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sábado, 18 de janeiro de 2014

Admiráveis gênios novos

Admiráveis gênios novos - www.samuelbonette.blogspot.comÉ bom que minha primeira postagem de 2014 seja na madrugada de sexta para sábado; enquanto ouço o barulho do chuveiro vindo do banheiro ao lado, do ar condicionado acima de minha cabeça, minha Loretta está deitada aos meus pés, corpo em postura relaxada, porém de orelhas em pé, indicando atenção ao que se passa ao redor. Nesta noite merecidamente folgada de sexta-feira, depois de assistir dois filmes, sendo um deles chamado “Três é Demais”, ponho-me a escrever.

De tanto falar em filmes, talvez alguém até possa achar que sou viciado neles, mas esta suspeita não se confirma; aliás, reconheço que sou muito suscetível a erros na hora de escolher filmes, especialmente no que diz respeito a descartar filmes por seu nome e sinopse; devo ressalvar que as versões brasileiras para os nomes dos filmes bem como a sinopse dos mesmos me induzem fortemente a este erro. As aventuras de Pi foi meu último exemplo de filme que quase deixei de ver (mais em virtude de um preconceito meu); só rendi-me ao filme por suas imagens espetacularmente coloridas, o que me proporcionou conhecer uma bela história.

Ainda hoje refletia sobre este assunto de pré-conceito (o popular preconceito), conceito, pós-conceito e ausência de conceito. Conclui que existe uma certa confusão sobre o que são. Conceito é definido comumente como uma idéia, opinião ou juízo sobre algo, ou seja, uma definição. Preconceito é quando fazemos isto de forma antecipada aos fatos. Pós-conceito seria quando mudamos nossa própria opinião após um conceito estabelecido e ausência de conceito seria quando não temos conceito sobre algo.

Atualmente existe um preconceito sobre o preconceito ou sobre os preconceituosos; o sujeito não pode ter preconceito ou ser preconceituoso que ele é considerado pior do que o micróbio dos excrementos do cavalo do bandido; os pretensos não-preconceituosos são mais preconceituosos com os preconceituosos do que os preconceituosos são a respeito do que tem preconceito (a frase ficou meio difícil de se entender mas é proposital... é só ler devagar que dá para entender).

Entretanto, ignora-se que o preconceito pode ser um conceito ou pós-conceito tomado de outrem, advindo de uma experiência pessoal que se tomou como regra. Por exemplo: uma pessoa comprou um aparelho eletroeletrônico de um asiático e era falsificado; sentiu-se prejudicada e confidenciou a um amigo, que por sua vez tomou o pós-conceito do primeiro e vestiu como seu próprio preconceito contra asiáticos vendedores de eletroeletrônicos. Não posso culpá-lo, certo? Talvez até seja justo este preconceito tendo em vista a experiência de seu amigo.

Acredito que todos temos preconceitos em maior ou menor grau e considero-os imprescindíveis para a continuidade da raça humana, embora alguns me incomodem profundamente (especialmente sobre raça/cor). Contudo, o que mais me irrita é a tentativa de empurrar ausência de conceito a título de não-preconceito; há pessoas que só sabem fazer isto na vida, simplesmente desprezando milhares de anos de conhecimento acumulado a título de “não ter preconceito”, o que acaba gerando uma ausência de conceito destruidora para a humanidade; estes desconsideram a objetividade e factibilidade de coisas já devida e exaustivamente comprovadas em favor de seus próprios pensamentos e julgamentos. Consideram-se gênios inventando a roda mas são asnos cauterizando suas mentes.

A estes, sugiro que lancem fora algumas ideias preconceituosas que ainda os prendem, como por exemplo contra o fogo (não tenham preconceito contra lançar-se numa fogueira) ou contra a lei da gravidade (que preconceito afirmar que o homem não pode voar ao lançar-se do alto de um prédio), contra objetos pontiagudos(quanto preconceito pensar que eles podem perfurar nossa pele ou objetos) e outros tantos preconceitos... quanta tolice preconceituosa, não?

Por fim, espero que não sejam preconceituosos com a história e deixem de desprezar tanto esforço que já foi feito e conhecimento que já foi acumulado; antes tínhamos mais preconceitos e menos roubos, estupros, assassinatos e toda a sorte de males sociais que tem nos afligido.

Samuel Bonette



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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Alguns segundos e uma vida


Faz tempo que não escrevo; estava sentindo falta; muito provavelmente não consiga atingir meu objetivo, de 12 textos no ano, média de um por mês. Um mês é um tempo muito curto para parecer tão longo; tem apenas quatro ou cinco sábados, quatro ou cinco domingos, um dia de pagamento, um dia de fechamento de folha, apenas um dia 30, então é pouco tempo para escrever. 

Se eu não o faço, entretanto, me intoxico; muitas ideias em ebulição, abstração e objetividade alternada e alternativamente variantes, vou me enchendo do mundo e de seus fatos, inflando e insuflando, parece que me vejo como nos desenhos, saindo vapor pelos meus ouvidos. Lembrei ainda hoje de um fato ocorrida há muito tempo atrás; não poderia deixar de registrá-lo; segue abaixo:

Um dia destes, cheguei para trabalhar mais cedo que o habitual; sete horas e eu já estava no meu ambiente de trabalho. Na sala, apenas eu e minha colega, par de atividades. Sentávamos de frente um para o outro. Estávamos absortos em absoluto silêncio, quebrado apenas por um rádio ligado numa estação de rádio qualquer, no volume mínimo. Eu fazia parte do serviço, ela outro. Estávamos ambos cansados e naquele clima que normalmente acontece de manhã bem cedo, quando ninguém quer falar nada. A cena que vi não durou mais que um minuto, mas foi o suficiente para me intrigar até hoje.

Começou a tocar uma música que até então eu não conhecia; falava sobre um relacionamento aparentemente rompido, em que ambos continuavam suas vidas, mudavam de hábitos, conheciam novas pessoas, entretanto, o amor entre eles não tinha terminado. De um lado, a menina esperava que ele ligasse; do outro, ele até queria ligar, mas tinha medo porque pensava que talvez ela já o tivesse esquecido, conhecido outra pessoa, que desprezaria sua saudade, seu sentimento. Ambos sabiam, porém, que era amor o que sentiam; era amor o que haviam sentido; seria para sempre o registro de um amor, mesmo que um dia acabasse. Entre eles tinha acontecido uma história de amor. Por fim, a música não registrava final feliz.

Durante algum tempo, esta minha colega parou seus afazeres e ficou olhando para o nada, olhar vazio e distante, talvez procurando seus próprios sentimentos dentro das lembranças ou mesmo dentro da música; sobre ela, eu sabia apenas que era casada com alguém que conhecera ainda no colégio, que estava há muito tempo com esta pessoa; sempre fomos muito reservados com assuntos pessoais, mas aquela música tirou-a do normal, fez algo vir a tona; lembranças de um amor adolescente não confirmado, sentimentos de rejeição, impressões íntimas, suspeitas, uma simples reflexão, não sei... até hoje penso no que se passou em sua mente, não consigo esquecer aquele olhar, enquanto soava o refrão.

A música, o lugar e o refrão? Que importa? Você não se reconhece na história e não achas que ela poderia ter acontecido contigo? Tem certas coisas que são universais, e nem precisam ser verdade para que acreditemos que elas realmente aconteceram. Nossas vidas estão aí para ser contadas em alguma música.


Samuel Bonette.

domingo, 16 de junho de 2013

Shakespeare não me representa

Shakespeare não me representa - www.samuelbonette.blogspot.com
Ser ou não ser! Eis a questão. Imediatamente nos advém a memória alguém com uma caveira na mão, representado um discurso filosófico da Tragédia de Hamlet, de William Shakespeare. Engraçado que se pareça com o slogan atual dos brasileiros: Isto não me representa; em meio a chiliquenta luta por direitos homossexuais, onda de protestos eclodindo pelo país em nome de pretensos R$0,20 e gastos públicos infindos com Copa das Confederações e Copa do Mundo, alargou-se o modismo de “Feliciano não me representa”, “Dilma não me representa” e “Blá blá blá não me representa”.

Representar, segundo o dicionário Priberam Online pode ser empregado em pelo menos 12 sentidos, todos eles indicando alguém fazendo algo por outrem. Num país historicamente marcado pelo conformismo da maioria de sua imensa população, não chega a me surpreender, mas irrita. Irrita quando as pessoas dizem que “políticos não me representam”, mas em época de eleições, não exercem adequadamente seu direito de voto; irrita porque as pessoas dizem “ladrões não me representam”, mas não perdem a oportunidade de ficar com cinco centavos a mais num troco calculado incorretamente; irrita quando dizem “Feliciano não me representa” mas não suportam ouvir opinião sexual divergente das suas próprias.

Por outro lado, uma porcentagem ínfima de agitadores e/ou filiados partidários radicais, protegidos e ao mesmo tempo insuflados pelo anonimato que as multidões proporcionam promovem a balbúrdia e desordem, caos e pânico, destruição e terror por onde passam. Como conhecedor da história da humanidade, não desconheço nem desprezo a guerra, suas causas e consequências; nelas, o aspecto psicológico é fator importantíssimo, senão preponderante. Desta forma, ter reação muito maior do que a ação é de suma importância para amedrontar o inimigo.

Esta é a estratégia atual utilizada pelos comandantes do agora fortalecido movimento pela redução das tarifas de ônibus (já nominado por alguns como Primavera Brasileira). Quando os primeiros protestos começaram em Porto Alegre, pessoas de outros estados vieram “infiltrar-se” para adquirir experiência e propagar o comportamento em seus estados, segundo reportagem de Zero Hora. Isto demonstra o que me referi acima, sobre os agitadores. Fenômeno do comportamento das massas, diria Gustave Le Bon.

Porém, convenhamos. Não precisamos de representação. O que precisamos (ou queremos) devemos fazer com nossas próprias mãos, ou voz, ou seja lá o que for. Especialmente, não precisaríamos ficar falando “isto ou aquilo não me representa”, pois muitas coisas não nos representam, especialmente numa sociedade pluralista, diversificada. Deveríamos, se assim fosse nossa vontade, dizer “isto ou aquilo nos representa”, indicando assim aquilo ao qual nos somamos. Seria mais coerente, inteligente e racional.

Todos temos limitações, mas penso que ninguém deveria limitar-se a dizer “Isto não me representa”; represente a si mesmo no teatro da vida!


Samuel Bonette



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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Sobre chaves, portas e fechaduras


Chaves, Oportunidades, Vida, Relacionamentos - www.samuelbonette.blogspot.com.br
Estávamos, enfim, a sós. Frente a frente. Olhei para ela, e nada mais se interpunha entre nós. Podia ver seus olhos me dizendo: “Tu mexes comigo”. Então, naquele misto de suspense e adrenalina, os segundos passando como se fossem horas, a expectativa latente, dei o primeiro passo e logo em seguida o último que me separava dela; estendi a mão, toquei no seu corpo e a girei lentamente em sentido horário uma, duas vezes. Podia sentir o seu corpo gélido a me separar do resto do mundo. Dentro das quatro paredes, sussurrei: “Chave, o que seria de mim sem você, para poder trancar esta porta?”. Ela não se manifestou, mas senti que estava cheia de orgulho por ter cumprido bem o seu papel.

Como diz um famoso texto que circula nos corredores da web, é tempo de deixar as roupas velhas, aquelas que já estão moldadas a nosso corpo, e vestir vestes novas (algo assim, não lembro o texto exatamente). Da mesma forma, é necessário trancar atrás de nós aquilo que não agrega. As férias que não deram certo, o negócio que não pode ser concretizado, o sonho que não pode ser vivido, o xingamento que levamos de graça, o corte que levamos do chefe ou do amigo amado, aquelas pessoas que só nos trazem problemas ou nos desencorajam, o arroz que queimou no dia do aniversário... Também precisamos, as vezes, trancar atrás de nós aquilo que nos faz crianças ou o que nos faz adultos, dependendo da situação pois ora agimos como crianças insistindo naquilo que jamais dará certo, ora agimos como “adultos”, deixando de lado o impulso infantil de sempre tentar e desistimos daquilo que daria mais certo na vida, bastando apenas um pouco mais de esforço.

Lembro-me da Porta da Esperança (aquela mesmo, do Sílvio Santos) e da Porta dos Desesperados (a versão ié-ié do Serginho Mallandro); nesta última, não raras vezes as crianças trocavam um presente legal por uma surpresa desagradável. Certamente que não sabiam o que tinha atrás da porta, mas depois de se esforçarem tanto pelo prêmio, acabavam trocando por uma coisa inútil; o contrário também acontecia algumas vezes, mas o mais marcante com certeza era a troca do legal pelo inútil. Frequentemente as pessoas associam portas com acesso, mas não posso deixar de refletir que, mesmo que a porta aberta significa acessar um lugar novo, também é saída do ambiente em que estou, ainda que seja um ambiente aberto. Portas também podem simbolizar escolhas erradas.

E por fim, sempre a enigmática chave. Um pequeno pedaço de aço que, combinado com o dispositivo da fechadura, pode selar um reino inteiro ou pô-lo em ruína. A porta numa parede ou muro é o que o torna vulnerável: se está aberta, todo o resto também está a disposição de quem quer que seja mas se estiver fechada é o que lacra e divide em dois o terreno. O que determina se o outro lado das paredes ou muro estão seguros é a capacidade da chave em garantir a inviolabilidade dos mesmos. A porta garante que há saídas, mas a chave garante que a possibilidade de sair é real. Não existe chave sem porta nem porta sem chave.

E afinal, de que lado da porta estamos? Estamos adentrando outro ambiente ou deixando o primeiro? E a chave está nos livrando daquilo que para trás fica e nos aproximando da felicidade ou nos levando para um caminho inexplorado, distante daquilo que temos e nos faz felizes? Estamos realmente diante da porta correta? E a chave? Será mesmo que devo levá-la para que possa, em tempo adequado, retornar e reabrir esta porta ou devo jogá-la por baixo da porta para que nunca mais tenha acesso ao que está ali?

As portas permitem o arrependimento, mas as chaves são implacáveis. A maior covardia de um humano é girar e retirar da fechadura uma chave cuja porta não poderá encontrar depois.

Samuel Bonette


quinta-feira, 28 de março de 2013

Sonhos - É bom este sonho, hein ô...

Sonhos, Paulo Brito, Escolhas, Escritor, Oportunidades - www.samuelbonette.blogspot.com.br

         Sonhei com o Paulo Brito. No meio da noite de ontem, estava eu na minha cama, dormindo, e bem no meio da minha imitação de Paulo Brito, o mesmo surge num Palio vermelho, me vê e começa a rir da minha imitação. Ainda tentei engatar uma conversa, mas o mesmo manteve-se em seu caminho, sorriso nos lábios, misto de desdém e diversão. Paulo Brito despropositado, invade meu sonho, não conversa comigo e tão rápido quanto aparece, some.
Uma vez também sonhei em ser escritor; tinha aproximadamente sete ou oito anos de idade e consumia livros vorazmente. De tanto ler, julguei-me apto a escrever livros; comecei a escrever uma história, mas queria publicá-la por uma grande editora. Enviei então uma carta para a editora do livro que estava lendo naquela época (creio que era a Editora Moderna). Para fechar negócio rápido, dispus-me a negociar posteriormente a minha porcentagem sobre o lucro da vendagem do livro; algum tempo depois, mandaram-me uma carta agradecendo meu interesse mas informando que o quadro de escritores já estava preenchido. Como já fazem uns vinte anos, eles devem estar quase se aposentando e então terei uma chance.
Outro sonho que tive na vida foi ser músico. Aproveitando-me das condições favoráveis pré-existentes (pai cantor e mãe instrumentista), comecei a aprender a tocar violão desde cedo, acho que desde os cinco anos. Ganhei um violão Giannini de cor branco gelo e bordas pretas e fui aprender fazer aulas com o bombeiro Cláudio, que era também um músico de festa juninas, aniversário de crianças e comemorações de escolas nas horas vagas. Infelizmente não soube lidar com a fama repentina e estagnei no aprendizado. Praticamente um Jordy.
Por diversas vezes sonhei com o que faria se ganhasse na Loteria. Em todas as vezes a minha primeira atitude seria sair viajar sem falar nada a ninguém. Não pediria demissão do meu trabalho, não diria aos vizinhos: “Viajarei por uns dias”, não comunicaria nada a ninguém, simplesmente sumiria. Por convicção, entretanto, nunca sequer apostei e também não apostarei; sou convicto de que cada centavo que gastar com isto me fará mais pobre e não mais rico. Como diz a minha sogra: “Eles não botam para perder”. Mas confesso que já sonhei com o que fazer com o dinheiro caso ganhasse.
Aos 12 anos sonhei que aos 18 moraria nos sobrados da Cohab, em Horizontina, teria um Fusca branco e moraria sozinho. Dinheiro para isto não era problema, afinal era um sonho e quando eu tivesse 18 anos as condições necessárias automaticamente surgiriam em minha vida; nada poderia estragar meu sonho. O que atrapalhou foi que quando tinha 13 anos nos mudamos para Torres. Detalhe. Um dia eu volto nos 18 e cumpro o sonho.
Já sonhei em poder adiantar o tempo na minha vida e passar do jardim de infância direto para o terceiro ano do segundo grau, voltar o tempo na minha vida, passando da sétima série para o jardim de infância, mudar o rumo da minha vida... Já tive inúmeros sonhos, e todos eles sempre me levaram adiante, como fazem com todos os seres humanos; o ser humano que perde os sonhos perde também a sua essência e razão de seguir em frente. Ainda tenho tempo para ser escritor, músico ou morar nos sobrados da Cohab, mas, Paulo Brito, por favor, pare de se intrometer nos meus sonhos... o Maurício Saraiva está te chamando ali na esquina.

Samuel Bonette.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Feirão da ideia alheia

Ideias, vendas, conceitos, princípios, relacionamentos - www.samuelbonette.blogspot.com

             Boa noite amigos. Como é bom tirar férias e descansar. Retornei há pouco ao trabalho árduo e dignificante, o que também me possibilita pagar minhas contas, não nego. Entretanto, realmente gosto do que faço; como é bom trabalhar com paixão pelo que se faz! 



Lembro como se fosse hoje do dia em que decidi trabalhar com Recursos Humanos: estava viajando com meus pais na Free-Way, trajeto Torres – Porto Alegre, no dia em que nos mudamos para a capital dos gaúchos. Era um dia de muitas expectativas, pois estava indo para a “selva de pedra” que ao mesmo tempo era a terra das oportunidades; então, no banco traseiro – onde me encontrava – achei, entremeio a tantas outras coisas, um pequeno livro de capa azul chamado Administração de Pessoal e Recursos Humanos, da editora Senac. 



Apesar do mesmo contar com apenas 45 páginas, logo após a leitura este definiu naquela tarde meu futuro profissional. Tenho este livro até hoje, mas não sei exatamente o que diz nele; nunca o reli. Porém ele me impulsionou a querer trabalhar com RH; na época raciocinei que para conseguir era necessário fazer curso superior em Administração de Empresas e também corri atrás disto. Daí decorrem inúmeras situações na minha vida, mas não é o momento de ficar falando sobre isto; um dia eu conto para vocês.

Fato é que um livro de 45 páginas foi capaz de nortear minha vida profissional. Um pequeno livro foi capaz de causar muitas coisas na minha vida; isto me leva a pensar que o escritor me vendeu muito bem o seu peixe, como diz o ditado; talvez houvesse em mim alguma pré-disposição a inclinar-me para esta profissão, mas quem escreveu o livro conseguiu me convencer que era isto o que eu deveria fazer. 



Há pessoas assim: algumas que vendem e outras que compram. Conheço pessoas que vendem o tempo todo: estão sempre vendendo algo a nós; ele não tem uma TV, ele tem uma TV de LED da Samsung de 52 polegadas Full HD e que está integrada a um home theater em uma sala projetada para ser acusticamente igual a um cinema; o seu carro é melhor porque pagou R$ 102.309,45 a vista na concessionária mais badalada da cidade, aquela onde o cliente é saudado com coquetel de canapés e champagne; ou então é melhor porque é do mesmo ano mas ele pagou mais barato e está melhor conservado, tendo inclusive todas as revisões feitas na concessionária; a comida que ele faz é a mais saborosa pois é feita com azeite de oliva extra extra virgem de Israel, as azeitonas são colhidas no Camboja ao amanhecer e as batatas são plantadas no solo mais fértil e produtivo dos Estados Unidos e assim por diante.

Por outro lado, há pessoas que estão o tempo todo comprando: precisam da cafeteira nova porque ela faz o café mais frio que as outras, já na temperatura ideal para ser tomado; o fato de ela custar R$ 999,00 não é nada face ao benefício de tomar o café tão logo ele seja passado; e o que falar daquele novo tablet, então? Tem incríveis duas funções a mais que a versão anterior pela bagatela de R$ 2800,00 e, como ela é uma pessoa antenada com as novas tendências não pode ficar sem, né? E, para tudo!! Ainda nem falamos da nova cafeteria que abriu na esquina que é inspirada nas cafeterias francesas! Ela só serve pão francês, baguette e brioches mas tem um francês (nascido na França, mesmo) que toca gaita ao vivo! Pena que é mudo e ainda não pudemos vê-lo falando francês.

Lembro muito bem até hoje de um RH que trabalhei no qual todos ficavam o tempo todo vendendo para outro; cada qual tinha o melhor plano de celular da sala, o melhor aparelho, as melhores soluções para os problemas e por aí afora; não vendíamos produtos ou serviços, vendíamos ideias uns aos outros. Assim é a vida, com os dois grandes grupos sempre em interatividade, ora convergindo, ora divergindo, pois as vezes o mesmo que compra é o que vende e o que vende também está comprando algo; em cadeiras de marketing a professora sempre dizia que o que era vendido não era o bife em si, mas o barulhinho da chapa e o vapor subindo; para ser perfeitamente efetivo, tinha de ser no momento que a pessoa estivesse morrendo de fome, de forma que aquilo se tornasse irresistível. A primeira coisa a ser vendida é, inevitavelmente, a ideia. 



Comparando os grupos, diria que está mais vantajoso para os que vendem do que para os que compram, pois aqueles que vendem estão vendendo com uma facilidade terrível; os que compram, por outro lado, não estão tendo senso crítico em avaliar se é realmente válido ou necessário comprar o que está comprando; há uma enorme discrepância entre preço (aquilo que se desembolsa para obter o produto/serviço) e o valor (os benefícios que seriam percebidos com a posse e utilização do produto/serviço); como disse antes, a venda hoje se dá no campo das ideias e em tempo de incertezas e muitas mudanças o que não é parece ser e o que é parece não ser. Vender também é uma arte de iludir e ludibriar (vide texto Glamour)

Dizem que a profissão mais antiga do mundo é a prostituição e a segunda a advocacia, mas eu diria que a mais antiga é vender, pois a serpente vendeu a Eva e esta vendeu a Adão a ideia de que poderiam ser iguais a Deus. Há quem acredite nisto ainda nos dias atuais, mas tal qual da primeira vez, esta ideia pode ser vendida, pode ser comprada, mas não pode ser usufruída.

Samuel Bonette

sábado, 12 de janeiro de 2013

Considerações iniciais, um pouco de justiça ou vingança, como queiram...

Considerações iniciais, um pouco de justiça ou vingança, como queiram - www.samuelbonette.blogspot.com

Boa noite. O mundo não acabou, como eu acreditava, então pude fruir minhas merecidas férias. Acredito que todas as férias são merecidas, mas para mim está sendo realmente emocionante tirar férias. Também fico feliz porque estou melhorando. Em 2012, na minha primeira postagem do ano me propus a postar no mínimo 7 textos, o que havia sido o recorde de postagens num mesmo ano (alcançado em 2007, primeiro ano do meu blog), e consegui superar a meta em 28,57%, postando 9 textos (Hehehehehehe... não posso deixar de me divertir comigo mesmo e a mania de mensurar as coisas). Também fico feliz pois no ano de 2012 continuei a trajetória ascendente iniciada em 2011, quando postei 6 textos, ao contrário de 2010, ano em que postei 1 texto somente. Então, meta lançada: superar as 9 postagens de 2012.

Fico feliz também de estar alcançando 6 anos de blog que, muito embora não seja o estrondo que eu gostaria que fosse, me permite expressar algumas opiniões e me satisfaz plenamente no que diz respeito ao meu gosto por escrever. Quero saudar os meus leitores internacionais, especialmente o leitor (ou leitores) da Rússia. É muito gratificante ter leitores em países do mundo que jamais imaginei alcançar. Espero que os textos possam ter te entretido, divertido ou mesmo ajudado; me sinto lisonjeado de forma inenarrável.  Também quero recomendar um site bem legal que, após um teste composto de uma série de perguntas, descreve a tua personalidade dentro daquelas pré-estabelecidas tendo como embasamento teórico quatro modelos lá descritos. O site é o Inspiira. Recomendo a todos, pois até agora todos os que fizeram o teste me relataram que ele foi bem assertivo na sua avaliação.

Mas vamos lá... como já gastei meia página com agradecimentos e considerações quero ser bem sucinto num assunto que já estava pensando sobre, mas sobre o qual fui amplamente bombardeado, coincidência ou não, nos últimos dois dias através de filmes e frases sobre. O assunto é vingança x justiça. Hoje mesmo assisti um trecho de um filme do Batman no qual ele falava que vingança e justiça muitas vezes são a mesma coisa. Tenho de discordar. Justiça é o que acontece quando o mal recebido é reparado, através de julgamento feito por terceiros com conduta ilibada; vingança é o que acontece quando, pelas próprias mãos ou pelas mãos de outrem, o mal recebido é devolvido com maior força ou proporção; ainda que seja na mesma proporção, é vingança. Semana passada assisti o filme O Conde de Monte Cristo, cuja história é a busca por vingança, e uma reportagem na TV sobre dois assassinatos por motivos frívolos, sobre os quais os familiares das vítimas clamavam por vingança.

Óbvio que no Brasil temos muitos problemas com no sistema judiciário em geral, o que não é segredo para ninguém. Entretanto, vejo que o maior problema é justamente o fato de as pessoas quererem vingança e não justiça. Se todos nós quiséssemos justiça, seria uma via comum o assassino confessar o crime, cumprir uma pena justa e após retornar ao convívio da sociedade. Entretanto, como queremos vingança, obviamente que o assassino não vai querer confessar o seu crime visto que a confissão geraria em nós uma vontade de matá-lo ou submetê-lo a sofrimento infindável. Tenho a convicção de que o sistema prisional brasileiro piora as pessoas, já que são tratados com desumanidade e isto não é defesa aos condenados que lá estão cumprindo suas penas.

Não quero fazer um raciocínio raso, pois como disse quero ser sucinto e este assunto é muito amplo e complexo, desperta as paixões e sentimentos mais obscuros do ser humano. Quero somente trazer uma reflexão sobre o que alimentamos dentro de nós; mesmo a justiça sem amor pode ser cruel e quando em demasia torna-se vingança. O perdão, ao contrário, nos torna melhores e mais humanos, mais tratáveis e respeitáveis. Só pode fazer justiça e perdoar aquele que tem amor, eis o paradoxo.

Samuel Bonette

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Confissões de fim do mundo - Antes que seja tarde.

Confissões do fim do mundo - Antes que seja tarde - www.samuelbonette.blogspot.com
Dia 20/12/2012. Estas são as horas que antecedem o fim do mundo, segundo a interpretação alardeante do agora famoso calendário maia. Não é a primeira e nem será a última das “profecias” de fim do mundo. Um dia ele vai acabar, isto é certo, pois sabemos que tudo tem um início, um meio e um fim; mas Deus é quem detém este conhecimento. 

Eu realmente não acredito que o mundo vá acabar em 21/12/2012. De qualquer forma, vou escrever e publicar isto antes das 00:00h deste dia, o que dista deste momento somente algumas horas, seguramente menos de três. Não quero correr o risco de, caso o fim realmente chegue, deixar de confessar os fatos a seguir. Não vou levar, de forma alguma, o peso na consciência de deixar de admitir que:

1. Odeio perder. Especialmente em esportes e discussões. Sou de uma família onde todos tem temperamento forte e talvez pelo fato de ser o filho mais novo, portanto o mais preterido, desenvolvi um espírito muito competitivo. Isto me leva, várias vezes, a perder justamente por não querer perder.

2. Já agi por birra; não fiz o que poderia ter feito ou fiz o que não deveria ter feito só porque em outro momento não tive um desejo atendido ou para mostrar que mandava na situação. Confesso também que abandonei este comportamento, mas isto ainda pode acontecer, como a todo o resto da humanidade.

3. Já amei quem não devia. Aos 7 ou 8 anos de idade morava em Horizontina, minha cidade natal, e lá havia uma cadela da raça husky siberiano que era a coisa mais linda, pêlo preto em cima, branco na barriga e um par de olhos azul claro profundo; eu ia todos os dias brincar com ela, a despeito da minha vira-lata Lulu.

4.  Fui vencido pelo capitalismo. Quando era pequeno admirava o céu e as estrelas, ficava na janela olhando a chuva por horas a fio, subia nas árvores para comer quilos de bergamota e ia, de bicicleta e mesmo a pé, até os rios, riachos e lagoas tomar banho no verão. Hoje fico no Facebook, olhando TV a cabo, comendo e engordando e quase não sei mais fazer conta de dividir e multiplicar a mão. O dinheiro e o conforto que ele me proporciona me roubaram a capacidade de ter tempo para ver algumas coisas simples e bonitas da vida.

5. Raramente choro. Especialmente, nunca chorei ao assistir um filme, mas o Click me leva as raias de chorar, pois me identifico por demais com a história do filme, especialmente na parte do relacionamento com seu pai. Me dá um nó na garganta. Se um dia eu chorar ao assistir um filme, vai ser assistindo o filme Click.

6.  Penso que todo mundo come algo estranho e ainda acha que não é estranho. Eu gosto de comer pão com mortadela e açúcar. Uma amiga comia manga verde com sal, minha esposa come batata crua e meu amigo come sanduíche com melancia. Todos pensam que suas comidas estranhas são iguarias apreciadas por todos. Não são.

Dentre tantas outras coisas, não posso deixar de confessar que sei coisas a respeito de mim que são inconfessáveis e não ousaria contar nem para mim mesmo, nem em pensamento. Tanto boas quanto ruins. Outras que não são boas nem ruins mas ainda assim não posso contar. Carrego comigo emoções e dúvidas que só serão dirimidas e explicadas após o fim do mundo. Quem me conhece pessoalmente talvez vá ficar curioso, mas deixa estar que um dia meu livro será lido.


Samuel Bonette

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Glamour

Glamour, marcas, vendas, marketing - www.samuelbonette.blogspot.com.br
Acho interessante o humano, a forma como se comporta e atribui valor as suas coisas. Vejo que começa as coisas de forma simples, para atender uma necessidade na maioria das vezes, vai aperfeiçoando e tornando isto mais elaborado até que, o que surgiu de uma simples necessidade se torna objeto imprescindível e de valor inestimável.
Posso citar diversos exemplos; um deles: o ser humano precisa se locomover; para isto, tem pernas e pés. Obviamente que precisa protegê-los, e isto era ainda muito mais necessário nos primórdios, quando não havia estradas como temos hoje, muito menos pavimentadas. O que havia era floresta, e só. Para se locomover, precisava proteger seus pés de eventuais ferimentos. Deve ter começado a fazer isto com folhas, madeiras, couro de animais mortos, enfim.
 Ao longo do tempo, foi descobrindo materiais mais adequados para fazer seus calçados. Após, desenvolveu calçados diferentes para terrenos diferentes, temperaturas diferentes, etc. Um dia, alguém deve ter feito um calçado muito bom, e como chamou a atenção dos demais, para que não roubassem dele põe-no uma marca para reconhecê-lo. Uma vez que não poderia roubar, outrem ofereceu algo em troca, e o primeiro entendeu que poderia obter vantagens com isto.
Passado os anos, surgiram Nike, Adidas, Puma e outras tantas marcas que, mais do que atender a necessidade inicial de proteger os pés, transformou o calçado em objeto de desejo ardente e a necessidade já não é mais proteger os pés, mas sim ter o calçado da marca X, Y ou Z. Como efeito cascata, se o fulano de tal é famoso e usa tal marca, obviamente que muitos buscarão comprar daquela marca, porque o dito usa aquela marca.  Isto acontece com roupas, esportes, calçados, carros, comida, perfumes, eletroeletrônicos e por aí afora com tudo o mais que me ocorre no momento.
Diria que isto é glamourização. Glamour, segundo o site Priberam On-line, é: “beleza sensual, considerada característica de certas figuras públicas elegantes do mundo do espetáculo; qualidade de quem ou do que é elegante, charmoso e considerado sedutor”. Entretanto, é interessante pensar que o glamour não é inato, mas sim definido socialmente. Ele não existe por si só, mas por meio das pessoas que acreditam nele.
Claro que para isto contam determinadas características universais como simpatia, carisma, beleza e outras mais, mas o glamour é um construto social, uma vez que aquilo que é considerado glamouroso em um local pode não ser em outro; diria que a adesão das pessoas em aceitar, divulgar, propagandear, reproduzir e venerar determinados padrões, comportamentos ou atos torna aquilo glamouroso. Em última análise, vende-se a ideia de que algo vai te fazer ser melhor que és. É um comércio de ideias e conceitos, e não de produtos em si.
Por outro lado penso que esta glamourização deturpa o sentido principal de existência das coisas. Utilizando-me do glamour, posso fabricar um produto de péssima qualidade mas fazer um comercial espetacularmente bonito e colocar um famoso a divulgá-lo. Vai vender que nem água. Neste caso, a necessidade inicial fica de lado, mas o meu glamour pessoal está sendo plenamente obtido. Então, que se danem os pés, legal é estar na moda.

Samuel Bonette

domingo, 14 de outubro de 2012

Espelho da vida

Espelho, vida, relacionamentos, perdão, autoimagem - www.samuelbonette.blogspot.com
Tenho adquirido um hábito, pelo que me consta: escrever nos domingos a noite. Escrever a noite já era uma predileção, mas tenho notado que o domingo a noite me atrai de forma especial. Até então não havia feito nada de forma propositada, mas parece que esta será a tendência. É um bom dia para se escrever. Nada melhor do que produzir nesta noite que até então era considerada monótona e simples antecedente de uma semana que será corrida, sem dúvida.

Sobre o que tenho a escrever hoje, é até interessante que seja feito num domingo a noite, pois combina com um quadro apresentado recentemente no programa Fantástico; não sei se ainda está sendo apresentado, pois assisto apenas fortuitamente o referido programa, mas o nome do quadro é Phantasmagoria; em uma das poucas vezes que olhei, os apresentadores falavam sobre nossa visão, e como as imagens se formam no cérebro. Falaram também sobre as ilusões de ótica e de distorções de percepções que nos ocorrem, especialmente em casos de pouca luminosidade ou situações nas quais estamos sob forte pressão.

Tal fato dificilmente ocorre quando vemos uma imagem refletida em um espelho. A imagem projetada é imediatamente reconhecida como a nossa própria imagem, diferentemente de quando olhamos a imagem de outra pessoa, animal ou objeto; o cérebro está fadado a associar a nós mesmos aquela forma avistada no espelho. Sabem, não sei se vocês pensaram nisto em algum momento de suas vidas, mas eu já fiz o exercício de, ao focalizar minha imagem no espelho, tentar imaginar que aquele reflexo é na verdade outra pessoa. É uma tentativa de enganar o cérebro que quase nunca logra êxito.


Entretanto, algumas vezes consegui; poucas, é bem verdade, mas já consegui. Não posso deixar de negar também que foi um pouco assustador, pois me ocorreu que, se aquilo fosse verdade, poderia estar vendo em mim mesmo outra pessoa. Aí meu cérebro já fez um monte de inferências sobre psicopatia e doenças mentais e rapidamente abandonei o reflexo. Coisa de louco.


Mas é triste que nem sempre temos um espelho em nossa frente para nos visualizar no dia a dia; com ele poderíamos nos dar conta de nossas atitudes. Digo isto porque é incrível como não nos percebemos em nossas atitudes; isto não acontece o tempo todo, mas acontece com todos, invariavelmente. Aquela pessoa que se acha tão divertida não é assim para seus amigos; antes, é o inconveniente e “mala” do grupo; o profissional que se julga tão competente e dono das respostas é na verdade um fanfarrão; o infeliz comentário sobre um jogador acaba com a reputação de um dirigente de futebol e divide um time no meio da temporada; são inúmeras situações que destroem a nossa imagem perante os demais. É triste quando não conseguimos administrar isto.


Por isto sempre digo: menos, as vezes, é mais. É sempre bom fazer uma avaliação antes de agir para que depois possamos olhar e nos reconhecer na imagem refletida no espelho da vida.



Samuel Bonette


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Perdas

Perdas, vida, morte, relacionamentos - www.samuelbonette.blogspot.com
Não é fácil escrever uma página, as vezes. Devo confessar que na verdade é algo realmente difícil, em determinadas ocasiões. É o assunto que não flui, o barulho que irrita, a concatenação de ideias que não ocorre... não tem sido fácil cumprir minha “auto-promessa” de escrever doze textos neste ano. Eu não sei o que é pior: a sensação de ter falhado ou a incapacidade de escrever bons textos; poderia escrever doze textos de qualidade duvidosa e alcançar a meta ou produzir textos que me agradem mas não alcançar o meu objetivo. Mas tudo há de melhorar; sempre melhora.

Acontece que estava refletindo sobre a perda. A perda é algo que nos incomoda. Existem as perdas gradativas e as abruptas, mas o momento da ruptura é sempre incômodo; quando perdemos algo de forma abrupta torna-se mais latente o momento em que ocorre, então normalmente lamentamos mais. Quando perdemos de forma gradual, tendemos a aceitar mais facilmente; porém sempre há um momento em que “a ficha cai”, e nos damos conta da perda. Triste e doloroso momento. A perda nos contrista.

Há perdas pequenas: por exemplo, quando damos falta de um objeto querido, ou algum vizinho de anos muda-se para outro bairro da mesma cidade. Acontecem em nossas vidas também as grandes perdas, como a perda de um sentido como a visão ou audição, eventualmente, ou ainda a impiedosa e inevitável morte. Não importa: a perda é sempre lamentada e sofrida.

Diriam os mais pragmáticos e os menos sensíveis que toda dificuldade é também uma oportunidade, e toda a perda é também a chance de valorizar mais ou descobrir novas coisas. Não posso dizer que discordo disto; muitas vezes valorizamos muito determinadas coisas em detrimento de outras tantas, ou não nos damos conta que existem infinitas outras coisas bem diante de nossos olhos que podem ser boas e até melhores do que as que perdemos. Obviamente que existem perdas que nos causam ganhos, uma vez que nos proporcionam mudanças para melhor; entretanto, há perdas que realmente são para pior, devido a excelência incomparável constante no ente perdido.

Contudo, gostaria de ressaltar que, seja para melhor, igual ou pior, certas coisas são insubstituíveis, pelo fato de não haver outra igual. Entre estas, destaco, é claro, as pessoas. Não temos forma, não podemos ser produzidos em escala industrial, somos únicos, sempre. Então, ame as pessoas que o cercam; a perda ocorrerá em algum momento e elas serão insubstituíveis; ame com todas as suas forças, porque na hora da perda, seja momentânea ou eterna, o que restarão serão somente as lembranças. Ame os seus queridos.

Gostou? Então curta, compartilhe e deixe seu comentário. Se preferir, me envie um e-mail no samuelbonette@tenhoumsonho.com.br.

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engenharia, produção, liderança, lições - www.samuelbonette.blogspot.com.br

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Essência da Arte

Essência, Arte, música, pintura, gênio - www.samuelbonette.blogspot.com
Música é arte. Interpretação é arte. Pintura é arte. Arte é uma coisa um tanto quanto subjetiva, nem sempre se submetendo a um padrão estético específico ou aos anseios dos espectadores e as vezes do próprio artista. Depende de inspiração, e de transpiração.  Tenho um particular apreço por música, e também, por característica adquirida ao longo da vida, um observador. É engraçado como a música me agrada multiformemente. Gosto de músicas gauchescas, daquelas só com voz e violão, como também gosto de músicas pop, rock, música clássica, e muitos outros estilos. Assim entendo que gosto da música enquanto arte.

Escrever também é arte. É retirar fragmentos do cotidiano e expandi-los numa história épica, e noutro momento expor em uma pequena frase conhecimentos adquiridos ao longo da vida. É um exercício de procura diária, nos entrelaces dos acontecimentos que nos cercam, o novo, o divertido, o agradável, a crítica, o embate, os relacionamentos e transformá-los em histórias para os outros entes humanos.

É se dar conta, por exemplo, da grande desproporcionalidade existente entre homens e mulheres na população transeunte no Centro de Porto Alegre e discorrer sobre o assunto; é notar como as pessoas estão cada vez mais absortas em seus celulares, Ipad’s e tablet’s e cada vez menos prestam atenção no que acontece ao seu redor; claro que estou trazendo estes assuntos a baila porque notei nelas hoje enquanto transitava na rua, e sobre estes refleti brevemente, imaginando que seriam bons assuntos para se escrever.

Esta semana ainda proferi o seguinte comentário: Tempo: quanto menos tenho, mais coisas faço. Fazendo leitura reversa - Tempo: quanto mais tenho, menos coisas faço. E é verdade; estou a semana toda pensando que tenho que escrever um texto para postar aqui, e mesmo tendo a ideia central, até agora não escrevi absolutamente nada do que havia pensado. Não vai ser agora que vou começar, também.

Mas, como disse de início, escrever é arte, e a arte não se submete a padrões estéticos. Que o diga alguém, que postou no Facebook o seguinte: - A vida ainda tem muito a me encinar – ao que redargui: - Principalmente escrever.

Samuel Bonette

segunda-feira, 25 de junho de 2012

As coisas como são e como deveriam ser

As coisas como são e como deveriam ser - www.samuelbonette.blogspot.com
Existe uma diferença entre ilegal e imoral. Uma importante diferença, pois o ilegal é aquilo que age contra a legislação positivada, ao passo que o imoral é aquilo que obsta ao conjunto de normas e regras definidas socialmente como corretas. As vezes as opções da vida não são sobre coisas ilegais ou legais, mas sim sobre coisas morais ou imorais. Lembro que ao longo do meu curso de Administração, por algumas vezes, os professores nos incitaram a responder algumas perguntas que, se não eram capciosas, eram no mínimo desafiadoras, pois lidavam com questões morais.

Em sala de aula, um deles propôs o seguinte desafio: se, numa situação qualquer, sabendo que, ao condenarmos o culpado por um crime, automaticamente outra pessoa totalmente inocente seria obrigada a cumprir pena por aquele crime, optaríamos por condenar a pessoa culpada em detrimento da inocente ou por livrar ambas, para que a inocente não fosse injustiçada? A maioria optou pela segunda opção, pois presumiram que a culpada tornaria a cometer crimes e seria apanhada, resultando assim em posterior condenação, ao passo que a inocente seguiria sua vida normalmente.

Outra feita, após uma série de argumentos de um professor, inquiri o mesmo sobre o que considerava como sendo essência do homem: bondade ou maldade, uma vez que, partindo deste pressuposto, podemos melhor entender os julgamentos de alguém. Após uma resposta evasiva, tornei a carga forçando um posicionamento do mesmo. Respondeu então que considerava o homem como uma pizza: inicialmente era só a massa, e ao longo do tempo ia colocando-se os temperos (maldades ou bondades), efetivando-se assim o resultado final.

Entretanto, o mais marcante para mim foi uma série de questões (cinco, se não me engano) cujas opções de resposta dadas eram, notadamente (pelo menos para mim), divididas em opção moralmente correta, opção moralmente incorreta e opção “em cima do muro”. Descontada a conhecida irreverência deste professor, ao final da proposição das questões, aduziu que: aqueles que optaram, em maior número, pelas opções “em cima do muro”, poderiam, com alguma sorte, de dar bem na vida; os que optaram pelas opções moralmente incorretas entendiam como a vida funcionava e tinham grandessíssimas chances de obterem sucesso na vida, com uma chance de eventual percalço; já os que optaram pelas opções moralmente corretas eram loucos e viviam num mundo paralelo.

Recordo que pedi a palavra e, antes de mais nada, esclareci que eu era um dos loucos que vivia num mundo paralelo, isto porque a minhas opções tinham sido em maioria absoluta pelas respostas moralmente corretas. Então discorri que a vida se divide entre como as coisas são, e como deveriam ser. Como as coisas são é o caminho mais fácil e muitos andam por ele, mas como as coisas  deveriam ser é o caminho mais belo e recompensador a longo prazo, devendo ser sempre o caminho a ser escolhido.

 Somos seres feitos a imagem e semelhança de Deus, a bondade e demais virtudes devem ser buscadas e realizadas, e destes anseios derivam os padrões morais que levam o ser humano adiante. Ao optarmos pelos caminhos moralmente corretos, satisfazemos nossa vontade do correto e fazemos também a vontade de Deus.

Samuel Bonette

quinta-feira, 21 de junho de 2012

É das palavras que eu gosto mais


É das palavras que eu gosto mais - www.samuelbonette.blogspot.com
Tenho gosto pelas palavras. Sequência de letras que, combinadas de uma determinada forma, representam algo. Palavras longas, palavras curtas, palavras dúbias, palavras austeras, palavras decomponíveis, palavras que não terminam mais.

Palavras tais como oitiva: é uma mistura de oitava com altiva e que tem a função de me fazer escutar, simplesmente; palavras como cognição, o encontro de um cogumelo com a ignição; ou então hermenêutica, a herança que Hermes deixou na região Êutica.  O mau, vulgo mal, o bem, vulgo benhê, a premeditação, o oportunismo, a panaceia e a zoofilia, bucólico e fleumático, o altruísmo junto da conjunção, palavras que causam sensações e impressões .

As palavras dão ainda o poder da colocação, o poder de gerar e refutar sentimentos, mudar e reinventar situações, esclarecer e confundir, ao sabor do momento. Por vezes é interessante dar a entender sem pronunciar nenhuma palavra literal; em outros momentos, o interessante é dizer com todas as letras aquelas palavras que ninguém vai entender tampouco inquirir sobre seu significado, com medo de parecer insciente. Alguém disse que informação é poder, e saber uma palavra que outros desconhecem é informação, logo, poder.

O jogo de palavras, a argumentação e o contra-arrazoamento, a construção frásica são somente alguns dos prazeres que as palavras podem gerar. As próprias frases são poesia, sujeitas ao proeminente poeta, instrumentos para quem as usa, e por vezes armas para quem as manuseia. Olavo Bilac, com sua famosa definição da língua portuguesa, “a última flor do Lácio, inculta e bela”, fazia referência as pessoas que falam incorretamente e nem assim conseguem roubar a beleza da língua.

De fato, gosto muito das palavras. Através delas expresso meus anseios e sentimentos. Vivam as palavras em minha boca.

Samuel Bonette