo [...] Fomos movidos pela ganância mas agora somos consumidos por ela”.



Samuel Bonette

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Rótulos

Rótulos, relacionamentos, essência, vida - www.samuelbonette.blogspot.com
Há uns dias atrás estava com alguns amigos meus em um uma hamburgueria, conversando. Após um determinado tempo, nos despedimos deles e a Bibiana fez um comentário sobre um deles, conhecido de longa data. Ela disse: “Fulano de tal é inteligente”. 

Após alguns segundos em silêncio, no qual fiz uma rápida recuperação mental dos assuntos que estávamos conversando, embora não discordasse dela, de forma alguma, não me ocorreu nada de espetacular que o mesmo tivesse dito nem assunto algum que pudesse ter ocasionado tal observação, uma vez que estávamos conversando assuntos corriqueiros, próprios de momentos de descontração. Curioso, perguntei então, porque ela chegara aquela conclusão ou fizera a observação naquele momento, ao que a mesma respondeu: “Os assuntos sobre os quais ele fala são interessantes, não me cansam, não são rasos”.

Para mim foi interessante e inesperada a observação feita. Pensei em quanto tempo, durante minha vida, não tive um olhar apurado para identificar características das pessoas. Não se trata de distinguir ou julgar o bom e o mau, o inteligente e o ignorante, o maldoso e o (sabe de nada) inocente, o competente e o incompetente, definitivamente. Antes, é conhecer, pelas ações e pelas decisões, ao longo do tempo, as características que as pessoas tem. Lembro que em 2010, findo um dia de trabalho, um colega da época me fez uma série de observações sobre outros colegas, relacionando ações que tinham tomado com características que tinham; naquela época me surpreendi porque até então nunca havia pensado desta forma sobre as pessoas. Basicamente não pensava sobre isto e as observações que ele fez me abriram um mundo de novas possibilidades, onde as ações das pessoas não ocorriam de forma desordenada ou aleatória, mas sim seguindo padrões de comportamento de acordo com suas características.

Entretanto, é tentador pensar que, por conhecer as características ou verificando as ações que as pessoas tomam, podemos conhece-las por completo ou conhecer suas intenções, de forma clara, distinta e infalivelmente correta. Destas avaliações muitas vezes extraímos conclusões e acabamos por rotular as pessoas, dizendo que o João é preguiçoso, a Maria é ingênua, o Pedro é insensível e assim por diante. Além de tentador, pode ser um tremendo erro e uma subestimação do ser humano, um ser com tanto potencial e possibilidades de melhorar, se regenerar, reinventar, eventualmente “tornando-se outro ser”.

Atualmente estou lendo o livro (bastante interessante e de leitura recomendável, diga-se de passagem) Conversas difíceis, que aborda, entre outras questões, os nossos julgamentos sobre as intenções de outrem. É inegável que a questão da “rotulação” acima descrita é característica congênita do ser humano, podendo ser verificada até mesmo em crianças e não é de todo ruim, pois através deste conhecimento podemos nos resguardar de algumas pessoas e nos precaver de seus comportamentos destrutivos; porém, como tenho abordado desde o início do texto, são características que as pessoas possuem; as más podem ser melhoradas, as boas podem se deteriorar e se extinguir, outras podem nos incomodar em um momento e noutro momento não fazer diferença, ou ser aceitáveis num grupo e noutro grupo não, enfim, infinitas possibilidades.

Obviamente que temos padrões dentro da sociedade do que é aceitável ou não, ético e anti-ético, moral e imoral, legal e ilegal. Porém, muitas vezes a questão é de aceitação do outro ser humano que, mesmo tendo cometido um ato totalmente perverso, ainda assim continua sendo um ser humano, tão sujeito a erros, acertos, necessidades físicas e emocionais quanto qualquer outro. Por vezes substituímos a compaixão pelo próximo por nossa sede de vingança travestida de sede de justiça; esquecemos que hoje é ele que está na cadeira dos réus, amanhã pode ser eu ou tu, e um dia seremos todos nós, indistintamente. Na linha de pensamento de um ditado popular, quando nos acharmos grandes, fortes, autossuficientes, poderosos, imbatíveis e invencíveis, devemos visitar um cemitério e contemplar quantos que foram assim antes de nós e qual seu final. Afinal, se a morte não faz sentido, a vida também não faz. Que possamos, todos, ser mais benevolentes com nossos semelhantes.



Samuel Bonette